No plano ideal, a espiritualidade maçônica é universal e não pode ser identificada com a espiritualidade particular de uma religião. Os princípios éticos maçônicos se referem ao homem enquanto homem, ou seja, o ser enquanto ser, isto é, ontológico, e são, por conseguinte, a expressão de uma antropologia maçônica como alternativa das outras.
A singularidade da relação entre a Maçonaria e a religião, aparece clara e nitidamente, quando se intenta estabelecer uma comparação direta entre as noções fundamentais da antropologia maçônica e, por exemplo, as noções fundamentais da antropologia cristã. Como é sabido, a antropologia maçônica pode reduzir-se a cinco pontos seguintes: LIBERDADE, TOLERÂNCIA, FRATERNIDADE, TRANSCENDÊNCIA E SEGREDO INICIÁTICO. Enquanto a antropologia cristã está reduzida a três conceitos: fraternidade, transcendência – no sentido do Ser Supremo e salvação. O número de conceitos não é significativo, o valor destes conceitos é que precisam ser significados e aprofundados. É fácil ver a natureza dos conceitos maçônicos exclusivamente funcionais, voltados para a vida terrena, do homem, e o de transcendência, considerado como centro de inspiração para a vida ética, corroborado e complementado com o segredo iniciático. Nos três elementos da antropologia cristã, aparecem em função à salvação do homem: a fraternidade, concebida como liberdade, e tida como a faculdade do homem, em decidir a favor ou contra o oferecimento da salvação que Deus faz aos mortais; e mesmo a salvação, é prenunciada pela liberdade que o homem tem, em escolher entre o bem e o mal, do que resulta a intervenção de Deus, transcendente, real e pessoal, na história dos homens.
Não basta o compromisso ético: faz falta a ajuda determinante de Deus, através de sua Graça. Daqui se deriva a função dos sacramentos como signos eficazes da Graça divina.
O Maçom vê no Grande Arquiteto do Universo, um ideal regulador ao qual submete sua própria atividade ética. A prática dos sacramentos tem um sentido particular para o cristão, por tratar-se de signos eficazes de graças, por meio das quais, se põe em manifesto a intervenção real de Deus.
A idéia da perfeição maçônica está ligada a um ideal de melhoria do homem, do ponto de vista ético, pois entende que sem ela não pode haver melhora social, limitada ao campo das possibilidades humanas. Motivo pelo qual, a perfeição cristã não coincide com a maçônica.
A religião fala de salvação e a Maçonaria, simplesmente, de aperfeiçoamento do homem.
Se para a Maçonaria, a iniciação é a modalidade na qual se realiza o aperfeiçoamento ético do homem, o ritual é o instrumento pedagógico que conduz o iniciando, de maneira gradual e contínua, ao referido aperfeiçoamento. O ritual ensina a desbastar a pedra bruta, tendo, pois, uma importância fundamental, dele não se permitindo quaisquer dúvidas ou mal-entendidos e ambigüidades.
O sentido original, arcano, da religiosidade, acima de instituições e estruturas, identifica-se com o exercício da mais profunda arte-ciência de viver. Cada um de nós, como artista da vida, é um “estranho”, que se torna “solitário” pela sua maneira particular, intransferível, de praticar os três sentidos universais : Fé, Esperança e Caridade.
É salvaguardado o direito de cada Maçom, a expressar seus conteúdos religiosos, como também confirmar o caráter verdadeiramente universal desta fantástica escola do conhecimento: a Maçonaria.
