sábado, 24 de outubro de 2009

O GOGÓ DA EMA

Maceió, a pequena capital de Alagoas, tem, como atração natural, o mar. O visitante, ao avistar suas belas praias, emolduradas por vastos coqueirais, - já foram mais numerosos – e as águas que aqui chegam em sucessivas ondas, revestindo-se com cores deslumbrantes, que vão do verde esmeralda ao azul escuro, quedava-se extasiado.
De Maceió a Piassabuçu há belas praias, lagoas e rios, que lhe emprestam o apelido de “Paraíso das Águas”.
Pajussara, Ponta Verde e Jatiúca. Hoje, elas estão no centro da cidade, sendo as mais freqüentadas. Mas há apenas poucos anos, não era assim.
Os poucos turistas que aqui chegavam tinham por “dever” fazer uma visita ao coqueiro mais famoso do Brasil, o “Gogó da Ema”, que recebeu tal nome devido ao seu peculiar formato; por um capricho da natureza, lembrava o pescoço daquela ave. Saíam da cidade, que naquela época terminava na altura da Pajussara, e dirigiam-se em carros de aluguel para a praia de Ponta Verde, onde os esperavam quatro curiosidades: o velho farol, os arrecifes que se prolongavam até a praia e na maré seca revelavam aos mais atirados soberbas piscinas naturais; o poço de petróleo mandado selar com cimento por Mr. Link, sob a alegação de que em Alagoas não havia petróleo, e a fantástica obra da natureza: o Gogó da Ema.
Fascinados pelo encanto do lugar, as pessoas se deixavam ali ficar durante horas, aproveitando para fazer fotos da palmácea que corriam o Brasil inteiro, podendo ser encontradas em todos os aeroportos do País.
Relaxadas sobre a areia, as sereias enlangueciam-se sob o amoroso convite do farfalhar das palhas ao vento, e quedavam-se hipnotizadas pela paisagem lagunar.
Tudo, hoje, está mudado. E para pior. O Gogó da Ema já não existe. E o velho farol, coitado! Isolado, sem o seu fiel companheiro e atolado em imundície, permanece, ainda, como um espectro do passado, a recordar antigos esplendores.
Foram sacrificados em nome do progresso, que se apresentou sob a forma de um clube que avança sobre os arrecifes, a tudo descaracterizando e empobrecendo. Os coqueirais cederam espaço para os edifícios residenciais e hotéis de luxo, arranha-céus que disputam entre si o lugar, gadanhando os ares...
A natureza cedeu o lugar para calçadões e restaurantes, e a lua intimidada cedeu o ofício para os modernos holofotes.
As águas e as praias são, cada vez mais, contaminadas pelos esgotos dos belos edifícios, e torna-se um risco expor-se ao contato.
Ao homem simples, amante da Ordem natural, restou pouco. Se é que alguma coisa restou...

MarCanto – CAD 80147
Loja VB, em 2.09.2009.