“Da luz depósito augusto
Recatando a hipocrisia
Guarda em si com zelo santo
A pura Maçonaria”.
Em Maçonaria, a palavra landmarque designa os usos, práticas e tradições, que se consideram princípios fundamentais da Instituição. Os landmarques delimitam o que é Maçonaria e o que não é Maçonaria. Os tratadistas maçônicos não são conformes entre si quanto ao número e grandeza dos landmarques. Há, por isso, várias classificações ou codificações, sendo a mais conhecida a de Albert G. Mackey, que foi a primeira, em 1858 (Cayru). Em seu artigo XXII lemos o seguinte: “A igualdade de todos os maçons em Loja, é outro landmarque da Maçonaria, ainda que esta igualdade não subverta as categorias instituídas pelos usos e costumes da Ordem... Quando, encerrados os trabalhos em Loja, saem os Irmãos de seu aprazível retiro para misturar-se mais uma vez ao mundo profano, cada um reassume sua posição social e goza dos privilégios da categoria assinalada pelos costumes sociais”.
O verdadeiro Maçom é desinteressado. Chega ao objetivo porque o seu dever é atingi-lo. Não vai por um triunfo pessoal; não procura nem a sua vantagem particular, nem a sua própria glória. E porque o Maçom trabalha para o bem alheio e não para si, representa o bem comum.
Seus princípios são: tolerância, respeito mútuo e liberdade absoluta de consciência (Cayru).
Se representante e idealizador do interesse geral, não deve procurar nem a sua vantagem particular, nem a sua própria glória. Vai até ao fim porque é seu dever atingi-lo, não vai pelo seu sucesso pessoal. Não lhe movem as decisões nem o interesse, nem o orgulho; o verdadeiro Maçom é desinteressado. A partir do momento em que se procurasse a si mesmo, sob esta ou aquela forma, tornar-se-ia infiel à sua missão.
Diz ainda Cayru, em seu precioso livrinho, que “o Maçom tem por dever, em qualquer circunstância, ajudar e proteger o seu Irmão, mesmo com risco da própria vida, defendendo-o contra a injustiça”.
Sem dúvida, é lógico que, ao assumir mais responsabilidades, o dirigente Maçom disponha de todos os meios que lhe permitam bem cumprir a sua missão: ter uma posição, estar revestido de autoridade e defender o seu prestígio. Galões, estrelas, homenagens, títulos, tudo é legítimo, como expressão de dignidade, atributo e conseqüência normal, do cargo aceito. “Honor onus, sed etiam oneri bonor”.
Contrariamente, tudo isto pode se tornar perigoso quando forem estas vantagens a razão de ser e o fim principal da atividade do Maçom. Porque todo aquele que se deixa dominar pelo seu interesse particular, perde, pouco a pouco, o gosto do interesse geral, ou aglutina-o ao seu interesse próprio; porta aberta a todas estas fraquezas se um dia o interesse particular - e o caso não é quimérico – não coincide exatamente com o bem geral.
O dinheiro, por exemplo, é um bom servo, mas um mal senhor. Quando um homem se deixa dominar pela cobiça, está num plano inclinado bem escorregadio que pode levá-lo às mais altas traições da consciência e da honra. Perde então o direito de se intitular Maçom.
A ambição pode ser, algumas vezes, um estímulo para um esforço, para superar-se. É legítima e sã quando tenha por finalidade servir melhor. É perigosa quando se limita a uma sede de domínio – “libido dominandi” – dizem os melhores moralistas, o que se traduz em tirania propriamente dita. Mandar é servir, e não, servir-se.
Vejamos a este respeito algumas máximas (Cayru):
Máximas recomendadas
Não faças a outrem o que não queres que te façam.
Cumpre o teu dever, aconteça o que acontecer.
A tolerância não vai a ponto de proteger atos imorais.
Pratica o auxílio aos fracos, a justiça a todos, a dedicação à Pátria e á família e a dignidade para contigo.
Desprendimento, qualidade rara, talvez, mas qualidade tanto mais nobre, quanto melhor revela o puro metal, sem mistura, em que é forjada a alma do verdadeiro Maçom.
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FONTES DE CONSULTA:
O APRENDIZ –MAÇOM, Henrique Valadares (Cayru), Ed. Grande Oriente do Brasil, Estante Maçônica, vol. I, 1966 E.’. V.’.
ESCOLA DE CHEFES, G. Courtois, Livr. SamPedro, Lisboa.
Trabalho apresentado em 11.06.1992.
