Para ilustrar este trabalho, demoramos nossas vistas sobre as seguintes questões: “Que é Vontade?”, e “Que é raciocínio?”
Que é a Vontade?
Segundo o verbete da Enciclopédia Brasileira Mérito: Vontade, s. f. – Lat. Voluntas. Desejo, intenção, deliberação; pretensão; determinação; faculdade de praticar ou deixar de praticar algum ato; faculdade de querer; espírito, ânimo, veleidade, capricho, fantasia; mando, poder, arbítrio; prazer, gosto; disposição voluntária, talento, espontaneidade; propensão natural, apetite; interesse, empenho, desvelo, dedicação, zelo; necessidade física ou moral.
Em Filosofia, empregam-se três acepções principais da palavra vontade: psicologicamente, como um conjunto de fenômenos psíquisicos ou também como uma faculdade, cujo caráter principal consiste na tendência; eticamente, como uma atitude ou disposição moral para fazer algo; metafisicamente, como uma atitude a que se atribui absoluta subsistência e que se converte por isto em um substrato de todos os fenômenos. Todavia o vocábulo adquiriu diferentes conotações, através dos tempos, de acordo com os diversos sistemas filosóficos. Desempenhou, por exemplo, um papel fundamental nas doutrinas de Schopenhauer e Nietzche. Para o primeiro, a vontade constitui o verdadeiro em si e representa o fundo último do real. Para o segundo, ela é a vontade de potência e constitui a base da nova escala de valores proposta pelo filósofo.
Em psicologia, a vontade constitui a forma de atividade individual que é uma ação na plena acepção do termo; intervindo a vontade, agimos com razões e por meio de razões, não meramente impelidos por solicitações perceptivas, que desencadeiam movimentos graças aos automatismos da hereditariedade e do hábito. Um movimento que se execute por vontade não é feito em nós, quem o fazemos somos nós. A vontade está ligada estritamente ao pensamento racional, ao conhecimento por causas.
Vejamos agora o que a respeito da vontade nos ensina a luz que nos veio da velha e misteriosa Índia, a Mensagem do Mestre, o BRAGAVAD GITÂ.
CAPÍTULO XVIII
A Libertação pela Renúncia
ARJUNA (o homem no estado evolutivo):
1. Quisera, ó Abençoado Senhor, conhecer em que consiste realmente a abstenção e renúncia.
KRISHNA (O Homem-Deus, o nosso Ego Superior):
2. Os exegetas as entendem por abster-nos dos atos dimanantes do desejo, e a renúncia dos frutos de todas as ações.
33. Pura é a vontade que por meio da ação refreia a fogosidade da mente, dos sentidos e dos alentos vitais.
34. Passional é a vontade que leva o homem ao cumprimento de seus deveres, com o desejo de colher o fruto das ações e desfrutar de riquezas e prazeres.
35. Tenebrosa é a Vontade que mantém o homem submerso na preguiça, no tédio, na tristeza, no abatimento e na vaidade.
Muito ainda se poderia dizer sobre a Vontade. Os estudiosos cabalistas ensinam que no primeiro momento da manifestação, a vontade do Absoluto é indicada por um ponto de luz sem dimensões que é projetado do véu da Existência Negativa. A grande Tríade de forças passivas e ativas (Poder – Sabedoria – Atividade), mediada pela Vontade e Consciência de Deus, mantém o balanço cósmico do Universo em equilíbrio.
