sábado, 24 de outubro de 2009

Nominata dos Veneráveis II

ANTONINOS DA VIRTUDE E BONDADE
PARTE II

SUPORTE HISTÓRICO I

Criada a 17 de Junho de 1822, a primeira Obediência Maçônica do território nacional - ) Grande Oriente Brasílico – este se dedicou, com exclusividade, a finalidade primordial de batalhar pela independência do Brasil. Neste dia a Loja Comércio e Artes, fundada em 14.12.1815, dividiu-se em três, criando as Lojas: União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói, que deram origem ao Grande Oriente do Brasil. Foi eleito Grão Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva, que logo em seguida, com a iniciação de D. Pedro, cedeu-lhe o cargo.
Em decorrência da dissidência política entre os grupos encabeçados por José Bonifácio e Gonçalves Ledo, D. Pedro emitia a ordem para fechar o Grande Oriente, a 26 de Outubro de 1822.
Em 1830, ressurgia a Maçonaria brasileira, com a criação do Grande Oriente Nacional Brasileiro, o qual ficou, também, conhecido como o Grande Oriente da Rua de Santo Antonio e, posteriormente, Grande Oriente do Passeio, lugares em que se instalou, no Rio de Janeiro.
Em 12 de Novembro de 1832 é fundado, por Francisco Ge Acaiaba de Montezuma, Visconde de Jequitinhonha, o Supremo Conselho do Brasil do Grau 33o. – para o Rito Escocês Antigo e Aceito. Embora tenha fundado o Supremo Conselho, Montezuma foi demitido do seu cargo de Soberano Grande Comendador, em 1835.
Seu sucessor assumiu o Cargo de Grande Comendador, através do Decreto de 12 de Novembro de 1835, Irmão Antonio Carlos Ribeiro de Andrade, o Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil. Ao assumir, Antonio Carlos passou o cargo a José Bonifácio, que passava a dirigir as duas obediências.
Ao arrepio de tudo, em Alagoas, era fundada a Loja “Lealdade Penedense”, que recebeu a sua Carta patente em 30.07.1838, mas que, segundo as pesquisas de Kurt Prober, jamais veio a funcionar.
Em meio ao conturbado clima político que se alastrava por todo o país, aqui em Maceió, em 06 de Setembro de 1837, o Irmão Manoel Guilhermino de Alcântara traz para a luz maçônica a Loja “Amor da Pátria”.
A 6 de Abril de 1838, falecia José Bonifácio.
A pedra fundamental do Hospital da Cidade de Maceió (Santa Casa de Misericórdia), foi lançada no dia 07 de Setembro de 1851.
No dia 29 de Setembro de 1858, por ocasião de solenizar-se a posse dos Grandes Oficiais e Dignitários do Grande Oriente do Brasil, o Dr. Mello Moraes, 33o. – Grande Orador do Grande Oriente do Brasil, pronunciou importante discurso histórico.
Alexandre de Mello Moraes, 33o. – Nasceu na cidade de Alagoas em 23.06 ou 23.07.1816. Faleceu no Rio de Janeiro – DF, em Setembro de 1882. Historiador, deputado geral, médico. Em 1853 muda-se para o Rio de Janeiro. Patrono da cadeira 30 do IHGA, bem como da cadeira 26 da AAI.
Existe no livro de registros de cadastros da PAA, número 1, página 11, matrícula 189, o nome de Floriano Vieira Peixoto, iniciado em 1870, nascido em Ipioca – Alagoas, contando 31anos de idade.
O livro n. 1 da Loja registra-o com o pseudônimo de Alexandre Magno, tradição do Rito Adoniramita.
Na madrugada do dia 15 de Novembro de 1889, Manoel Deodoro da Fonseca, foi proclamada a República e Deodoro assumiu o poder, como chefe do Governo Provisório, com um ministério que, por feliz coincidência, era todo composto de maçons.
A 15 de Novembro de 1890, era instalado o Congresso Constituinte. Antes disso, porém, o Governo Provisório já executara a reforma institucional, inclusive com a lei de 7 de Janeiro de 1890, que separava a Igreja do Estado.
A 19 de Dezembro de 1889, pouco mais de um mês após a proclamação da República, Deodoro era eleito Soberano Grande Comendador Grão Mestre, e a Obediência passava a ser chamada de Grande Oriente e Supremo Conselho do Brasil.
Proclamada a República, na Província, o Coronel Pedro Paulino da Fonseca nomeia em Outubro de 1890 uma comissão de notáveis para elaborar o Projeto de Constituição, que seria submetido à Assembléia Legislativa.
A Constituição de Alagoas é promulgada, em Junho de 1891.
No período presidencial de Prudente de Moraes, Gabino Besouro e o Barão de Traipú, Manoel Gomes Ribeiro, são eleitos, em Fevereiro de 1892, Governador e Vice-Governador de Alagoas. Temperamento exaltado, o Governador persegue implacavelmente seus adversários. Desentende-se com o Barão de Traipú e rompe com o amigo e padrinho político, o ex-Presidente Floriano Peixoto. Impopular, desprestigiado pelo Governo Central, é deposto em 16 de Junho de 1894, pelas forças do Batalhão de Infantaria do Exército, sediado em Maceió.
O Presidente da República, telegrafa ao comandante do Batalhão do Exército ordenando que garantisse a reposição do Governador. O Barão, voltando ao poder, aposenta os magistrados e demite todos os funcionários que tomaram parte na rebelião. Conclui seu mandato em 1897, passando o governo para o médico e professor Manoel José Duarte, que impotente para enfrentar as seqüelas das lutas políticas que tanto infelicitam o Estado, renuncia, dois anos depois.






6o. – VIRGÍLIO ANTONINO DE CARVALHO

Período : 27.07.1902 a 1903.

: 07.06.1903 a 1904.
: 25.06.1904 a 1905.
: 24.06.1905 a 1906.
: 24.06.1906 a 1907.
: 26.06.1907 a 1908.

Obs.: Brasileiro, advogado, sócio do Instituto Histórico.



Balaústre em 22.05.1902

Exercício 1902 - 1903

Venerável : Virgílio Antonino de Carvalho
1o. Vigilante : Pedro Soares de Albuquerque
2o. Vigilante : Semeão de Oliveira e Silva
Orador : Silvério Pereira da Costa
Adjunto : Antonio Augusto de Amorim
Secretário : Bráulio Leite
Adjunto : Abdias Nogueira
Tesoureiro : Bernardo Pereira do Carmo.
Substituído por Domingos Nunes Leite
Adjunto : Joaquim Cordeiro dos Santos
1o. Experto : Antonio Cândido Vieira
2o. Experto : Pedro Lobão
3o. Experto : João Augusto de Figueiredo
1o. Diácono : Luiz Lessa
2o. Diácono : João G. M. M. Rocha
Substituído por Francisco Napolitano
M. Cerimônias : Manoel Fontan
Adjunto: : João Soares de Albuquerque Passos
P. Espada : Leopoldo Alberto de Macedo
P. Estandarte : Julio Lobo
Arquiteto : José Cardoso
Chanceler : Manoel Pinto Lisboa
M. Banquete : Macário Vieira
Cobridor : Fernando Pinto
Hospitaleiro : Domingos Fazio

Balaústre em 18.07.1902

Com. Central : Semeão de Oliveira
: Antonio S. Almeida
: Abdias Nogueira


Com. Finanças : Domingos Nunes Leite
: Antonio Amorim
: José Cardoso

Com. Beneficência : Manoel P. Lisboa Filho
: João Figueiredo
: Domingos Fazio

Com. Mensal de Visitas : Júlio Lobo
: Antonio Bulhões Costa
: Afonso Albuquerque Melo.
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SUPORTE HISTÓRICO

O coronel Santos Pacheco preside as eleições de 1900, quando Euclides Vieira Malta derrota Miguel Soares Palmeira, elegendo-se Governador. Beneficiando-se da implantação da “política dos Governadores” adotada pelo Presidente Campos Sales, perpetua-se no poder, instituindo a oligarquia da família. Concluído seu triênio administrativo, elege Governador seu irmão Joaquim Paulo Vieira Malta. Retorna a dirigir os destinos de Alagoas, em 1906, conseguindo reeleger-se, em 1909, apesar da forte oposição liderada por Gabino Besouro.
O marechal Hermes da Fonseca, derrota o senador Ruy Barbosa na eleição de 1912 para a Presidência da República. O sobrinho do primeiro presidente do Brasil, Deodoro da Fonseca, terá como vice o mineiro Vencesláu Brás. Apesar de a campanha civilista do Águia de Haia não ter lhe garantido a maioria dos votos, os esforços de Ruy Barbosa deram aos brasileiros a chance de sentir o gosto de uma autêntica campanha eleitoral no país. Antes da votação, os civilistas tentaram em vão fazer com que os votos fossem dados de forma secreta, e não declarados diante dos membros da mesa.
Embora havendo nascido no Rio Grande do Sul, Hermes da Fonseca não esquece as origens alagoanas da família e influencia, decisivamente, a eleição do seu primo, o Coronel Clodoaldo da Fonseca, para Governador, derrubando a oligarquia Malta.

Conflitos bélicos agitam o mundo, na Primeira Guerra Mundial. Ao final da guerra, em 1918, uma grande crise financeira abala o país.

Em 1930, Getúlio Vargas é empossado Presidente da República e, dois anos depois, sustenta a Revolução Constitucionalista que, a partir de São Paulo, reivindica a convocação imediata de uma assembléia constituinte e a deposição do governo. Getúlio nomeia interventores nos Estados e, em Alagoas, assume o capitão Afonso de Carvalho, oficial do Exército e tambem ensaísta, jornalista e autor de peças de teatro.
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Balaústre em 19.04.1903

Exercício 1903 – 1904

Venerável : Virgílio Antonino de Carvalho
1o. Vigilante : Semeão de Oliveira e Silva
2o. Vigilante : José Maria de Araújo
Orador : Silvério Pereira da Costa. Substit: Alfredo O. Silvério Coelho
Adjunto : Miguel Omena
Secretário : Bráulio Monteiro Leite. Substit: Abdias Nogueira
Adjunto : Abdias Nogueira. Substit: Tertuliano A. Santos
Tesoureiro : Domingos Nunes Leite. Substit: João Guilherme Romeiro
Adjunto : Alípio Vieira Leite
Chanceler : Manoel Pinto Lisboa
1o. Experto : Fernando A. Pinto
2o. Experto : Júlio F. Lobo
3o. Experto : Antonio Nunes Leite
Hospitaleiro : Augusto Lessa
M. Cerimônias : Manoel Fontan
Adjunto : Crodegando Gomes
Arquiteto : João Guilherme Romeiro
1o. Diácono : Luiz Lessa
2o. Diácono : Azarias de Carvalho Gama
Cobridor : Leopoldo Macedo
P. Espada : Tertuliano Santos
P. Estandarte : Antonio Ferreira Santos
M. Banquete : João Soares de Albuquerque Passos

Balaústre em 16.06.1903

Com. Finanças : Augusto Lessa
: José Maria de Araújo
: Domingos Nunes Leite

Com. Central : Semeão Oliveira
: Miguel Omena
: João Guilherme Romeiro

Com. Beneficência : Júlio Lobo
: João A. Figueiredo
: Leopoldo Macedo
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Balaústre em 24.05.1904

Exercício 1904 – 1905

Venerável : Virgílio Antonino de Carvalho
1o. Vigilante : Semeão de Oliveira e Silva. Substit: Augusto Lessa
2o. Vigilante : Abdias Nogueira. Substit: Firmino Aquino Vasconcelos
Orador : Miguel W. Omena. Substit: Francisco Calheiros Mello
Adjunto : Antonio Candido Vieira. Substit: Américo Alvim
Secretário : Joaquim Pontes de Miranda. Substit: Alfredo Odilon
Adjunto : Francisco Calheiros de Mello. Substit: 1) Augusto Lessa. 2) Francisco Calheiros
Tesoureiro : João Guilherme Romeiro
Adjunro : Francisco Porto
Chanceler : Manoel Pinto de A. Lisboa Filho. Substit: 1) Julio Lobo. 2) Manoel Fontan
1o. Experto : Fernando Pinto. 1) Julio Lobo
2o. Experto : Julio F. Lobo. 1) Antonio Pereira Caldas Filho. 2) Leopoldo Macedo
3o. Experto : Leobino Silva
Hospitaleiro : José Lacerda Filho
M. Cerimônias : Manoel Fontan. 1) Julio Lobo
Adjunto : Crodegando G. Silva
1o. Diácono : José Araújo Cardoso
2o. Diácono : Américo Custódio
P. Estandarte : Tertuliano Santos
P. Espada : João Ferreira Santos
Arquiteto : José Euzébio Alves Amorim. 1) Manoel Borges Acioly. 2) João G. M. M. Rocha
M. Banquete : Alípio Pereira Leite
Cobridor : João G. M. M. Rocha. 1) Crodegando G. Silva

Balaústre em 27.09.1904

Com. Central : José Lacerda Ferro
: Júlio Lobo
: Augusto Lessa

Com. Finanças : Américo Alvim
: Antonio de Souza Almeida
: João G. Romeiro

Com. Beneficência : José Cardoso
: Semeão Oliveira
: José Lacerda Ferro
___________

Balaústre em 12.05.1905

Exercício 1905 – 1906

Venerável : Virgílio Antonino de Carvalho
1o. Vigilante : Bernardo Pereira do Carmo
2o. Vigilante : Augusto Lessa
Orador : Alfredo O. S. Coelho. 1) João Craveiro Costa
Adjunto : Américo Alvim
Secretário : Henrique Mero
Adjunto : Abdias Nogueira. 1)Benedito Santos Silva
Tesoureiro : Enéas A. Almeida. 1) Antonio Souza Almeida. 2) João G. M. M. Rocha
Adjunto : Amphilófio e Américo Alvim
Chanceler : Manoel S. Fontan
1o. Experto : Julio F. Lobo
2o. Experto : Leopoldo A. Macedo
3o. Experto :Joaquim Plácido
Hospitaleiro : José Lacerda Ferro
M. Cerimônias : José A. Cardoso
1o. Diácono : Fernando A. Pinto
2o. Diácono : Francisco C. Melo
P. Estandarte : Crodegando Gomes
P. Espada : Ezequiel R. Barbosa
Arquiteto : João G. M. M. Rocha
M. Banquete : Sahid Kuri
Cobridor : Artur Vidal Silva

Balaústre em 11.07.1905

Com. Finanças : Semeão O. Silva
: Azarias Gama
: Antonio Souza Almeida

Com. Central : Alfredo A. Farias
: Afonso Melo
: Ezequiel Barbosa

Com. Beneficência : Francisco Calheiros
: Joaquim Zagalo
: José Lacerda Ferro

Com. Polícia : Bernardo Pereira do Carmo
: Benedito Silva
: Fernando Pinto
: José Cardoso e Abdias Nogueira
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Balaústre em 01.05.1906

Exercício 1906 – 1907

Venerável : Virgílio Antonino de Carvalho
1o. Vigilante : Bernardo Pereira do Carmo
2o. Vigilante : Augusto Lessa
Orador : João craveiro Costa. 1) Henrique Mero
Adjunto : Oscar Marinho Falcão
Secretário : Henrique mero. 1) Américo Alvim
Adjunto : Oscar M. Falcão. 1) Benedito Silva
Tesoureiro : João G. M. M. Rocha
Adjunto ; Enéas A. Almeida
M. Cerimônias : Afonso A. Melo
Chanceler : Manoel S. Fontan
Arquiteto : João V. Araújo
1o. Diácono : Benedito S. Silva
2o. Diácono : José A. Cardoso
Hospitaleiro : José L. Ferro
1o. Experto : Leopoldo A. Macedo
2o. Experto : Luiz A. C. Chaves
3o. Experto : Ezequiel Barbosa
P. Espada : Joaquim F. Plácido
P. Estandarte : Alípio P. Leite
M. Banquete : Antonio F. Araujo Santos
Cobridor : Artur Vital da Silva

Balaústre em 23.08.1906

Com. Central : Leopoldo Macedo
: Benedito Silva
: Luiz A. C. Chaves

Com. Beneficência : Afonso A. Melo
: Oscar M. Falcão
: José L. Ferro

Com. Finanças : Américo Alvim
: Enéas A. Almeida
: João G. M. M. Rocha





Balaústre em 24.05.1907

Exercício de 1907 – 1908

Venerável : Virgílio Antonino de Carvalho. 1) Pedro Soares de Albuquerque
1o. Vigilante : Antonio de Souza Almeida
2o. Vigilante : Henrique Mero
Orador : Pedro Soares de Albuquerque. 1) Eutiquio C. C. Gama
Adjunto : Oscar M. Falcão
Secretário : Américo Alvim
Adjunto : Benedito S. Silva
Tesoureiro : João G. M. M. Rocha
Adjunto : Enéas A. Almeida
M. Cerimônias : Afonso A. Melo
Adjunto : Domingos Fazio
Chanceler : Manoel S. Fontan
Arquiteto : Anfilófio Alvim
1o. Diácono : Alfredo Farias
2o. Diácono : Luiz Oliveira
Hospitaleiro : José L. Ferro
1o. Experto : Leopoldo Macedo
2o. Experto : Luiz Chaves
3o. Experto : Francisco Gazaneu Filho
P. Estandarte : Joaquim F. Plácido
P. Espada : Pascoal G. de Rafael
M. Banquete : Manoel Estevan da Rocha
Cobridor : Artur Vital da Silva

Balaústre em 08.07.1907

Com. Central : Luiz Chaves
: Joaquim Plácido
: Francisco Gazaneu Filho

Com. Beneficência : Manoel Estevan da Rocha
: Leopoldo Macedo
: José L. Ferro

Com. Finanças : Benedito Silva
: Artur Vital da Silva
: João G. M. M. Rocha

NOMINATA DOS VENERÁVEIS I

NOMINATA DOS VENERÁVEIS DA LOJA MAÇÔNICA “VIRTUDE E BONDADE” DESDE A SUA FUNDAÇÃO

1o. – FRANCISCO JOSÉ MAGALHÃES BASTO

Período : 01.03.1862 a 1863.
: 1863 a 1864.
: 1864 a 1865.

Obs. Venerável fundador da Loja provisória Virtude e Bondade, Instalada ao Oriente de Maceió no dia 1o. de Maio de 1862, no Rito Escocês Antigo e Aceito. Comerciante, português, nascido em 1801. Casado.
Iniciado na Loja Conciliação do Grande Oriente de Pernambuco. Elevado ao Grau 31o. – 31.08.1864, conforme balaústre em 27.10.1864. Membro Honorário do quadro da Virtude e Bondade. Registrado na Grande Secretaria Geral da Ordem, no Rio de Janeiro, em 23.12.1921.Renunciou ao cargo em 18.08.1864, sendo substituído.

SUPORTE HISTÓRICO

Carlos Pace (que parece ser um pseudônomo), em seu folheto intitulado “Resumo histórico da Maçonaria no Brasil”, tem este trecho inicial: “No fim do século passado (a edição é de 1896), para evitarem as perseguições de que eram alvo, alguns maçons portugueses emigraram para o Brasil e, de união com outros, franceses e americanos, instalaram lojas, umas sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano, outras do de França e algumas independentes”. Transcrito de “Nos Templos de Hiram”, por Manoel Onofre de Andrade (Venerável da Loja Deodoro da Fonseca n. 700 e presidente da AAI), 1933, pág. 155.




Diretoria Interina de Instalação da Loja Provisória
“Virtude e Bondade”, em 1o. de Março de 1862.

Venerável : Francisco José de Magalhães Bastos, Grau 30o.
1o. Vigilante : Bel. Manoel Joaquim da Silva, Grau 3o.
2o. – Vigilante : Aurélio Ferreira Espíndola, Grau 17o.
Orador : José Antonio Magalhães Bastos, Grau 18o.
Secretário : Tito de Abreu Fialho, Grau 3o.
Tesoureiro : Dr. Posidônio de Melo Acioly, Grau 18o.
Chanceler : Carlos Cirilo de Castro, Grau 3o.
Hospitaleiro : Rozendo de Araújo Ferraz, Grau 3o.
1o. Experto : José Ovídio de Farias Lobo, Grau 17o.
2o. Experto : Henrique da Cunha Rodrigues, Grau 17o.
3o. Experto : Bel. Antonio Pinto da Rocha, Grau 3o.
M. Cerimônias : Dr. João Francisco Dias Cabral, Grau 17o.
1o. Diácono : José Marques dos Santos Carreggal, Grau 17o.
2o. Diácono : Manoel Antonio Supardo, Grau 3o.
Arquiteto : José Anselmo Valejo, Grau 3o.
Cobridor : Manoel Antonio Tavares, Grau 3o.
Porta Espada : João Antonio das Chagas Craveiro, Grau 3o.
P.Estandarte : Antonio Teixeira Junior, Grau 3o.
M. Banquete : James Hunter, Grau 3o.


Or. de Maceió, em 21 de Março de 1864

Balaústre da Sessão de Posse e Iniciação da Sublime Loja “Virtude e Bondade”.

Eleitos, prestaram juramento, de conformidade com os Arts. 173 e 174 da Constituição, os Oficiais e Dignidades, que irão reger os destinos da Loja, durante o ano de 1864:

Venerável : Francisco José de Magalhães Basto.
1o. Vigilante : José Antonio de Magalhães Basto.
2o. Vigilante : Rozendo de Araújo Ferraz (interino).
Orador : Miquel Felício Basto da Silva.
Secretário : Tito de Abreu Fialho.
Hospitaleiro : Dr. João Francisco Dias Cabral.
2o. Vigilante : Joaquim José de Araújo (titular).
Chanceler : Antonio de Almeida Monteiro.
Tesoureiro : José Bernardo de Arroxellas Galvão.
Secretário Adj. : José Lopes da Paixão.
Venerável eleito : Dr. José Magalhães Basto (substituição).

SUPORTE HISTÓRICO

Ainda que não mais existam os registros documentais da vida cotidiana da Virtude e Bondade, podemos encontrar nos registros de jornais da época, anuários e atas das Lojas co-irmãs, informes e reportagens que preencham alguns dos claros existentes.
O palacete que serviu para abrigar não só a Loja Virtude e Bondade, como também a Loja Fraternidade Alagoana e depois a Loja Deodoro da Fonseca, na Rua da Imperatriz n. 37 – centro, hoje Rua João Pessoa, pertenceu ao sr. Manoel Machado da Silva. Até pouco tempo ali funcionava o Hotel Beiritz. Templo este inaugurado em 28.08.1864.
O contrato, firmado verbalmente em 01.03.1862, foi renovado. Terminando em 22.08.1873, e renovado por igual período, através do Irmão Antonio Teixeira Júnior Escova, Tesoureiro da Virtude e Bondade.
Fundada em 04 de Março de 1870, em Maceió, a Loja Maçônica “Fraternidade Alagoana” n. 200. Recebeu sua carta constitutiva em 21.03.1870, sendo regularizada em 20.06.1870.
Pouco depois de fundada, passou para o Grande Oriente dos Beneditinos, mas em 05.08.1873, foi incorporada ao GOB. Na Fundação, recebeu o n. 202 e na reincorporação, o n. 255 (antigos). Curiosamente em março de 1875, ainda é declarada como sendo de sua obediência (dos Beneditinos, n. 68), talvez uma dissidência. O Rito adotado na fundação foi o Adoniramita. Abateu colunas antes de 1884.
Venerável Fundador: Jacintho José Nunes Leite, 13o. – de 1870 a 1873. Reeleito, não aceitou. 1874 – José Francisco de Braga Júnior. Em 12.12.1876: Venerável, Tertuliano Telles de Menezes e Silva. 20.01.1877: Posse do Venerável Tertuliano Telles de Menezes e Silva. Em 30.01.1877, abateu colunas.
ALMANAK ADMINISTRATIVO DA PROVÍNCIA DE MACEIÓ para o ano de 1876 (edição 1876, pág. 87) – Grande Oriente Unido do Brasil – Fraternidade Alagoana (Adoniramita), Rua do Hospital n. 47; Venerável, José Francisco Braga Júnior, residente à Rua Augusta n. 13. Na página 114 do mesmo almanaque, ano 1877, dá a Fraternidade Alagoana funcionando na Rua do Hospital, sobrado n. 47.
Aos 15 de Abril de 1873, funcionava na Virtude e Bondade, e a partir dessa data, na Perfeita Amizade Alagoana.
Ata n. 43 da VB: Acedendo o prédio para funcionar na sua sede mediante as condições propostas.
Ata n. 44, em 20.04.1871: concordou pagar nas mesmas condições apresentadas no contrato que se fez com um primeiro andar na casa em que funcionava a Loja.
NOTAS: No Livro de Atas, ficaram em branco as páginas 242 (meia página), 243 a 248. Não há termo de Encerramento.
As últimas assinaturas da Ata na data de 30.01.1877: Venerável Tertuliano Telles de Menezes e Silva. 1o. Vigilante, Jacintho José Nunes Leite. 2o. Vigilante, Luiz Pereira Cunha. Orador Interino, J. Pedro. Secretário, Rafael Arcanjo da Silva Antunes.
Em 12.09.1979, foram reerguidas suas colunas pelo Venerável Irmão José Correia de Araújo Paranhos.

Aos 04 de Dezembro de 1870, era fundada no Oriente de Penedo, a Loja Maçônica “Confraternidade Penedense”, n. 205. Rito Moderno. Instalada em 04.12.1872, abateu colunas em 1884.
O Malhete n. 13, de Maceió, em 20.12.1899, assinala a Instalação desta Loja em 04.12.1872. Consta do “Catálogo das Lojas...”, de Kurt Prober.


2o. – JOSÉ ANTONIO DE MAGALHÃES BASTO
Período : 18.08.1864 a 21.08.1864 – 1a. eleição.
: 03.09.1864 a 24.06.1865 – 2a. eleição.
: 24.06.1865 a 24.06.1866.
: 24.06.1866 a 1871.
Obs: Pernambucano, nascido em 1826. Advogado, jornalista, político, sócio do Instituto Histórico.
Iniciado na Loja “06 de Março”, Oriente de Pernambuco. Benemérito, em 1913.

Foram eleitos para o ano de 1865:

Venerável : José Antonio de Magalhães Basto
1o. Vigilante : José Bernardo de Arroxelas Galvão
2o. Vigilante : José Anselmo Valejo
Orador : Joaquim José de Araújo
Secretário : Tito de Abreu Fialho
Tesoureiro : Francisco Pires Carneiro
Repr Gr.’. Asb.’.: Manoel Joaquim Dias Medronho
Deputado : João Joaquim Ferreira
1o. Experto : José Ovídio de Farias Lobo
2o. Experto : Reinaldo Odorico Mendes
3o. Experto : Luiz Castilho de Aguiar
Mest.’. CCer.’. : Pedro Severiano Dantas
Hospitaleiro : João Francisco Dias Cabral
1o. Diácono : Carlos Cirilo de Castro
2o. Diácono: : Paulo Joaquim Teles Junior
Porta Espada : Joaquim José Ramos
P.’. Estandarte : Manoel Antonio Tavares
Arquiteto : Ildefonso de Paula Mesquita Cerqueira
Cobridor : Alexandre Francisco de Barros
Chanc.’. Arq.’. : Luíz José de Mendonça
Orador Adjunto : Olímpio Eusébio de Arroxelas Galvão
Secr.’. Adjunto : Thomas Deschamps de Montmorency.

SUPORTE HISTÓRICO

As nominatas do Grande Oriente do Brasil informam o Venerável da Virtude e Bondade em 1872, Dr. Manoel Claudino de Arroxelas Jaime,33o. Seu Venerável em 1873, o Irmão Joaquim J. Araújo, 18o. O Manual das Lojas Maçônicas, de Kurt Prober, confusamente informa que estaria adormecida ou inativa; o seu Templo teria sido Regularizado em 30 de Janeiro de 1875, pelo Delegado do Grande Oriente do Brasil, Manoel Claudino de Arroxelas Jaime. Na verdade trata-se do reerguimento das colunas da Loja Amor da Pátria, conforme noticiado no jornal LABARUM, o que podemos ver quando tratarmos da loja Amor da Pátria.
Em escrito anônimo no DIÁRIO DE ALAGOAS, de Janeiro de 1867, se fazia uma campanha deletéria contra o espírito republicano. Das retaliações veementes e incessantes nasceu o pensamento republicano em se agremiar, na expectativa da vitória. Nessa falange, da qual deveriam sair presidentes da república, ministros, diplomatas, representantes do povo e também, grandes vítimas das ingratidões públicas, se encontrava o Irmão Ricardo Brennand Monteiro.
O major Manoel Claudino de Arroxelas Jaime, que ocupava a Venerança, e o Irmão Ricardo Brennand Monteiro, como Secretário, adquiriram aos treze de Maio de 1869, o terreno situado na Rua Nova (atual Barão de Penedo), local onde seria construído o Templo da Loja Virtude e Bondade.

3o. – MANOEL CLAUDINO DE ARROXELAS JAIME

Período : 24.06.1871 a 1872.
: 24.06.1872 a 1873.

Obs: Brasileiro, Major, Juiz de Paz, sócio do Instituto Histórico.

SUPORTE HISTÒRICO

A Loja Maçônica Virtude e Bondade esteve na crista das ondas tempestuosas, travestidas em cataclismos que estiolaram as instituições constituídas, gerando insegurança, destemor e desordens gerais. A Ordem Maçônica sofreu, como organismo vivo da tessitura social, a convulsão dos movimentos revolucionários, anteriores e posteriores à Proclamação da República.
E a três de Maio de 1872, quase vinte anos da Proclamação da República, surgia em Maceió um novo paladino da causa republicana, este com o nome de A REPÚBLICA.
Nesta fase histórica, a Loja Virtude e Bondade esteve sob o comando do ilustre médico Dr. Joaquim José de Araújo.

Na época de progresso do Pilar, nascia ali, aos 03 de Novembro de 1872, a Loja Maçônica “Amor à Humanidade” n. 229, a primeira que utilizou este título. Certamente inspirada em sua principal bandeira de luta, a libertação dos escravos. Recebeu a Carta Constitutiva em 04 de Novembro de 1872, sendo Regularizada em 29 de Dezembro de 1872. Abateu colunas em 1882.

4o. – JOAQUIM JOSÉ DE ARAÚJO

Período : 24.06.1873 a 1874.
: 19.06.1874 a 1875.
: 24.06.1875 a 1876.
: 26.06.1876 a 1877.

Obs: Brasileiro, médico, sócio do Instituto Histórico. Fonte, Almanak da Província de Maceió, hemeroteca do IHG – AL. Nada encontramos sobre o período 1877 a 1892.

SUPORTE HISTÓRICO

Deodoro da Fonseca, por ocasião da Proclamação da República, era Maçom ativo e fora iniciado, em 1875, na Loja “Rocha Negra”, ao Oriente de São Gabriel, Rio Grande do Sul.
Tão logo proclamada a República, o Governo Provisório nomeou interinamente a Tibúrcio Valeriano de Araújo, Governador Interino de Alagoas, ficando este a governar de 21 de Novembro a 2 de Dezembro de 1889.
Em nosso Estado, dele participavam as figuras mais expressivas, pessoas da sociedade, que integravam entidades governamentais, não governamentais, intelectuais, jornalistas e profissionais.
A designação do primeiro governador recaiu sobre o Irmão de Deodoro, o Coronel Pedro Paulino da Fonseca, Governador Provisório do Estado de Alagoas, tomando posse a 2 de Dezembro de 1889.
Em decorrência da instabilidade política que se estabeleceu então, com a ascensão de novos rumos políticos em cenário cada vez mais conturbado. Diante da Nova Ordem Constitucional, a Chefia do Poder nas mãos dos ínclitos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, a Loja Virtude e Bondade conviveu com a mesma instabilidade infligida às co-irmãs.
A militância dos republicanos históricos como Tibúrcio Valeriano de Araújo, Ricardo Brennand Monteiro (membro da Junta Governativa), Bonifácio Da Silveira ( o major Bonifácio dos carnavais de Bebedouro), Clarêncio Jucá, Dr. Joaquim José de Araújo, Cândido de Almeida Botelho, Bernardino de Sena Ribeiro, todos maçons, e apenas citar estes para não tornar fastidiosa a informação, resolveu que a Maçonaria deveria prestar uma homenagem à República, considerada sua filha dileta, congregando Irmãos de várias Lojas, sob um nome distintivo, que representava a nova Ordem instituída pelo ínclito alagoano.
Convidados Obreiros da “Virtude e Bondade”, da “Amor da Pátria”, da “União de São Francisco”, “Deus e o Homem”, “Deus e Verdade”, estes resolveram fundar a Loja “ORDEM E PROGRESSO’ 2a., em 19.04.1890, conforme assinala KURT PROBER in CADASTRO GERAL DAS LOJAS MAÇÔNICAS DO BRASIL, Paquetá 1975, 926.
A esse respeito é esclarecedor o Relatório da Delegacia do Estado de Alagoas, em 04 de Junho de 1910, publicado no Boletim do GOB, n. 11 – Nov/1910, págs. 898/900, dirigido ao Ilmo Sr. Pod.’. Ir.’. Dr. Lauro Sodré, Sob.’. Gr.’. Mestre Gr.’. Comen.’. da Ordem, pelo Irmão Virgílio Antonino de carvalho, 33o. – Delegado: “Por motivos de ordem superior ficou algum tempo adormecida (referência à Loja “Virtude e Bondade”), surgindo entretanto, aos 28 de Novembro de 1890, a Aug.’. Loja “ORDEM E PROGRESSO” 2a., formada por 27 Irmãos Instaladores”.
Em Sessão solene de 26 de Janeiro de 1893, e com a devida autorização do Poder competente, foi mudado o título, bem como o distintivo e regalias da antiga Loja.
Constatamos então que a “Virtude e Bondade” mudou de nome e endereço, mas manteve as suas colunas erguidas, e ajudando a reerguer colunas.
Ricardo Brennand Monteiro, membro da junta Governativa, tomou posse na Intendência municipal (assim era chamada a chefia do executivo municipal, no período monárquico) a 30 de Janeiro de 1890, exonerando-se em Junho desse mesmo ano.
O Major Bonifácio Magalhães da Silveira, Obreiro da Loja Perfeita Amizade Alagoana, tomou posse na Intendência Municipal a 4 de Maio de 1892 e deixou o cargo a 4 de Setembro do mesmo ano.
De 1893 até 1902, o destino da “Virtude e Bondade” obedeceu ao comando firme e laborioso do Irmão Tibúrcio Valeriano de Araújo.

5o. – TIBÚRCIO VALERIANO DE ARAÚJO

Período : 25.02.1893 a 1894.
: 26.02.1894 a 1895.
: 19.02.1895 a 1896.
: 19.03.1896 a 1897.
: 18.03.1897 a 1898.
: 02.04.1898 a 1899.
: 24.06.1899 a 1900.
: 29.06.1900 a 1901.
: 24.06.1901 a 1902.

Obs: Brasileiro, empregado público, comendador.
_____________

Em 3 de Janeiro de 1893:

Eleito Deputado junto à Assembléia Geral do Grande Oriente do Brasil, o Irmão Manoel Miguel Soares, 32o.
Eleito para o cargo de Representante, o Irmão Guilherme Gomes Pinto, 30o.

Em 25 de Fevereiro de 1893:

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo, 30o. 31 votos
1o. Vigilante : Antonio Joaquim de Farias, 30o. 30 votos
2o. Vigilante : Alexandre José Ribeiro, 18o. 30 votos
Orador : Antonio Scipião da Silva Jucá,18o. 32 votos
Secretário : Ananias Guerra, 31o. 32 votos
Tesoureiro : Horácio A. Guerra Jucá, 3o. 30 votos
Chanceler : João Rabelo Cardoso, 18o. 32 votos
Hospitaleiro : Ignácio de Moraes Sarmento, 3o. 29 votos
1o. Experto : Domingos Nunes Leite, 3o. 30 votos
2o. Experto : Júlio José Pereira, 3o. 30 votos
3o. Experto : Luis Lessa, 3o. 28 votos
M. Cerimônias : Melchiades Gomes Ribeiro, 3o. 30 votos
1o. Diácono : Leôncio José Pereira de Farias, 3o. 30 votos
2o. Diácono : Francisco Ignácio da Rocha Lima, 3o. 27 votos
Arquiteto : José Bento de Carvalho, 3o. 32 votos
Cobridor : Afonso Joaquim de Albuq. Melo, 3o. 31 votos
P. Espada : Francisco Porto, 3o. 26 votos
P. Estandarte : Fernando Borguesi, 3o. 29 votos
M. Banquete : José Vieira Sampaio, 3o. 30 votos
Orador Adjunto : José Cesário dos Negreiros Varella
de França, 3o. 32 votos.
Secretário Adj. : Bernardo Pereira do Carmo, 3o. 30 votos
M. Cer. Adj. : Bráulio Coelho Sampaio, 3o. 30 votos

NOTAS: Orador Adjunto José Cesário dos Negreiros Varella de França, é encontrado no Fichário, com o nome José Cezario da N. Varella da Fonseca.
O Chanceler João Rabelo Cardoso, encontrado com o nome de João Cardoso Rabelo.
____________

Balaústre em 30 de Janeiro de 1894:

Deputado da Loja junto ao Grande Oriente, Manoel Miguel Soares.
Representante Junto ao Grande Oriente, Guilherme Gomes Pinto.

Dignidades e Luzes para o ano de 1894.
Balaústre em 26 de Fevereiro de 1894:

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo, 30o. 34 votos
1o. Vigilante : Ananias Emiliano Andrade Guerra, 31o. 35 votos
2o. Vigilante : Domingos Nunes Leite, 18o. 31 votos
Orador : Antonio Scipião da Silva Jucá, 18o. 32 votos
Secretário : Bernardo Pereira do Carmo, 3o. 32 votos
Tesoureiro : José Bento de Carvalho, 3o. 34 votos
1o. Experto : Júlio José Pereira, 3o. 30 votos
2o. Experto : Francisco Santos Porto, 3o. 28 votos
3o. Experto : Antonio Xavier da Divina Providência, 3o. 28 votos
Chanceler : Antonio Joaquim de Faria, 30o. 32 votos
Hospitaleiro : Ignácio de Moraes Sarmento, 3o. 27 votos
M. Cerimônias : Melchiades Gomes Ribeiro, 3o. 28 votos
1o. Diácono : Domingos de Araújo Melo, 3o. 28 votos
2o. Diácono : Francisco Ignácio da Rocha Lima, 3o. 27 votos
Arquiteto : André de Carvalho Espíndola, 3o. 29 votos
P. Estandarte : Eduardo Witchurst, 3o. 33 votos
P. Espada : Manoel Rodrigues de Oliveira Lima, 3o. 32 votos
Cobridor : Estevão José Biggio, 3o. 31 votos
M. Banquete : Augusto Antonio de Almeida, 3o. 29 votos
Orador Adjunto : José Cesário dos Negreiros Varella de França, 3o.
30 votos
Secret. Adjunto : Affonso Joaquim de Albuquerque Melo, 3o. 31 votos
M. Cer. Adjunto : Leôncio José Pereira de Farias, 3o. 30 votos.
_______________

Ano de 1895

Deputado junto ao Grande Oriente, José Moitinho dos Santos, 18o. 22 votos
Representante junto ao Grande Oriente, Lourenço da Rocha, 30o. 22 votos

Balaústre em 19.02.1895:

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo, 30o. 19 votos
1o. Vigilante : Domingos Nunes Leite, 18o. 18 votos
2o. Vigilante : Manoel R. de Oliveira Lima, 3o. 19 votos
Orador : Antonio Scipião da Silva Jucá, 18o. 19 votos
Secretário : Bernardo Pereira do Carmo, 3o. 19 votos
Tesoureiro : José Bento de carvalho, 3o. 19 votos
1o. Experto : José Leite de Menezes, 3o. 19 votos
2o. Experto : Fernando Borguesi, 3o. 18 votos
3o. Experto : André Espíndola, 3o. 18 votos
Chanceler : José Vieira Sampaio, 3o. 19 votos
M. Cerimônias : Melchiades Gomes Ribeiro, 3o. 19 votos
Hospitaleiro : Ignácio de Moraes Sarmento, 3o. 19 votos
Arquiteto : Manoel José de Farias, 31o. 19 votos
P. Estandarte : Eduardo Witchurst, 3o. 18 votos
P. Espada : Álvaro Flores, 3o. 19 votos
1o. Diácono : Luiz Lessa, 3o. 19 votos
2o. Diácono : Francisco Ignácio da Rocha Lima, 3o. 19 votos
M. Banquete : Francisco Porto, 3o. 19 votos
Cobridor : Júlio José Pereira, 3o. 19 votos
Orador Adjunto : Benedito Silva, 18o. 19 votos
Secret. Adjunto : Antonio Pereira Caldas Filho 19 votos
M. Cer. Adjunto : Genésio Ladislau de Menezes, 3o. 19 votos
___________

Ano de 1896

Deputado junto à Assembléia Geral do Grande Oriente:
José Moitinho dos Santos, 18o. 16votos
Representante, Lourenço da Rocha, 30o. 16votos

Exercício 1896 – 1897
Balaústre em 21.02.1896:

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo, 30o. 24votos
1o. Vigilante : Ananias Emiliano Andrade Guerra, 31o. 23votos
2o. Vigilante : Luiz Lessa, 3o. 23votos
Orador : Antonio Scipião da Silva Jucá, 18o. 24votos
Secretário : Bernardo Pereira do Carmo, 3o. 23votos
Tesoureiro : Domingos Nunes Leite, 18o. 24votos
1o. Experto : Francisco Ignácio da Rocha Lima, 3o. 24votos
2o. Experto : Fernando Borguesi, 3o. 24votos
3o. Experto : Álvaro Flores, 3o. 23votos
Chanceler : José Vieira Sampaio, 3o. 22votos
M. Cerimônias : Melchiades Gomes Ribeiro, 3o. 23votos
Hospitaleiro : André de Carvalho Espíndola, 3o. 23votos
Arquiteto : Manoel José de Farias, 31o. 24votos
P. Estandarte : Eduardo Witchurst, 3o. 23votos
P. Espada : Manoel de Messias Alencastro, 3o. 24votos
1o. Diácono : Manoel Rodrigues de Oliveira Lima, 3o. 22votos
2o. Diácono : Domingos de Araújo Melo, 3o. 24votos
M. Banquete : Francisco Porto, 3o. 23votos
Cobridor : Afonso de Albuquerque Melo, 3o. 24votos
Orador Adjunto : Benedito Manoel dos Santos Silva, 18o. 24votos
Secret. Adjunto : Antonio Pereira Caldas Filho, 3o. 23votos
M. Cer. Adjunto : Genezio de Menezes, 3o. 24votos
_____________

Ano 1897

Exercício 1897 – 1898

Balaústre em 16.02.1897

Deputado junto à Assembléia Geral:
José Moutinho dos Santos, 30o. 16votos
Representante: Lourenço da Rocha, 30o. 16votos

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo 14votos
1o. Vigilante : Bernardo Pereira do Carmo 11votos
2o. Vigilante : Manoel Rodrigues de Oliveira Lima 8votos
Orador : Luiz Lavenere 11votos
Secretário : Juvenal Costa 8votos
Tesoureiro : Domingos Nunes Leite 14votos
Chanceler : Vicente Ferreira de Andrade Costa 14votos
Hospitaleiro : Jacinto Ressurreição 11votos
1o. Experto : Melchiades Gomes Ribeiro 13votos
2o. Experto : Manoel Izidoro de Souza Ramires 13votos
3o. Experto : Antonio José do Nascimento 14votos
M. Cerimônias : Genézio Menezes 9votos
Adjunto : Pedro Lobão 12votos
1o. Diácono : Justino Figueiredo 8votos
2o. Diácono : José Pereira Acioli 13votos
Arquiteto : Luiz Lucariny 11votos
Cobridor : Afonso de Melo 11votos
P. Espada : Félix Belo de Oliveira 13votos
P. Estandarte : Francisco Porto 14votos
Orador Adjunto : Joaquim Goulart de Andrade 10votos
Secrt. Adjunto : Horácio Jucá 8votos
Tes. Adjunto : Joaquim Cardoso 8votos

SUPORTE HISTÓRICO:
O Te. Cel. Joaquim José de Araújo Lima Rocha, dirigiu a Intendência Municipal de 1894 até 7 de Janeiro de 1897.
Clarêncio da Silva Jucá (1897-1899) tomou posse a 7 de Janeiro de 1897.
O Farmacêitico Antonio José Duarte, de 1899-1901.
_______________

Balaústre em 15.02.1898

Representante: Lourenço da Rocha
Deputado: José Moutinho dos Santos

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo 17votos
1o. Vigilante : Firmino Aquino Vasconcelos 16votos
2o. Vigilante : Pedro Soares de Albuquerque 17votos
Orador : Antonio Scipião da Silva Jucá 17votos
Secretário : Leopoldo Amorim 17votos
Tesoureiro : Bernardo Pereira do Carmo 10votos
Chanceler : Justino Figueiredo 16votos
Hospitaleiro : Firmino Theotonio da Morada 16votos
1o. Experto : Manoel Rodrigues de Oliveira Lima 16votos
2o. Experto : José Bento de Carvalho 16votos
3o. Experto : Fernando Borguesi 16votos
M. Cerimônias : Horácio A. Guerra Jucá 16votos
Adjunto : Melchiades G. Ribeiro 16votos
1o. Diácono : Pedro Lobão 16votos
2o. Diácono : Luiz Lessa 16votos
Arquiteto : Luiz Lucariny 16votos
Cobridor : Afonso de Albuquerque Melo 16votos
P. Espada : José de Araújo Cardoso 16votos
M. Banquete : Gabriel Elísio Teixeira 16votos
Orador Adjunto : Juvenal Augusto Pereira da Costa 16votos
Secrt. Adjunto : Domingos Nunes Leite 16votos
Tes. Adjunto : José Domingos Lordsleen 16votos
P. Espada : Augusto de Almeida 16votos
O Irmão Domingos Leite pede dispensa do cargo de Adjunto de Secretário, no que foi atendido.
É aclamado Adjunto de Secretário o Irmão Ricardo Júlio da Costa, que agradecido aceitou aceitar o referido cargo.

Balaústre em 22.03.1898:
Comissão Central : Pedro Lobão
: Pedro Soares de Albuquerque
: José Cardoso

Comissão Finanças : Bernardo Pereira do Carmo
: Juvenal Costa
: José Cardoso

Comissão Benefic. : Firmino Morado
: Manoel Rodrigues de Oliveira Lima
: José Bento de carvalho
_____________

Ano Maçônico de 1o. Junho de 1899a 31 de Maio de 1900

Balaústre em 14.04.1899

Representante: João Montenegro Virgier, 21o. – da Loja Amizade e Fraternidade, ao Oriente do Rio. 19 votos
Deputado: José Alves Coelho, da mesma Loja e Oriente.19 votos

Balaústre em 19.04.1899:

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo
1o. Vigilante : Pedro Soares
2o. Vigilante : Manoel Rodrigues O. Lima
Orador : Antonio Scipião da Silva Jucá
Adjunto : Juvenal Costa, substituído por Virgílio Ant. Carvalho
Secretário : Silvério Costa
Adjunto : Antonio de Souza Almeida
Tesoureiro : Bernardo Pereira do Carmo
Adjunto : Cândido de Almeida Botelho, subst. por Joaquim C. Santos
M. Cerimônias : Luiz Lavenere Wanderley, substit. Ant. Duarte Muniz
Adjunto : Manoel Izidoro da C. Ramires

1o. Experto : Manoel Pantaleão B. Montenegro
2o. Experto : Antero F. Medeiros
3o. Experto : Azarias de carvalho Gama
1o. Diácono : Pedro Lobão
2o. Diácono : Vicente Cerqueira
P. Espada : Joaquim Barral
P. Estandarte : Alípio Pereira Leite
Arquiteto : Afonso J. Albuquerque Melo
Chanceler : Manoel Joaquim Ramalho
Hospitaleiro : Manoel Torquato Cabral
M. Banquete : Carlos de Melo Lins
Cobridor : Joaquim Cordeiro Zagalo

Comissão Central: Miguel Omena, Virgílio Antonino de carvalho e José Novaes
Comissão Finanças: Melchiades G. Ribeiro, Manoel Pantaleão e Bernardo P. Carmo
Comissão Beneficência: Candido Botelho, Manoel Rodrigues O. Lima e Torquato Cabral.
___________

Balaústre em 14.05.1900, Exercício 1900 – 1901

Representante: Joaquim Bernardino Pinto Machado Júnior
Deputado: José Alves Coelho

Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo
1o. Vigilante : Manoel Pantaleão Bezerra Montenegro
2o. Vigilante : Antonio Muniz, substit. Por Melchiades Gomes Ribeiro
Orador : Virgílio Antonino de carvalho, substit. Por Silvério Costa
Adjunto : Silvério Costa, substit. Por Antonio Cândido Vieira
Secretário : Manoel Torquato Cabral, substit. Por Alfredo Odilon
Adjunto : Vicente Cerqueira, substit. Por Antonio Souza Almeida
Tesoureiro : Bernardo Pereira do Carmo
Adjunto : Alípio Pereira Leite
1o. Experto : José Pereira Alb. Silva
2o. Experto : Manoel Dias Souto
3o. Experto : Manoel Pinto do Amaral Lisboa
1o. Diácono : Antonio de Souza Almeida, substit. Por Francisco Santos Porto
2o. Diácono : Manoel Lopes Ferreira, substit. Por Teodomiro A. Correia
M. Cerimônias : Hermes Cavalcante, substit. Por Joaquim Cordeiro Zagallo
Adjunto : Joaquim Cordeiro Zagallo, substit. Por José Mariano de Brito
P. Espada : Carlos Lins, substit. Por Semeão de Oliveira e Silva
P. Estandarte : João Dias Souto
Arquiteto : Afonso Albuquerque Mello
Chanceler : Joaquim Ribeiro de Aboim
Hospitaleiro : Francisco Almeida
M. Banquete : Joaquim Barral
Cobridor : João Gualberto M. de Mello Rocha

Com. Central : Antonio Candido Vieira, Alfredo Odilon, Silvério Coelho.
Com. Finanças : Bernardo Pereira do Carmo, Candido Almeida Botelho e Melchiades Gomes Ribeiro
Com. Beneficência : Francisco Almeida, Semeão O. Silva e João Gualberto Melo Rocha.
_______________

Balaústre em 15.05.1901 Exercício 1901 – 1902

Representante: Joaquim Bernardo Pinto Machado Júnior, 30o.
Deputado: José Alves Coelho, 30o. da Loja Amizade e Fraternidade


Venerável : Tibúrcio Valeriano de Araújo 22 votos
1o. Vigilante : Manoel Pantaleão B. Montenegro 14 votos
2o. Vigilante : Antonio Duarte Muniz 12 votos
Orador : Silvério Pereira da Costa 21 votos
Adjunto : Dr. Miguel Omena 22 votos
Secretário : Alfredo Odilon 22 votos
Adjunto : Abdias Nogueira 13 votos
Tesoureiro : Pedro Soares Albuquerque 13 votos
Adjunto : Semeão O. Oliveira 13 votos
1o. Experto : Alfredo Farias (aclamação)
2o. Experto : José Marianno Brito
3o. Experto : Alípio Pereira Leite
1o. Diácono : Francisco S. Porto
2o. Diácono : Teodomiro A. Correia
M. Cerimônias : Fernando A.Pinto
Adjunto : José A. Cardoso
P. Espada : Antonio A. Amorim
P. Estandarte : Antonio Bulhões Costa
Arquiteto : João Gualberto M. M. Rocha
Chanceler : Afonso A. Melo
Hospitaleiro : Joaquim Cordeiro Santos
M. Banquete : Joaquim Barral
Cobridor : Francisco Almeida

Balaústre em 03.07.1901:

Com. Finanças : Pedro Soares de Albuquerque
: Antonio de Souza Almeida
: Melchiades Gomes Ribeiro

Com. Beneficência : Cândido de Almeida Botelho
: João G. Marinho de Melo Rocha
: Joaquim Cordeiro dos Santos

Com. Central : Dr. José de Almeida Novaes
: Dr. Alfredo Odilon Silvério Coelho
: Dr. Miguel Wenceslau de Omena




Ver continuação no volume II

Introdução

O pensamento faz a grandeza do homem, expressa por suas realizações pretéritas, e se faz presente revelando a identidade e o perfil do cidadão que procura emprestar seu esforço para o bem da sociedade.
O passado do verdadeiro Maçom, mais do que um testemunho dos feitos do homem, trata-se da expressão de um ideário. A seqüência das mensagens, pinçadas do relógio do tempo, revela uma trajetória profissional enriquecida por missões diferentes, cada uma a explicar um ciclo de trabalho a serviço de causas que são recorrentes da vida nas Lojas maçônicas: a Pátria e a Cidadania, a Justiça e o Direito, a Liberdade e a Democracia.
Entre os fios que unem a tessitura do pensamento maçônico, a coerência é um dos mais fortes. Ao correr das homenagens expostas, nas homenagens, orações, saudações e artigos, a biografia se acha larga e monocromática na defesa do pensamento democrático.
Como convém às lides maçônicas, na defesa da tessitura social, a lâmina da acusação fere, com propriedade e destemor, jamais sem educação, o tecido roto das instituições, a couraça encorpada e quase impermeável de uma cultura endemicamente corrupta que tolhe o sistema político e a administração pública impedindo seus avanços no caminho da modernização.
O fio da amizade também costura passagens da vida, a demonstrar que a generosidade é um dos esteios da grandeza humana. Nesse sentido, este trabalho não deixa de ser um hino à magnanimidade: “A amizade mais sólida é aquela entre os iguais”, escreveu Cúrcio Rufo, há quase dois mil anos. O reconhecimento à valores inerentes à civilidade humana, como a dignidade, a respeitabilidade, a proficiência no desempenho do cargo, a honestidade, o zelo, o cumprimento do dever, o respeito à ordem e à justiça, entre outros, emoldura a galeria de amizades sólidas construídas ao longo da vida, dentro das quais as figuras proeminentes, na posse ou na despedida de seus cargos, recebam as devidas homenagens.

Introdução

O pensamento faz a grandeza do homem, expressa por suas realizações pretéritas, e se faz presente revelando a identidade e o perfil do cidadão que procura emprestar seu esforço para o bem da sociedade.
O passado do verdadeiro Maçom, mais do que um testemunho dos feitos do homem, trata-se da expressão de um ideário. A seqüência das mensagens, pinçadas do relógio do tempo, revela uma trajetória profissional enriquecida por missões diferentes, cada uma a explicar um ciclo de trabalho a serviço de causas que são recorrentes da vida nas Lojas maçônicas: a Pátria e a Cidadania, a Justiça e o Direito, a Liberdade e a Democracia.
Entre os fios que unem a tessitura do pensamento maçônico, a coerência é um dos mais fortes. Ao correr das homenagens expostas, nas homenagens, orações, saudações e artigos, a biografia se acha larga e monocromática na defesa do pensamento democrático.
Como convém às lides maçônicas, na defesa da tessitura social, a lâmina da acusação fere, com propriedade e destemor, jamais sem educação, o tecido roto das instituições, a couraça encorpada e quase impermeável de uma cultura endemicamente corrupta que tolhe o sistema político e a administração pública impedindo seus avanços no caminho da modernização.
O fio da amizade também costura passagens da vida, a demonstrar que a generosidade é um dos esteios da grandeza humana. Nesse sentido, este trabalho não deixa de ser um hino à magnanimidade: “A amizade mais sólida é aquela entre os iguais”, escreveu Cúrcio Rufo, há quase dois mil anos. O reconhecimento à valores inerentes à civilidade humana, como a dignidade, a respeitabilidade, a proficiência no desempenho do cargo, a honestidade, o zelo, o cumprimento do dever, o respeito à ordem e à justiça, entre outros, emoldura a galeria de amizades sólidas construídas ao longo da vida, dentro das quais as figuras proeminentes, na posse ou na despedida de seus cargos, recebam as devidas homenagens.

ANTONINOS DA VIRTUDE E BONDADE Parte I

PRÓLOGO

ANTONINO – Cognome honorífico de vários imperadores romanos, por se haver tornado símbolo de virtude e bondade, graças ao excelente governo dos dois portadores do nome, Tito Aurélio Fúlvio Antonino, 86 – 161 e Marco Aurélio Antonino, 138 – 180.

Antonino, Tito Aurélio Fúlvio, nasceu em Lanuvio, em 86; morreu em 161. Foi cônsul e, depois, procônsul, na Ásia.
Adotado por Adriano, seu reinado foi de tranqüilidade. Diminuiu os impostos, suavizou a situação dos escravos, tolerou os cristãos, criou estabelecimentos de caridade para os órfãos, efetuou reformas, e fez-se notar por sua moderação, por sua justiça.

O GOGÓ DA EMA

Maceió, a pequena capital de Alagoas, tem, como atração natural, o mar. O visitante, ao avistar suas belas praias, emolduradas por vastos coqueirais, - já foram mais numerosos – e as águas que aqui chegam em sucessivas ondas, revestindo-se com cores deslumbrantes, que vão do verde esmeralda ao azul escuro, quedava-se extasiado.
De Maceió a Piassabuçu há belas praias, lagoas e rios, que lhe emprestam o apelido de “Paraíso das Águas”.
Pajussara, Ponta Verde e Jatiúca. Hoje, elas estão no centro da cidade, sendo as mais freqüentadas. Mas há apenas poucos anos, não era assim.
Os poucos turistas que aqui chegavam tinham por “dever” fazer uma visita ao coqueiro mais famoso do Brasil, o “Gogó da Ema”, que recebeu tal nome devido ao seu peculiar formato; por um capricho da natureza, lembrava o pescoço daquela ave. Saíam da cidade, que naquela época terminava na altura da Pajussara, e dirigiam-se em carros de aluguel para a praia de Ponta Verde, onde os esperavam quatro curiosidades: o velho farol, os arrecifes que se prolongavam até a praia e na maré seca revelavam aos mais atirados soberbas piscinas naturais; o poço de petróleo mandado selar com cimento por Mr. Link, sob a alegação de que em Alagoas não havia petróleo, e a fantástica obra da natureza: o Gogó da Ema.
Fascinados pelo encanto do lugar, as pessoas se deixavam ali ficar durante horas, aproveitando para fazer fotos da palmácea que corriam o Brasil inteiro, podendo ser encontradas em todos os aeroportos do País.
Relaxadas sobre a areia, as sereias enlangueciam-se sob o amoroso convite do farfalhar das palhas ao vento, e quedavam-se hipnotizadas pela paisagem lagunar.
Tudo, hoje, está mudado. E para pior. O Gogó da Ema já não existe. E o velho farol, coitado! Isolado, sem o seu fiel companheiro e atolado em imundície, permanece, ainda, como um espectro do passado, a recordar antigos esplendores.
Foram sacrificados em nome do progresso, que se apresentou sob a forma de um clube que avança sobre os arrecifes, a tudo descaracterizando e empobrecendo. Os coqueirais cederam espaço para os edifícios residenciais e hotéis de luxo, arranha-céus que disputam entre si o lugar, gadanhando os ares...
A natureza cedeu o lugar para calçadões e restaurantes, e a lua intimidada cedeu o ofício para os modernos holofotes.
As águas e as praias são, cada vez mais, contaminadas pelos esgotos dos belos edifícios, e torna-se um risco expor-se ao contato.
Ao homem simples, amante da Ordem natural, restou pouco. Se é que alguma coisa restou...

MarCanto – CAD 80147
Loja VB, em 2.09.2009.

EXPOSIÇÃO FILATÉLICA

A exposição filatélica é em evento muito estimulante para a Maçonaria. Os frequentadores ali encontram selos que evocam os temas e símbolos que lhes são caros, despertando maior entusiasmo pela Instituição.
Muitas vezes, já fiz a mim mesmo esta pergunta. E todas as vezes, fico a pensar nas inúmeras vezes que o colecionismo de selos vem me trazer uma nova informação, ou um aspecto não esperado de encarar o assunto.
A Filatelia, arte de colecionar selos, surgiu no século dezenove com as primeiras emissões de selos da Inglaterra, mais precisamente a 6 de Maio de 1840, quando o correio inglês lançou o primeiro selo postal, que ficaria mundialmente conhecido como o black penny.
Unidas por um século e meio de tradição, a Filatelia e a moderna Maçonaria constituem duas preciosas fontes de inspiração para se aprimorar a permanente preocupação humana com a melhoria das condições de vida, visando à superação de situações desfavoráveis e uma convivência sadia e fraterna entre todos.
Considerado elemento de doutrina cultural e um passatempo da maior evidência na atualidade, é capaz de elevar o nível de conhecimento universal. O colecionismo filatélico vai muito além do que possuir somente as figuras filatélicas. Há muito de cultural na formação de uma coleção, seja como for.
A exposição passa a ser olhada com um sentido diferente, quase como motivo de estudo, querendo surpreender uma informação considerada insuficiente.
Os que se dedicam ao estudo minucioso encontram ali informações não raro importantes e que completam e dão contorno ao conjunto.
Todos os métodos de colecionar selos devem ser acatados e respeitados, desde que se enquadrem ao princípio básico – o “HOBBY”.
Histórica, filosófica e científicamente é esta a razão da existência dos vários modos de colecionação da tarja postal.

Que é arbítrio?

ENCICL. Arbítrio, s. m. – Lat. arbitrium. Deliberação dependente da vontade da pessoa que resolve; alvedrio; opinião, voto; Julgamento de Juizes; meio, alvitre.

Em filosofia, Livre Arbítrio. Faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta. Em virtude do livre arbítrio, pode o homem, entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer com que a mesma prevaleça sobre as outras. É problema fundamental de filosofia ética e psicológica; tem dado origem às mais contraditórias concepções no que se relaciona com o procedimento humano, com o princípio de obrigação, com a responsabilidade, com a satisfação, com o Direito, com a sanção etc. Platão e Sócrates classificaram o livre arbítrio como o poder de querer bem fazer, acrescentando que, deste poder, nós somos muitas vezes privados pelas nossas paixões.

A cadeia de causas e efeitos não é uma repetição monótona. Há um influxo contínuo de causas novas e originais. Involução e Evolução em si mesmas são insuficientes: porém, completadas com a Epigênese, formam uma perfeita tríade, que proporciona também uma explicação completa.

Pouco a pouco, conforme aprendemos que somos os causadores de nossas tristezas e alegrias, vamos também aprendendo a necessidade de ordenar nossas vidas em harmonia com as leis divinas, e dessa maneira nos elevamos sobre as leis do mundo físico. Esta é a chave da emancipação. Como disse Goethe: “De todos os poderes que encadeiam o mundo o homem se liberta quando adquire o domínio de si mesmo”.

AMADÍSSIMOS IRMÃOS – III

Para ilustrar este trabalho, demoramos nossas vistas sobre as seguintes questões: “Que é Vontade?”, e “Que é raciocínio?”

Que é a Vontade?

Segundo o verbete da Enciclopédia Brasileira Mérito: Vontade, s. f. – Lat. Voluntas. Desejo, intenção, deliberação; pretensão; determinação; faculdade de praticar ou deixar de praticar algum ato; faculdade de querer; espírito, ânimo, veleidade, capricho, fantasia; mando, poder, arbítrio; prazer, gosto; disposição voluntária, talento, espontaneidade; propensão natural, apetite; interesse, empenho, desvelo, dedicação, zelo; necessidade física ou moral.

Em Filosofia, empregam-se três acepções principais da palavra vontade: psicologicamente, como um conjunto de fenômenos psíquisicos ou também como uma faculdade, cujo caráter principal consiste na tendência; eticamente, como uma atitude ou disposição moral para fazer algo; metafisicamente, como uma atitude a que se atribui absoluta subsistência e que se converte por isto em um substrato de todos os fenômenos. Todavia o vocábulo adquiriu diferentes conotações, através dos tempos, de acordo com os diversos sistemas filosóficos. Desempenhou, por exemplo, um papel fundamental nas doutrinas de Schopenhauer e Nietzche. Para o primeiro, a vontade constitui o verdadeiro em si e representa o fundo último do real. Para o segundo, ela é a vontade de potência e constitui a base da nova escala de valores proposta pelo filósofo.

Em psicologia, a vontade constitui a forma de atividade individual que é uma ação na plena acepção do termo; intervindo a vontade, agimos com razões e por meio de razões, não meramente impelidos por solicitações perceptivas, que desencadeiam movimentos graças aos automatismos da hereditariedade e do hábito. Um movimento que se execute por vontade não é feito em nós, quem o fazemos somos nós. A vontade está ligada estritamente ao pensamento racional, ao conhecimento por causas.

Vejamos agora o que a respeito da vontade nos ensina a luz que nos veio da velha e misteriosa Índia, a Mensagem do Mestre, o BRAGAVAD GITÂ.

CAPÍTULO XVIII

A Libertação pela Renúncia

ARJUNA (o homem no estado evolutivo):
1. Quisera, ó Abençoado Senhor, conhecer em que consiste realmente a abstenção e renúncia.
KRISHNA (O Homem-Deus, o nosso Ego Superior):
2. Os exegetas as entendem por abster-nos dos atos dimanantes do desejo, e a renúncia dos frutos de todas as ações.
33. Pura é a vontade que por meio da ação refreia a fogosidade da mente, dos sentidos e dos alentos vitais.
34. Passional é a vontade que leva o homem ao cumprimento de seus deveres, com o desejo de colher o fruto das ações e desfrutar de riquezas e prazeres.
35. Tenebrosa é a Vontade que mantém o homem submerso na preguiça, no tédio, na tristeza, no abatimento e na vaidade.

Muito ainda se poderia dizer sobre a Vontade. Os estudiosos cabalistas ensinam que no primeiro momento da manifestação, a vontade do Absoluto é indicada por um ponto de luz sem dimensões que é projetado do véu da Existência Negativa. A grande Tríade de forças passivas e ativas (Poder – Sabedoria – Atividade), mediada pela Vontade e Consciência de Deus, mantém o balanço cósmico do Universo em equilíbrio.

FALANDO DE LANDMARQUES I

As propriedades rurais se separam umas das outras por linhas, que se denominam – linhas divisórias, ou simplesmente “divisas”, que podem ser naturais e artificiais.

As linhas naturais, na separação de terras, passam por quaisquer acidentes topográficos, capazes de indicar uma direção. Constituem as linhas artificiais as linhas ideais, passando por pontos assinalados no terreno, que se denominam “marcos”. Em inglês, landmarks (landmarques).
***

Os vestígios das sociedades iniciáticas ultrapassam a história e se confundem com os mitos dos povos. Nos livros sagrados, nos textos antigos e na tradição oral ou escrita, encontram-se referências à instruções, ritos e práticas que muito se assemelham às usadas hoje em Maçonaria. Estas sociedades, geralmente de cunho ocultista, esotéricas, diferenciavam-se nisto, das sociedades laicas. E os pontos que assinalam essas diferenças foram sempre, através das épocas, resguardados com muito carinho. Eram suas “marcas” ou marcos característicos. Havia, porém, pontos que guardavam semelhança com as ordens religiosas.

Diz-nos o Rev. George Oliver, em Dicionary of Simbolic Masonry:”A respeito das marcas da Maçonaria, alguns se limitam aos sinais, toques e palavras. Outros incluem a cerimônia de iniciação e exaltação; os ornamentos, móveis e jóias da Loja, os seus símbolos característicos. Alguns opinam que a Ordem, não tem outras marcas, além de seus peculiares segredos”.

Já J. Q. A. Fellows, em Proceedings of G. L. of LA, 1889: ”A crença em Deus, nosso Pai; na imortalidade da alma; na fraternidade humana; a necessária prática de todas as virtude cívicas e morais; nossos deveres para com Deus, com a Pátria, com o próximo e conosco mesmo. Estes princípio universalmente conquistados são, a nosso entender, a marca da Ordem”.

***

O instrumento de toda informação humana é a mente culta iluminada pela revelação. O passado e o presente estão unidos por um fio que corre através das gerações. Tudo aquilo que foi conhecido uma vez permanece vivo e pode ser invocado por um indivíduo para se tornar em propriedade comum de sua época. Nossa tradição é baseada numa revelação sempre renovada e codificada no decorrer das idades por escolas filosóficas do mundo inteiro, e foi preservada, sobretudo, entre os cabalistas hebreus e os gnósticos da Igreja cristã.

Passagens da Bíblia mencionam as graças divinas no caminho reto em direção à luz, assinalado por “marcos”. Em Jeremias, encontramos:

“Assim diz o Senhor: ponde-vos à margem no caminho e vede: perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas” (VI, 16).

“Põe-te marcos, finca postes que te guiem, presta atenção na vereda, no caminho por onde passaste” (XXXI, 21).

A linguagem esotérica garantia a proteção dos segredos da Ordem ante os desconhecidos, a menos que respondessem às palavras secretas, de passe, ensinadas no adito reservado ao Ritual conveniente, tal como nos ensina São Paulo: “Conheço a um homem em Cristo que, quatorze anos há, foi arrebatado ao paraíso, e que ouviu lá palavras secretas, que não é permitido a um homem referir” (Coríntios II, Cap. XII, 2 e 4).

O sigilo serviu sempre como prova psicológica aos novos discípulos que teriam que superar suas contradições, dúvidas, ansiedades e temores íntimos, para estarem em perfeitas condições de assimilar os conhecimentos.

Antes como agora, era importante o despertar da consciência para uma realidade muito mais sublime à que se vivia, fazendo com que o homem viabilizasse o pleno uso de todas as suas faculdades físico-espirituais. Tarefa que até hoje não se conseguiu cumprir, tão ambiciosa que é.
____________________________
FONTES: Edmundo Cardillo, “Aspectos novos de velhos temas”, Saraiva, 1950.
Constituição do GOB, de 1977.
Perboyre Vasconcelos, “A Volta ao Mito”, Landes, 1970.
A Bíblia Sagrada.
Paul Le Cour, “O Evangelho Esotérico de São João”, Pensamento, 1980.

MarCanto

DESPRENDIMENTO E TOLERÂNCIA

“Da luz depósito augusto
Recatando a hipocrisia
Guarda em si com zelo santo
A pura Maçonaria”.

Em Maçonaria, a palavra landmarque designa os usos, práticas e tradições, que se consideram princípios fundamentais da Instituição. Os landmarques delimitam o que é Maçonaria e o que não é Maçonaria. Os tratadistas maçônicos não são conformes entre si quanto ao número e grandeza dos landmarques. Há, por isso, várias classificações ou codificações, sendo a mais conhecida a de Albert G. Mackey, que foi a primeira, em 1858 (Cayru). Em seu artigo XXII lemos o seguinte: “A igualdade de todos os maçons em Loja, é outro landmarque da Maçonaria, ainda que esta igualdade não subverta as categorias instituídas pelos usos e costumes da Ordem... Quando, encerrados os trabalhos em Loja, saem os Irmãos de seu aprazível retiro para misturar-se mais uma vez ao mundo profano, cada um reassume sua posição social e goza dos privilégios da categoria assinalada pelos costumes sociais”.

O verdadeiro Maçom é desinteressado. Chega ao objetivo porque o seu dever é atingi-lo. Não vai por um triunfo pessoal; não procura nem a sua vantagem particular, nem a sua própria glória. E porque o Maçom trabalha para o bem alheio e não para si, representa o bem comum.

Seus princípios são: tolerância, respeito mútuo e liberdade absoluta de consciência (Cayru).

Se representante e idealizador do interesse geral, não deve procurar nem a sua vantagem particular, nem a sua própria glória. Vai até ao fim porque é seu dever atingi-lo, não vai pelo seu sucesso pessoal. Não lhe movem as decisões nem o interesse, nem o orgulho; o verdadeiro Maçom é desinteressado. A partir do momento em que se procurasse a si mesmo, sob esta ou aquela forma, tornar-se-ia infiel à sua missão.

Diz ainda Cayru, em seu precioso livrinho, que “o Maçom tem por dever, em qualquer circunstância, ajudar e proteger o seu Irmão, mesmo com risco da própria vida, defendendo-o contra a injustiça”.

Sem dúvida, é lógico que, ao assumir mais responsabilidades, o dirigente Maçom disponha de todos os meios que lhe permitam bem cumprir a sua missão: ter uma posição, estar revestido de autoridade e defender o seu prestígio. Galões, estrelas, homenagens, títulos, tudo é legítimo, como expressão de dignidade, atributo e conseqüência normal, do cargo aceito. “Honor onus, sed etiam oneri bonor”.

Contrariamente, tudo isto pode se tornar perigoso quando forem estas vantagens a razão de ser e o fim principal da atividade do Maçom. Porque todo aquele que se deixa dominar pelo seu interesse particular, perde, pouco a pouco, o gosto do interesse geral, ou aglutina-o ao seu interesse próprio; porta aberta a todas estas fraquezas se um dia o interesse particular - e o caso não é quimérico – não coincide exatamente com o bem geral.

O dinheiro, por exemplo, é um bom servo, mas um mal senhor. Quando um homem se deixa dominar pela cobiça, está num plano inclinado bem escorregadio que pode levá-lo às mais altas traições da consciência e da honra. Perde então o direito de se intitular Maçom.

A ambição pode ser, algumas vezes, um estímulo para um esforço, para superar-se. É legítima e sã quando tenha por finalidade servir melhor. É perigosa quando se limita a uma sede de domínio – “libido dominandi” – dizem os melhores moralistas, o que se traduz em tirania propriamente dita. Mandar é servir, e não, servir-se.

Vejamos a este respeito algumas máximas (Cayru):

Máximas recomendadas

Não faças a outrem o que não queres que te façam.

Cumpre o teu dever, aconteça o que acontecer.

A tolerância não vai a ponto de proteger atos imorais.

Pratica o auxílio aos fracos, a justiça a todos, a dedicação à Pátria e á família e a dignidade para contigo.

Desprendimento, qualidade rara, talvez, mas qualidade tanto mais nobre, quanto melhor revela o puro metal, sem mistura, em que é forjada a alma do verdadeiro Maçom.
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FONTES DE CONSULTA:

O APRENDIZ –MAÇOM, Henrique Valadares (Cayru), Ed. Grande Oriente do Brasil, Estante Maçônica, vol. I, 1966 E.’. V.’.

ESCOLA DE CHEFES, G. Courtois, Livr. SamPedro, Lisboa.

Trabalho apresentado em 11.06.1992.

UM CONCEITO DE MAÇONARIA

No plano ideal, a espiritualidade maçônica é universal e não pode ser identificada com a espiritualidade particular de uma religião. Os princípios éticos maçônicos se referem ao homem enquanto homem, ou seja, o ser enquanto ser, isto é, ontológico, e são, por conseguinte, a expressão de uma antropologia maçônica como alternativa das outras.

A singularidade da relação entre a Maçonaria e a religião, aparece clara e nitidamente, quando se intenta estabelecer uma comparação direta entre as noções fundamentais da antropologia maçônica e, por exemplo, as noções fundamentais da antropologia cristã. Como é sabido, a antropologia maçônica pode reduzir-se a cinco pontos seguintes: LIBERDADE, TOLERÂNCIA, FRATERNIDADE, TRANSCENDÊNCIA E SEGREDO INICIÁTICO. Enquanto a antropologia cristã está reduzida a três conceitos: fraternidade, transcendência – no sentido do Ser Supremo e salvação. O número de conceitos não é significativo, o valor destes conceitos é que precisam ser significados e aprofundados. É fácil ver a natureza dos conceitos maçônicos exclusivamente funcionais, voltados para a vida terrena, do homem, e o de transcendência, considerado como centro de inspiração para a vida ética, corroborado e complementado com o segredo iniciático. Nos três elementos da antropologia cristã, aparecem em função à salvação do homem: a fraternidade, concebida como liberdade, e tida como a faculdade do homem, em decidir a favor ou contra o oferecimento da salvação que Deus faz aos mortais; e mesmo a salvação, é prenunciada pela liberdade que o homem tem, em escolher entre o bem e o mal, do que resulta a intervenção de Deus, transcendente, real e pessoal, na história dos homens.

Não basta o compromisso ético: faz falta a ajuda determinante de Deus, através de sua Graça. Daqui se deriva a função dos sacramentos como signos eficazes da Graça divina.
O Maçom vê no Grande Arquiteto do Universo, um ideal regulador ao qual submete sua própria atividade ética. A prática dos sacramentos tem um sentido particular para o cristão, por tratar-se de signos eficazes de graças, por meio das quais, se põe em manifesto a intervenção real de Deus.

A idéia da perfeição maçônica está ligada a um ideal de melhoria do homem, do ponto de vista ético, pois entende que sem ela não pode haver melhora social, limitada ao campo das possibilidades humanas. Motivo pelo qual, a perfeição cristã não coincide com a maçônica.

A religião fala de salvação e a Maçonaria, simplesmente, de aperfeiçoamento do homem.

Se para a Maçonaria, a iniciação é a modalidade na qual se realiza o aperfeiçoamento ético do homem, o ritual é o instrumento pedagógico que conduz o iniciando, de maneira gradual e contínua, ao referido aperfeiçoamento. O ritual ensina a desbastar a pedra bruta, tendo, pois, uma importância fundamental, dele não se permitindo quaisquer dúvidas ou mal-entendidos e ambigüidades.

O sentido original, arcano, da religiosidade, acima de instituições e estruturas, identifica-se com o exercício da mais profunda arte-ciência de viver. Cada um de nós, como artista da vida, é um “estranho”, que se torna “solitário” pela sua maneira particular, intransferível, de praticar os três sentidos universais : Fé, Esperança e Caridade.

É salvaguardado o direito de cada Maçom, a expressar seus conteúdos religiosos, como também confirmar o caráter verdadeiramente universal desta fantástica escola do conhecimento: a Maçonaria.

AMADÍSSIMOS IRMÃOS – II

Para ser iniciado Maçom, o candidato aceita a prevalência do espírito sobre a matéria, reconhecendo a atividade criadora do Grande Arquiteto do Universo. E ao ser admitido em nossa Ordem, promete se dedicar ao estudo do Ritual para que, aprendendo a desenvolver a visão interior, consiga remover os Véus de Ísis, um a um, até apreender o que efetivamente ocorre no desenvolvimento de uma cerimônia maçônica.

Em seus estudos e pesquisas o Iniciado Maçom deve envidar todos os esforços para evitar envolver-se em preceitos preestabelecidos e fórmulas e fórmulas de conhecimento demasiado racional-materialista. Para tanto deve precaver-se contra a vaidade e a ostentação material, liberando, porém, o sentimento e a intuição, como fazem os poetas. Acontecerá então com a Alma do Iniciado tal como as folhas, no dizer de Horácio:

Assim como a floresta perde as folhas,
Quando declina o ano, assim a idade
Das palavras acaba; outras sucedem,
Que nascidas apenas, já florescem
Em bela mocidade e tomam força.

Nós os maçons, sabemos que em qualquer parte do Universo desenrola-se todos os dias, o “Drama da Vida e da Morte”, a emanação das mônadas divinas, que emigram umas, enquanto imigram outras, de volta para as delícias do Jardim Celestial.

E, se nos aplicarmos com afinco e desprendimento ao estudo, talvez um dia possamos, como Augusto dos Anjos, dizer:

Sou uma sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva do caos telúrico, procedo
Da Escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias.

E, no cântico de humildade, teremos então aprendido o sentido da dimensão humana, o significado e a importância da nossa missão.

“Como as folhas somos;
que umas o vento as leva
emurchecidas,
Outras brotam vernais e as
cria a selva;
Tal nasce e tal acaba a gente
humana”.
Homero (Ilíada).

MarCanto
Ao Meio-Dia de 6 de agosto de 1992.

UMA ESCOLA DE SABEDORIA

A via que nos tem conduzido às concepções atuais concernentes ao Homem, ao Universo e a Deus, está longe de ser nova, uma vez que ela se relaciona com idéias ensinadas desde muito antes de Jesus Cristo. Muitos pesquisadores estão voltados para esta antiga filosofia dos patriarcas, dos iniciadores egípcios de Moisés, dos Gnósticos e dos Iluminados cristãos, dos Cátaros e dos Rosa-Cruz, sendo que tal filosofia jamais variou em seus postulados e ensinamentos.

Outra corrente dá preferência aos estudos das demais ciências, na tentativa de resolver as crises políticas, os fenômenos sociais e as questões econômicas. Tais preferências se prendem a uma questão de resolver as crises políticas e as equações econômicas. Tais preferências se prendem a uma questão de tendência, de formação cultural, de ambiente, de idealismo.

Acontece, porém, que a Maçonaria ao invés das causas imediatas perquire as causas remotas, e não divorcia a unidade humana das complicadas operações sociais. Por isso, a Maçonaria prefere trabalhar a unidade em vez da coletividade.

Todas as tentativas de aplicação de leis sociológicas a um conglomerado humano cujos elementos são desnivelados na Ação, no Sentimento e no Raciocínio (vale dizer, nos três elementos da Personalidade), oferecem-nos conclusões claras: ou se desentendem os governantes, os manejadores, ou se deturpam as potências maçônicas.

Aí está o exemplo, recente e atual: as leis impostas ao povo maçônico, e a dissidência entre os próceres. As leis emperram o progresso, mas não lhe consegue dar asas. Fanatizam as populações, mas não lhes libertam a consciência.


A Maçonaria dirige-se á unidade, ao homem; e visa a finalidade e a harmonia de números homogêneos, porque somente com estes poderá a Evolução contar, para a última soma, que será a redenção da humanidade.

O Gênero humano sai apenas de sua infância ou acaba de chegar agora mesmo á idade perigosa da adolescência. Cumpre se lhe prepare um destino, que não seja pela força ou violência, mas pela razão. Impõe-se o não involuir por necessidade de vãos cuidados administrativos.

O NOVO E O ANTIGO

Cada revelação nova é a continuação da antiga. O estudo de determinados acontecimentos, das invenções e descobertas insólitas, das tradições e, sobretudo, talvez, dos ensinamentos científicos dados nas escolas de iniciação, não permite duvidar-se de que, num passado desconhecido, tudo aquilo que conhecemos já tenha sido experimentado.

No seu livro “O Segredo de Hipócrates”, o sensato Anaxágoras diz a Hipócrates de Cós, herdeiro de Esculápio:

“Pois tudo é infinito e eterno, até a matéria, visto que por ela e nela são engendrados inúmeros mundos, coexistentes e sucessivos no espaço e no Tempo.

O conjunto da natureza não só é infinito como tudo o que o compõe é infinito em números e em dimensões.

É preciso que saibas, ó Hipócrates, que tudo está em tudo e a separação absoluta é de todo impossível, pois que existe em tudo uma parte de tudo.

Nada nasce ou desaparece; há apenas misturas e separações entre as coisas que existem, ou se preferem, para melhor compreenderes o meu silogismo, são apenas deslocações de substâncias particulares que produzem as transformações aparentes; a quantidade de cada elemento é incalculável e permanecerá para sempre no mundo, igual a si mesma”.

HÁ UMA FINALIDADE

HÁ UMA FINALIDADE,
UMA LEI NO UNIVERSO?

Se a inteligência existe no homem, deve encontrar-se nesse Universo, do qual faz parte. Essa inteligência se manifesta por leis, leis sábias e profundas, ordenadoras e conservadoras do Universo. Em todos os tempos e em todos os meios, se honra esse Espírito divino, sob diversas denominações: Deus, Providência, Grande Arquiteto, Ser Supremo, Pai Celeste. Sob todos esses nomes encontramos o Centro, a Lei, a Razão Universal, em que o mundo se conhece, se possui, concentra sua consciência e seu eu.

De um dos livros atribuídos a Hermes, intitulado “Discurso Universal de Hermes a Asclépios”, encontramos o seguinte pensamento:

“...É, pois, ó Asclépios, uma enorme maravilha o homem, um animal digno de respeito e adoração. Pois ele passa na natureza divina como se ele mesmo fosse Deus”.

A tarefa que cada um tem a realizar resume-se em três palavras: saber, crer, querer. Saber que existem em nós, recônditos e inatos, recursos incalculáveis; crer na eficiência de nossa ação sobre os dois mundos, o da Matéria e o do Espírito; querer o Bem, dirigindo o nosso pensamento para o que é belo e grandioso, conformando as nossas ações com as leis eternas do trabalho, da justiça e do amor.

Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. Na escala da vida, todas as Almas estão unidas por múltiplas relações. A solidariedade que as liga funda-se na identidade de sua natureza, na igualdade de seus sofrimentos através dos tempos, na similitude de seus destinos e seus fins.

Cada individualidade forma um anel da grande cadeia dos seres, o mundo inferior constantemente fecundado pelo mundo superior. Daí vêm todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas.

Numa capela da igreja de Orvieto, Signorelli pintou a vinda do Anticristo. Uma figura desce do céu e se parece com o Cristo, fazendo milagres como os Seus. As crianças reúnem-se em volta dele; os doentes são curados; os mortos são ressuscitados. O Cristo transforma água em vinho e conversa com os mortos.

Pois bem.

Quando se aproximava dos 40 anos, o poeta alemão Stefan George (1868-1933) escreveu a obra “O Sétimo Anel”, da qual reproduzimos o trecho de um poema:

“Vosso clamor, incitado pelo espetáculo
diabólico,
Destrói o que resta do líquido cristalino
que a benfazeja fonte trouxe.
Quando o fim chegar é a vossa necessidade
que primeiro se fará sentir.

Então haveis de freneticamente
lamber o fundo da nascente, que vai
secando.
Vagueareis longos e entontecidos como um
Rebanho à esmo, pelos pátios em chamas,
Enquanto soam as medonhas trombetas”.

AMADÍSSIMOS IRMÃOS - I

AMADÍSSIMOS IRMÃOS - I

Ingressar na Ordem Maçônica e quedar-se numa posição contemplativa, ou ficar à espera de que as coisas aconteçam, sem demonstrar um interesse maior, sem estudar o Ritual, a Filosofia, sem nada perguntar e sem nada procurar fazer, é tal como ir à praia e quedar-se na areia, ouvindo o barulho das ondas, até adormecer ao seu acalanto. E, no entanto, o exemplo está bem ali, salta aos olhos como a espuma, e preenche o espaço como a bruma.

O mar está em constante movimento. Abranda às vezes o seu ritmo, em outros momentos se encrespa e encapela, e arremete com vigor suas ondas contra a rocha viva, o penedo impassível, que em sua soberba indiferença, se acredita inamovível e inarredável.

Cego pelo orgulho de sua impotência, e orgulhoso de ver o mar oceano abater-se inutilmente a seus pés, o impressionante penedo não compreende que toda aquela impressionante alvura de branca areia que se derrama por toda a praia, um dia já foi rochedo. Rochedo como ele, e parte mesmo dele. E, se intui, não compreende, e se compreende, não admite.

E, no entanto, o penedo também tem ambições. Seu esperançoso olhar se estende e se alonga sobre a distante montanha, imponente e majestosa. E se consome em oníricos anelos, imaginando quão doces seriam as carícias das graciosas nuvens que voluteiam por sobre o seu dorso, roçando-se nas encostas e beijando-lhe o pico, para as demais criaturas, inatingível.

Assim, também, acontece com muitos Irmãos que, ingressos na Ordem, se quedam à espera de que a sabedoria maçônica venha ao seu encontro. Alguns assim procedem, rendidos à natural apatia do ser humano. Deixam-se ficar entregues à fraquezas tais como a timidez, medo do ridículo e falta de iniciativa. Outros ainda, por ignorar que ao saber torna-se necessário acrescentar a sabedoria, a forma como usar o conhecimento, ética e moralmente. Nem sempre, acumular saber assegura a posse da sabedoria.

“O passado só é compreensível para nós quando entrevisto à luz do presente: também, só conseguimos entender integralmente o presente buscando a luz do passado. Capacitar o homem a compreender a sociedade de épocas já vividas e ampliar o seu domínio sobre a atual, é a função dupla da História” (E. H. Carr).

Necessário se torna, pois, saber adotar um posicionamento crítico sobre o homem, as coisas e o mundo da Maçonaria, para saber analisá-lo sobre diferentes enfoques: político, religioso, cultural, moral e ético. E isso só é possível na medida em que o pesquisador (iniciado) se distancia da realidade, através da reflexão. Tarefa que reconhecemos não ser das mais fáceis, que demanda muita dedicação e leitura, já que o texto, ao lado da observação e da prática, é de fundamental importância. É necessário estudar a História da Maçonaria, para poder conhecê-la.

“Então os eleitos receberão a sabedoria, e não mais haverá transgressão, nem impiedade, nem orgulho; mas conduzir-se hão com prudência, humilhar-se-ão e não mais violarão os santos mandamentos” (Enoch, VI, II).

O indivíduo é, geralmente, levado a ingressar na Maçonaria, levado por uma premente necessidade de conhecer e compreender o perfil social do mundo maçônico, e sua relação consigo mesmo. No entanto, as pessoas só adquirem capacidade crítica por meio de um embasamento histórico e, portanto, o estudioso Maçom é aquele que depende de outros conhecimentos. Um Maçom desinformado não tem como apreciar a Maçonaria.

Glória ao Grande Arquiteto do Universo.
Meio-Dia de 10 de julho de 1992.

MEDITAÇÃO

MEDITAÇÃO

Há dois tipos de cruzes neste mundo: uma cruz material, e outra espiritual.

A cruz espiritual é aquele sagrado lenho, em que Cristo Salvador nos obrou os mistérios divinos da redenção do Gênero humano.

A cruz espiritual é a mortificação interior e exterior do corpo e alma, com que os verdadeiros cristãos, e particularmente os que professamos vida religiosa, crucificam suas paixões e apetites. Desta segunda cruz falava S. Paulo quando disse: que crucificaram sua carne com seus vícios e desordenados desejos. E da mesma cruz falou Cristo naquele desengano que deu a todos: Se alguém quiser vir após mim tome a sua cruz e siga-me.

FONTE: Sermão da Exaltação da Santa Cruz, pregado no convento da Anunciação, em Lisboa, no ano de 1645, pelo Padre Antônio Vieira.

PENSAMENTO: “O cristianismo poderia ser bom se alguém tentasse praticá-lo”.
George Bernard Shaw
1856 – 1950
dramaturgo irlandês

AO APRENDIZ

AO APRENDIZ

Ao ser iniciado em uma Loja Maçônica do REAA, o neófito recebe, para estudar e conhecer perfeitamente os seus deveres, um exemplar da Constituição do Grande Oriente do Brasil, o Regulamento Geral da Federação, a Constituição do Grande Oriente Estadual, o Regimento Interno da Loja, e o Ritual do Grau de Aprendiz.

Nesta primeira instrução ao Irmão Aprendiz, nos deteremos na apresentação do Ritual do 1o. Grau, não sem antes sustentar que o estudo dos demais volumes recebidos é fundamental e indispensável, como já foi dito.

O REAA dá muita ênfase à necessidade de estudo é à formação de seus prosélitos, e os chamados “interstícios”, entre os graus, estendem o curso para vários anos, até alcançar o Grau 30o. Para chegar ao Grau 33o. são mais alguns anos.

A instrução maçônica bem ministrada forma, mas não conduz o Maçom. Comecemos então pelo exame cuidadoso do nosso Ritual. Verificamos que o seu uso é disciplinado por um Decreto, de n. 0097, de 03 de março de 1998 E.’. V.’. que, “aprova e determina a aplicação do novo Ritual do Grau 1o. – Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito”.

Devemos portanto, seguir corretamente as orientações e os procedimentos que se encontram no Ritual, evitando interpretações pessoais e os “achismos”, que deturpam a Ritualística e desfiguram o Rito.

Isto posto, recomendamos ao Aprendiz sempre trazer consigo o seu Ritual, quando vier às Sessões Maçônicas, e não ter pejo de abri-lo para acompanhar o andamento ritualístico da mesma. Os pontos que lhe chamarem a atenção deverão ser esclarecidos pelo 1o. Vigilante, em consulta reservada.

CONTEMPLANDO O MAR

Nos últimos momentos do dia, quando a alma sensível se enche de tristeza e acabrunhamento, eu passeava pela praia, acompanhando a fímbria da água.
É a hora em que o Sol se deita sobre o mar. Seus raios de ouro, resvalando sobre as águas, acompanham os meus passos e procuram a minha direção, me aquecendo e confortando neste fim de tarde.
Na amplidão da praia, ouvia-se apenas o canto do mar, invadindo o nosso silêncio e estimulando o pensamento disperso.
Pensava na delicada e difícil tarefa que me fora indicada pelo Venerável Mestre: orientar os Aprendizes de minha Loja. Como buscar os meios de abrir, por entre as suas preocupações profanas, seus pesados deveres e suas imperiosas necessidades, um espaço, ainda que exíguo, para ali colocar a semente da instrução maçônica, os primeiros rudimentos da Real Arte?...
Como sucede a toda e qualquer boa semente, se cuidada com desvelo, germinará e será como está no primeiro canto do Livro:
“Bem - aventurado o homem
Que não anda no conselho dos ímpios,
Não se detém no caminho dos pecadores,
Nem se assenta na roda dos escarnecedores.

Antes o seu prazer está na lei do Senhor,
E na sua lei medita de dia e de noite.
Ele é como árvore
Plantada junto a corrente de águas,
Que, no devido tempo, dá o seu fruto,
E cuja folhagem não murcha;
E tudo quanto ele faz será bem sucedido”.

Mas, também pode suceder que, apesar da cuidadosa seleção, e de toda a experiência e cuidado do jardineiro, alguma semente ao germinar se revele imprópria, devendo ser excluída porque, como diz ainda o livro:

“Os ímpios não são assim:
São, porém, como a palha que o vento dispersa.
Por isso os perversos não prevalecerão no juízo,
Nem os pecadores na congregação dos justos.
Pois o Senhor conhece o caminho dos justos,
Mas o caminho dos ímpios perecerá”.

domingo, 6 de setembro de 2009

NOSSA SRA. DA BOA VIAGEM


Igreja de Nsa Sra da Boa Viagem em Marechal Deodoro-AL

Hoje é 9 de novembro, dia de Nossa Senhora da Boa Viagem. Em Marechal Deodoro, é dia de procissão. Aliás, desde o começo da semana começavam as festas, no meu tempo de criança.
Já às 3 horas da tarde, as freiras mandavam as crianças para a Igreja Nossa Senhora da Boa Viajem, para participar da procissão. Entre cerca de 500 havia em torno de 50 que eram pensionistas, em semi internato, e as restantes, órfãs.
Apenas as meninas mais atraentes. conduziam as bandeiras no desfile. Eu, infalivelmente, sempre estava entre estas, graças ao conhecimento de meu pai, com os padres. Porém, morria de vontade de me unir às demais órfãs. Havia entre elas meninas lindas, de agradável porte. Quando acontecia de saírem a passeio, as feiras mantinham sobre todas uma severa vigilância, alternando-se em cuidados, porque já naquele tempo temiam o rapto de meninas, que se destacavam pelo estudo e delicadas maneiras, dentre as demais da população. A diretora do orfanato, Mãe Nieta, era muito ciosa neste aspecto. Quando conseguia marcar um fim de semana nos Morros, o sítio de meu pai, a lancha bem manejada pelas mãos experientes de “seu” Mesquita, seguia viajem cheia de meninas, que se espalhavam por todo o barco, até no teto. Iam quietas evitando deslocamentos desnecessários, não fosse alguém cair na água.
Minha mãe D. Luzinete, começava dias antes a fazer bolos e doces, esperando a meninada. Passava cerca de três dias á beira do fogão. Estas se regalavam nos quitutes, e quando Mãe Nieta procurava colocar um limite, meu pai Manoel Júlio dizia: “Deixe, irmã, elas raramente têem esta oportunidade”. E as meninas ouvindo isto, se esbaldavam, nos doces e nas brincadeiras. Algumas eram mais comportadas, porém outras, mais danadas, aprontavam mesmo.
Também pudera, tão cedo não se repetiria a oportunidade.

RIO TAPERAGUÁ

Comemora a Igreja Católica, no dia nove de novembro, a N. Sra. da Boa Viagem. Na cidade de Marechal Deodoro acontecia grande procissão e festas. Os nove dias de festa eram assim distribuídos: dia dos solteiros, dia dos casados, dia dos avós, dia dos tios, e dia dos namorados.
No Barro Vermelho, três velhinhas tiravam espórtulas para as festividades. Logo cedo estavam de sacola a tiracolo, acompanhadas da azáfama das crianças. Ao fim do dia de cansativa jornada, reuniam-se, as três, para contar o resultado da caridade pública. Desta feita, porém, não admitiam a presença das crianças.
Era uma delas viúva. Seu marido costumava pescar de minjuada na boca do rio Taperaguá, e certa vez, sentindo-se mal, caiu na água. Os demais pescadores, de início, não se preocuparam, por ser costume vez em quando cair na água, na faina da pesca. Mas notando a demora, um deles deu o alarma. Já era tarde, porém.
Outra delas, era minha avó, madrasta do meu pai, chamando-se Maria José dos Santos. Da terceira, não guardo lembrança. Tinha eu então, cerca de dez anos.
O principal rio de Marechal Deodoro, ao penetrar no município atende pelo nome de Sumaúma Grande, e engrossa de volume ao receber pequenos afluentes; após o Engenho Velho, encontra o riacho Taperaguá, adotando este nome até desaguar na Lagoa Manguaba, ao sul da área urbana.
O rio Taperaguá era naquela época, piscoso e de forte correnteza. Em suas margens, as lavadeiras se reuniam em alegre afazer. Algumas não levavam outro farnel senão sal, farinha e batata ou macaxeira. Ali mesmo, nos locais mais propícios, estendiam um pedaço de rede, capturando pequenos peixes e mesmo camarões e, até, um ou outro pitu, que costumavam ficar escondidos sob a água, na boca das locas, a tudo observando.
Os pescadores, por sua vez, conseguiam na boca do rio, alentados bagres e traíras, que as faziam dar gritos e gargalhadas de alegria.
Ao declinar do Sol, as lavadeiras reuniam as trouxas de roupa limpa, embarcando nas canoas, de regresso aos distantes povoados de Morros, Pedra, e Mucuri, que não dispunham de águas doces e limpas como as do rio Taperaguá.
MARIA GERUZA DE AMORIM CÂMARA

CORPUS CRISTI

O feriado de Corpus Cristi lembra aos católicos de todo o Brasil, o dogma de que o pão e o vinho ofertados durante a missa tornam-se o corpo e o sangue de Jesus.
A celebração é realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes.
Entre as palavras-chave encontradas na Bíblia, o termo pão e vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, aparecem praticamente em todas as fases das Escrituras, desde Abrão (“o antepassado”), até o Novo Testamento, em que Jesus multiplica os pães.
Entre a população ribeirinha de Marechal Deodoro, essa data era, há muitos anos, conhecida como “O Dia da Hora”. Isso porque, exatamente neste dia, os cardumes de peixe migravam em direção à costa, aos milhares.
O povoado Francês recebia então, dos povoados vizinhos, muitos pesadores com suas famílias, que acampavam na praia, à espera do tão ansiado momento.
Também o povo dos Morros, Mucuri, Barra Nova, Massagueira, Pedras e adjacências, para ali se deslocava.
Meu pai fazia deslizar sobre o areal suas canoas enormes, contendo as redes e os apetrechos de pesca, e compadres e amigos, todos pescadores, empurravam, se revezando na colocação dos troncos de coqueiro, à medida que eram liberados pelas canoas, ao avançar.
Espalhadas ao longo da praia, as famílias escolhiam um lugar de seu agrado, para montar acampamento. No alto de uma duna, avistava-se a escura figura de compadre Satyro, mal disfarçada entre cardos e gajurus, a espreitar o mar, usando um pedaço de papelão à guisa de proteção para o reverbero marinho.
Ao avistar o cardume – milhares de peixes nadando à flor d’água, sôfregas por oxigênio, desenhando na superfície líquida uma perturbação que os olhos experientes do pescador logo perceberam - , este, dá o alarme, e logo passa a orientar as canoas que se dirigem céleres naquela direção.
O produto desta pescaria não era vendido. As pessoas acorriam para as canoas chegadas á praia, recebendo quantia de pescado segundo as suas necessidades imediatas. Isso se dava em respeito ao Santo, ao “Dia da Hora”.
Assim era esta bela tradição, hoje esquecida.

EU VI MEU PAI CHORAR

Meu pai possuía três currais de importância maior. O curral do Cumbe, que causou muitas discussões com “seu” Mário Pedrosa; o curral da Ilha do Porto, que causava bastantes discussões com o Sr. Heráclito, que também levantava curral de pesca; e o curral em frente de casa. Ele mantinha ainda uma “armação” de pesca defronte à Ilha dos Frades - um cerco de paus, arrodeado de redes, - onde em certa época do ano, obtinha muitas curimãs. Era lindo vê-las saltar, o seu enorme corpo prateado a brilhar ofuscante nos breves momentos em que durava o espetáculo. Esta pescaria causava muito ciúme aos proprietários visinhos, que também eram pescadores. A ciência necessária para saber o momento certo de armar a armadilha, seu Manoel Júlio a conquistara após exaustiva observação, e guardava este conhecimento para si.
Certa feita eu vi meu pai chorar. Os currais, recentemente erguidos, uma armadilha consistindo em um cercado construído de varinhas retiradas da palmeira piaçava, e trançado com cipós, era um trabalho que exigia o concurso de vários homens e enorme despesa, compensada pela captura de cardumes inteiros. A sua construção demorava vários dias.
Quando no dia seguinte, foi para a primeira despesca, deparou-se com a terrível catástrofe, da qual já vinha há dias receoso: os mourões do curral estavam tomados por caranguejos “uçá”. Significava isto, que sob a água, o curral havia arrebentado, devido a grande quantidade daqueles animais, e tudo estava perdido. O trabalho de vários dias e que tanto lhe custara estava destruído, pisoteado pelas seis patas de milhares daqueles animais, que deram início mais cedo ao fenômeno cíclico da “andada”.
Todo ano, a semelhança de outras espécies lacustres, chega o momento da migração e reunidos em multidões, estes animais se deslocam, ao longo dos canais, avançando sobre tudo o que encontravam, cruzando as ilhas, adentrando pelas casas, escondendo-se nos móveis e sob as camas. Era um desastre que o povo ribeirinho suportava estoicamente.

A CIGANA KALU

Quando meu pai comprou o sítio Morros, ali viam a cigana Kalu e a vovó Crispilina. Eram duas velhinhas parteiras, que muito estimadas, recebiam ajuda dos pescadores e complementavam assim o seu sustento. Trabalhavam de enxada, em que pese sua idade avançada.
Kalu, uma senhora morena, alta, magrinha de cabelos longos, vivia sozinha em sua casinha. Porém a vovó Crispilina, era casada com o senhor João Francisco Vieira, cuja família era famosa pela glutonaria. Quando seu João Francisco morreu, os rapazes já pescavam em companhia de meu pai. Mas vovó Crispilina ficou sozinha, encarregada de prover o sustento da família. Daí a ajuda que todos lhe prestavam.
Nenhuma das duas pertencia à família, mas eram por todos chamadas de “vovó”. Dizia a minha mãe, que vovó Crispilina “pegou” muitos dos meus irmãos. Nas quartas-feiras, dia de feira em Marechal Deodoro, iam os irmãos, Francisco, João e José, e também o velho Francisco Vieira, o pai da clã, fazer compras e demonstrar sua fama. E quando chegava uma carga de frutas, manga, jaca, ou bananas, ou ainda farinha, porque tudo que eles comiam era com farinha. Juntava gente para ver o espetáculo. Meu pai inúmeras vezes, pagou satisfeito, para vê-los devorar a montanha de alimento. Pessoas faziam cozinhar duas buchadas e complemento, só para vê-las desaparecer pela goela abaixo dos alegres glutões, sendo ali feitas muitas apostas.