domingo, 6 de setembro de 2009

NOSSA SRA. DA BOA VIAGEM


Igreja de Nsa Sra da Boa Viagem em Marechal Deodoro-AL

Hoje é 9 de novembro, dia de Nossa Senhora da Boa Viagem. Em Marechal Deodoro, é dia de procissão. Aliás, desde o começo da semana começavam as festas, no meu tempo de criança.
Já às 3 horas da tarde, as freiras mandavam as crianças para a Igreja Nossa Senhora da Boa Viajem, para participar da procissão. Entre cerca de 500 havia em torno de 50 que eram pensionistas, em semi internato, e as restantes, órfãs.
Apenas as meninas mais atraentes. conduziam as bandeiras no desfile. Eu, infalivelmente, sempre estava entre estas, graças ao conhecimento de meu pai, com os padres. Porém, morria de vontade de me unir às demais órfãs. Havia entre elas meninas lindas, de agradável porte. Quando acontecia de saírem a passeio, as feiras mantinham sobre todas uma severa vigilância, alternando-se em cuidados, porque já naquele tempo temiam o rapto de meninas, que se destacavam pelo estudo e delicadas maneiras, dentre as demais da população. A diretora do orfanato, Mãe Nieta, era muito ciosa neste aspecto. Quando conseguia marcar um fim de semana nos Morros, o sítio de meu pai, a lancha bem manejada pelas mãos experientes de “seu” Mesquita, seguia viajem cheia de meninas, que se espalhavam por todo o barco, até no teto. Iam quietas evitando deslocamentos desnecessários, não fosse alguém cair na água.
Minha mãe D. Luzinete, começava dias antes a fazer bolos e doces, esperando a meninada. Passava cerca de três dias á beira do fogão. Estas se regalavam nos quitutes, e quando Mãe Nieta procurava colocar um limite, meu pai Manoel Júlio dizia: “Deixe, irmã, elas raramente têem esta oportunidade”. E as meninas ouvindo isto, se esbaldavam, nos doces e nas brincadeiras. Algumas eram mais comportadas, porém outras, mais danadas, aprontavam mesmo.
Também pudera, tão cedo não se repetiria a oportunidade.