LOJAS FRATERNIDADE ALAGOANA E AMOR À HUMANIDADE. MUDANÇA DE OBEDIÊNCIA DE VÁRIAS LOJAS. Em 09 de abril de 1870, era fundada em Maceió a Loja Maçônica “Fraternidade Alagoana” n. 200. Recebeu sua Carta Constitutiva em 21.03.1870 e Regularizada, 20.06.1870.
HISTÓRICO:
Pouco depois de fundada, em 04 de março de 1873 (Ata 116), passou para o Grande Oriente dos Beneditinos, mas em 05.08.1873, foi reincorporada ao GOB. Na fundação recebeu o n. 202 e na reincorporação o n. 255 (antigos). Curiosamente em março de 1875, ainda é declarada como sendo de sua obediência (n.68), talvez uma dissidência. O Rito adotado na fundação foi o Adoniramita. Depois, antes de 1884 abateu colunas.
ALMANAK ADMINISTRATIVO DA PROVINCIA DE MACEIÓ para o ano de 1876 (edição 1876, pág.87) – Grande Oriente Unido do Brasil – Fraternidade Alagoana (Adoniramita), Rua do Hospital n. 47; Venerável, José Francisco Braga Júnior, residente à Rua Augusta n. 13. Na pág. 114 do mesmo almanaque, ano 1877, dá a fraternidade Alagoana funcionando na Rua do Hospital , sobrado, n. 47.
Até 15 de abril de 1873, funcionou na VIRTUDE E BONDADE, e a partir dessa data, na PERFEITA AMIZADE ALAGOANA. Ata n. 43 da “VB” – acedendo o prédio para funcionar na sua sede mediante as condições propostas. Ata n. 44, em 20.04.1871: concordou pagar nas mesmas condições apresentadas no contrato que se fez com um primeiro andar da casa em que funcionava a Loja.
VENERÁVEL FUNDADOR: - Jacintho José Nunes Leite, 13.’., de 1870 à 1873, Reeleito, não aceitou. 1874 – José Francisco de Braga Júnior. Em julho de 1874, abateu as colunas. 14.11.1876: Reergue as colunas José Francisco de Braga Júnior. Em 12.12.1876: Venerável Tertuliano Telles de Menezes e Silva. 20.01.1877: Posse do Venerável Tertuliano Telles de Menezes e Silva; em 30.01.1877, abateu as colunas.
Em 12.09.1979: Reerguidas as colunas pelo Venerável Ir.’. José Correia de Araújo Paranhos.
NOTA: no Livro de Ata ficaram em branco as páginas 242 (meia página), 243 a 248. Não há Termo de Encerramento. As últimas assinaturas da Ata na data de 30.01.1877: Ven.’. Tertuliano Telles de Menezes e Silva; 1o. Vigilante, Jacintho José Nunes Leite; 2o. Vigilante, Luiz Pereira Cunha; Orador Interino, J. Pedro; e Secr.’. Rafael Arcanjo da Silva Antunes.
LOJA MAÇÔNICA “CONFRATERNIDADE PENEDENSE”, n. 205. Fundada em 04.12.1870, no Oriente de Penedo. Rito Moderno. Instalada em 04.12.1872, abateu colunas em 1884.
O Malhete, n. 13, de Maceió, em 20.12.1899, assinala a instalação desta Loja em 04.12.1872. Consta do “Catálogo das Lojas...”, de Kurt Prober.
LOJA MAÇÔNICA “AMOR À HUMANIDADE”. Em 03.11.1872, na época de progresso da cidade do Pilar, nascia ali, a Loja Maçônica “Amor à Humanidade”, n. 229, a primeira que utilizou este título. Certamente inspirada em sua principal bandeira de luta, a libertação dos escravos. Recebeu a Carta Constitutiva em 04.11.1872, sendo Regularizada em 29.12.1872. Abateu colunas em 1882.
O Irmão Plutarco, (João Eugênio Machado, médico), pertencente à Loja “Perfeita Amizade Alagoana” n. 181, na carta número dois, endereçada ao Grão-Mestre do Oriente Unido, dos Beneditinos, publicada no “Jornal do Pilar”, em 03 de agosto de 1874, referindo-se a uma querela mantida com a Loja Capitular “Três de Maio”, fundada também na cidade do Pilar, em 03 de maio de 1873, obtendo a carta Constitutiva em 23.07.1873, e que também abateu colunas em 1882, assim dissertava:
“Em 1871, ventilou-se a criação de uma Loja Maçônica. Reuniram-se diversos Irmãos com esse intuito, e logo após puseram em prova os seus esforços, a sua dedicação; e embora os sacrifícios sobrevindos fossem de extremo alcance, ainda dessa vez, a força de vontade triunfou desses mil óbices que então se opuseram à realização desse desejo.
Foi o certame do querer contra o não poder, que veio à luz da vida a Loja “Amor à Humanidade”, nesse tempo filiada ao Vale do Lavradio, e depois do congraçamento maçônico da Corte, ao Grande Oriente Unido, vindo daí apartar-se quando o gênio avassalador de um ambicioso deu profundo corte na Maçonaria, atirando-a nos braços de uma cisão infeliz!”.
Tudo leva a crer que os primeiros momentos da Loja “Amor à Humanidade” foram claudicantes, tanto que a partir de 03 de novembro de 1871 houve um movimento revigorador, como se observa na notícia publicada no “Jornal das Alagoas”, editado em Maceió, em 12 de fevereiro de 1872, sob o título NOVA LOJA MAÇÔNICA, informando que no dia 29 de dezembro próximo findo, no Oriente do Pilar, procedeu-se à regularização da loja com o título distintivo de “Amor à Humanidade”. O ato, dizia o texto, foi presidido pelo Delegado do Grão-Mestre Geral, Irmão Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, Grau 33o., acompanhado dos Irmãos Antônio Teixeira Júnior Escova e Manoel Luiz Coelho.
A magnificência dessa festa, uma das mais pomposas realizadas naquela cidade e que encheu de entusiasmo a todos que a assistiram, ainda mais brilhante se tornou pela generosidade e filantropia de nosso Irmão Nicolau Alves Rodrigues, que para significativo do seu profundo regozijo, concedeu a liberdade sem ônus algum a uma sua escrava da idade de dezenove meses de nome Francisca, cuidando de sua educação até a maturidade.
Á noite o edifício esteve aberto e franqueado à concorrência dos visitantes. As salas do edifício estavam ricamente ornadas e iluminadas.
O hino Maçônico, música especialmente composta pelo distinto maestro Irmão Procópio Galvão, e por ele acompanhada ao piano, e pelo insigne violinista Afonso Efigênio, foi entoado por diversas vezes, até às dez horas quando findou-se a festa.
As Lojas “Amor à Humanidade” e “Três de Maio”, fundadas sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil, transferiram-se em 1873, para o Grande Oriente Unido, do Grão-Mestre Saldanha Marinho, junto com as Lojas “Perfeita Amizade Alagoana”, “Fraternidade Alagoana” e “Confraternidade Penedense”, permanecendo fiéis ao Grande Oriente do Brasil a “Virtude e Bondade” e “Amor da Pátria” (reerguidas as colunas em 1875).
No Boletim do Grande Oriente do Brasil, n. 1 – 2o. Ano, janeiro de 1873, estão relacionadas as Lojas da Província de Alagoas que sujeitam-se à sua Obediência:
“Virtude e Bondade”;
“Perfeita Amizade Alagoana”;
“Confraternidade Penedense”;
“Fraternidade Alagoana”.
Como, também, a Administração de Lojas e capítulos, para o Ano maçônico de 1873:
LOJA CONFRATERNIDADE PENEDENSE
Venerável, Manoel Pereira de Carvalho Sobrinho, 12o.
1o. Vigilante, Israel de Farias Lemos, 12o.
2o. Vigilante, Luiz José de farias Lobo, 3o.
Orador, Paulo Leite Ribeiro, 12o.
Secretário, Clarimundo Barreto dos Santos, 12o.
Tesoureiro, Manoel Joaquim de Moura, 12o.
CAPÍTULO VIRTUDE E BONDADE
Aterzata, Antônio Teixeira Júnior Escova, 32o.
1o. Grande Vigilante, Domingos José de Faria, 18o.
2o. Grande Vigilante, João José da Costa Santos, 30o.
Grande Orador, Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, 33o.
Grande Secretário, Aprígio da Silva pinto, 8o.
Grande Tesoureiro, José Antônio Ribeiro Braga, 18o.
LOJA PERFEITA AMIZADE ALAGOANA
Venerável, Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, 33o.
1o. Vigilante, João Sabino Vieira, 3o.
2o. Vigilante, Antônio Simões de Souza Júnior, 12o.
Orador, Antônio Scipião da Silva Jucá,3o.
Secretário, Antônio Monteiro de Mello, 3o.
Tesoureiro, Joaquim Monteiro de Roza Lima, 3o.
O Boletim do Grande Oriente Unido do Brasil, 2o. Ano, n. 7 a 9 – julho a setembro de 1873, relaciona a Administração do Capítulo “Amor à Humanidade”, ao Grande Oriente do Pilar, Alagoas, para o ano maçônico de 1873:
Venerável, Luiz Gonzaga dos Santos; 1o. Vigilante, João Alves de carvalho; 2o. Vigilante, João Antônio Ferreira Magalhães; Orador, Miguel Nunes de Moraes Osório; Secretário, José Gomes da Silva Vasconcelos; Tesoureiro, Domingos Fernandes da Cunha.
Posteriormente, com a reconciliação, todos os dissidentes voltaram a integrar o Grande Oriente do Brasil.
Recentemente, animados do propósito de fundar em Alagoas um Grande Oriente Estadual, reuniram-se algumas Oficinas para estimular a criação de novas Lojas ou o reerguimento de outras, adormecidas. E em 29 de novembro de 1976, no Templo da Augusta e Respeitável Loja “Amor à Humanidade”, situado à Praça Ruy Barbosa s/n – centro, no Oriente do Pilar, sob a presidência do Irmão João Vieira Chagas, devidamente autorizado pelo Delegado do Grande Oriente do Brasil em Alagoas, Dr. Lauro Farias; tendo como 1o. Vigilante, Volney Cavalcanti Leite; 2o. Vigilante, Tamal Zaidan; Orador, Moab Leite Pessoa; Secretário, Givan Lúcio; e Mestre de Cerimônias, Domingos de Oliveira Prado, realizou-se a cerimônia de Regularização da Loja maçônica “Amor à Humanidade”.
Prestaram juramento e foram empossados os membros da Diretoria Provisória, a saber: Venerável Provisório,Joaquim Wanderley de Barros Lima; 1o. Vigilante, Ivaldo Ávila de Araújo; 2o. Vigilante, Benedito Martins de Melo; Orador, Owerland Costa; Secretário, Crisóligo Barros Galvão; Tesoureiro, Benedito Santos Souza; Mestre de Cerimônias, Jorge Barbosa; Hospitaleiro, Otacílio Silveira Cavalcante; 1o. Experto, José de Farias Neto; 2o. Experto, João Oliveira dos Santos; Guarda do Templo, Fernando Cruz; 1o. Diácono, Abílio Alves da Silva; 2o. Diácono, Tamal Zaidan; Porta Estandarte, Volney Cavalcanti Leite; Porta Espada, Domingos de Oliveira Prado.
Infelizmente a iniciativa não foi adiante, e a Loja voltou a adormecer.
ATA DA REGULARIZAÇÃO DA LOJA MAÇÔNICA “AMOR À HUMANIDADE” , SEDIADA NA PRAÇA RUI BARBOSA, S/N., PILAR – ALAGOAS, REALIZADA NO DIA 29 DE NOVEMBRO DE 1976.
Irmãos da Instalação: João Vieira Chagas, Presidente. – Moab Leite pessoa, Orador. – Volney Cavalcante leite, 1o. Vigilante. – Tamal Zaidan, 2o. Vigilante. – Domingos de Oliveira prado, Mestre de cerimônias. – Givan Lúcio, Secretário.
Após a abertura dos trabalhos, o Venerável convidou ao Irmão Orador para abrir o Livro da Lei no Grau de Aprendiz e em seguida convidou pela Ordem o Venerável da Loja, os 1o. e 2o. Vigilantes, o Orador e o Mestre de Cerimônias a fim de prestarem seu juramento na forma regulamentar. Depois de empossados os primeiros Mestres em seus cargos, foi concedida a palavra e dela fez uso Moab Pessoa que apresentou os votos de solidariedade à nova Loja e concitou a todos para que não mais venha a abater colunas e também augurou êxito a todos os que fazem a Loja “Amor à Humanidade”. Logo após, o Irmão Domingos de Oliveira Prado ratificou as palavras de seu antecessor e apresentou suas escusas pelas faltas na cerimônia, em virtude do ritual não ser específico ao ato. Pedino e fazendo uso da palavra, o Irmão Marcio Silva Fortes disse de sua surpresa ao ser notificado pelo Irmão Overland Costa, pois, jamais fugira de suas responsabilidades de Maçom. A sua concepção de Maçonaria é de trabalho honesto, digno e edificante e não de falta de irmandade, pois é sublime e deve estar acima de qualquer outra causa. Em seguida o Irmão Volney Leite falou de sua satisfação em se fazer presente e falou da sua emoção ao assistir a reunião do dia 23 na “Virtude e Bondade”, onde viu os irmãos Moab Leite e Mauro Guedes, de partidos diferentes, porém, demonstraram espírito de fraternidade e dando exemplo de que na Maçonaria não deve existir partidos, pois não faz parte de sua filosofia, que é de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Enalteceu a qualidade de todos e solicitou ao Irmão José Verres para que fizesse uso da palavra, sendo atendido. Tecendo palavras alusivas ao ato fez um resumo daquilo que foi a Revolução Francesa, surgindo com os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, pedindo a paz para todos não só para os brasileiros, mas, extensiva a toda a humanidade. Mostrou o seu desejo dos homens se unirem para as grandes edificações humanas. Cada um leve o trabalho a sério nesta Loja. Mostrou que todo homem tem política, mesmo que diga não tê-la. Porém deve ser uma política maçônica, Augurou pleno sucesso nos trabalhos que vão ser desempenhados nesta Loja. O Irmão Tamal Zaidan usou a palavra alegando que emocionado pelo que o antecederam e fez ver que as palavras do Irmão Marcio procedem de maneira correta por ir de encontro aqueles que fazem política fora dos princípios maçônicos e leu trecho dos deveres do Maçom. Apresentou mensagens de amor, confiança. O Venerável Joaquim Wanderley pediu interrupção de sua oração para receber o representante do GOB, passando-lhe o Malhete e em seguida solicitou ao orador que prosseguisse com a sua oração. Enalteceu o trabalho do Delegado em se fazer presente ao ato e leu os deveres do Maçom.Pedindo a palavra o 1o. Vigilante da Loja, Nivaldo Alves, falou da sua satisfação e que tudo fará dentro de suas possibilidades para que jamais ocorra o já acontecido em sua Loja Maçônica. O Irmão Chagas agradeceu a honra que lhe fora concedida em ser o presidente na restauração da Loja, em substituição ao Delegado que estava em viajem ao interior do Estado. Parabenizou àqueles que retornaram à Loja “Amor à Humanidade” e disse de sua confiança naqueles que ora a integram. O Venerável da Loja fez uso da palavra dizendo de sua emoção e do seu trabalho em procurar saber das Lojas existentes e do Decreto baixado pelo Delegado, prefeito desta cidade, há mais de um ano e concitou a outros elementos de sua terra para que a Loja fosse reaberta, e disse de sua boa vontade e pediu ao Irmão Márcio, pessoa de destaque e muito conceituada na cidade e outros para que dêem sua contribuição a fim de desenvolver um trabalho sério, dinâmico e edificante. Falou do seu entusiasmo, do seu esforço, e solicitou a todos uma efetiva ajuda para continuar com os seus verdadeiros objetivos. O que lhe importa é a Maçonaria e continuou sua oração com a frase do memorável Irmão Lafayette Bello: “A Maçonaria não é uma religião, mas é contudo, a minha religião”. Concluiu pedindo uma salva de palmas para o nosso Delegado, o Professor Lauro Farias. Para finalizar, o Irmão Lauro Farias mostrou os verdadeiros objetivos da Maçonaria e ressaltou o papel do Irmão Joaquim Wanderley e Márcio Silva, como homens e maçons responsáveis. O Delegado pediu desculpas pelo atraso e disse de sua confiança no seu representado, João Vieira Chagas, que é o seu substituto legal e tem o seu total apoio em tudo que ele praticar. Falou de sua pretensão em reabrir esta Loja há mais de um ano e os contatos mantidos nesta terra com pessoas para a sua concretização. “Não devemos confundir as nossas posições profanas com a nossa posição maçônica” (segundo o Delegado). Vamos ajudar. Fundar Loja é um trabalho fácil, mas, fazê-la é difícil. A tarefa tem que ser em função da Maçonaria, e não pessoal. Congratulou-se com o Venerável e concedeu a palavra ao Orador, o qual agradeceu, porém, não a usou. O senhor delegado em nome do Grão-Mestre se congratulou com todos os presentes e pediu para que o Irmão Orador fechasse o Livro da Lei, depois devolveu o Malhete, o qual encerrou os trabalhos.
LOJA MAÇÔNICA “TRÊS DE MAIO”, n. 250. Fundação, 03.05.1873, no Oriente do Pilar. Carta Constitutiva em 23.07.1873. Abateu colunas em 1882.
LOJA MAÇÔNICA “PAULO AFONSO” n. 399. Fundada no Oriente de Piranhas. Rito Escocês Antigo e Aceito. Carta Constitutiva em 10.10.1881. Regularização em 31.01.1881. Abateu colunas em 24.05.1884.
Kurt Prober: Venerável fundador, Alberto Aschoff. Em abril de 1884 abateu colunas, por falta de obreiros.
LOJA MAÇÔNICA “UNIÃO DO SÃO FRANCISCO, n. 410. Fundada no Oriente de Penedo. Carta Constitutiva (Instalada) em 03.11.1882. Regularização, em 09.12.1883. Abateu colunas em 1896.
LOJA MAÇÔNICA “REDEMPTORA”, N. 414. Fundada oficialmente em 15.04.1884, no Oriente de Penedo. Instalada em 15.04.1884, recebendo a sua Carta Constitutiva no Rito Adonhiramita. Abateu colunas em 1896. (O Malhete, n. 13 – Maceió, 20.12.1899).
Já existia em 1883. Fundada recentemente. Regularizada por Antônio Monteiro de Mello.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Recuperando oficinas
A FASE MONARQUISTA DA VIRTUDE E BONDADE. A princípio, o palacete que serviu para abrigar a Loja “Virtude e Bondade”, na Rua da Imperatriz n. 37 – centro, hoje Rua João Pessoa, pertenceu ao sr. Manoel Machado da Silva. Atualmente, ali se encontra erguido o prédio onde funcionou o Hotel Beiritz.
O contrato foi renovado, firmado verbalmente em 01.03.1862. Terminando em 22.08.1873, e renovado por igual período, através do Irmão Antônio Teixeira Júnior Escova, Tesoureiro da “Virtude e Bondade”.
Em escrito anônimo no DIÁRIO de ALAGOAS de janeiro de 1867, se fazia uma campanha deletéria contra o espírito republicano. Das retaliações veementes e incessantes nasceu o pensamento republicano em se agremiar, na expectativa da vitória. Nessa falange, da qual deveriam sair presidentes da república, ministros, diplomatas, representantes do povo e também, grandes vítimas das ingratidões públicas, se encontrava o Irmão Ricardo Brennand Monteiro, secretário da “Virtude e Bondade”.
O Major Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, que nesta época ocupava a Venerança, e o Irmão Ricardo Brennand Monteiro, como Secretário, adquiriram aos treze de maio de 1869, o terreno situado na Rua Nova (atual Barão de Penedo), local onde seria construído o Templo da Loja “Virtude e Bondade”, cujo translado reproduzimos parcialmente:
“Escritura de compra e venda que fazem como vendedores o Capitão Silvestre Manoel da Silva e sua mulher Dona Maria Lemos de Couto, de um terreno vago situado na Rua Nova desta cidade, ao comprador “Virtude e Bondade”, pelo lanço e quantia de 220$000.
Distribuída ao tabelião interino Araújo Silva F. J. Reis. Saibam quantos este público instrumento de venda e compra virem, que sendo no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e sessenta e nove, aos treze dias do mês de agosto do dito ano, nesta cidade de Maceió em meu cartório compareceram as partes justas e contratadas de uma como vendedores o Capitão Silvestre Manoel da Silva e sua mulher Dona Maria Lemos de Couto e de outro como compradora a Sociedade Virtude e Bondade representada pelo presidente atual Major Manoel Claudino de Arroxelas Jayme e Secretário Ricardo Brennand Monteiro, que isto assinaram, todos moradores nesta cidade e pessoas do meu conhecimento e das testemunhas abaixo assinadas, de que dou fé, e perante mim tabelião interino disseram em presença das mesmas testemunhas o Capitão Silvestre Manoel da Silva e sua mulher Dona Maria Lemos de Couto , que eles são senhores e possuidores de um terreno vago que possuem na Rua Nova dessa cidade, contado dito terreno de junto a casa que foi do finado Domingos Bento Moeda, em direção a Boca de Maceió até fazer quina para travessa que segue ao Livramento, e nessa mesma direção segue até encontrar a casa que foi de Maria de Bulhões, fazem venda como as faço pela presente escritura vendido terem a compradora Virtude e Bondade, representados em dita compra o Major Manoel Claudino de Arroxelas Jayme e Ricardo Brennand Monteiro, pelo lanço e quantia certa de duzentos e vinte mil réis, que receberam dos compradores representados em moeda legal e corrente no Império, na ato da passagem da presente escritura, e lhes transferem todo domínio, posse direta, ação usufruto que eles vendedores têm em dito terreno vago aos compradores representados pela dita Sociedade Virtude e Bondade para tomarem posse judicial ou extra judicial quando e como quisessem, pois que eles compradores na forma e cláusula contratual desde já estão empossados na forma da Lei.
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E assim disseram as partes contratantes, vendedoras e compradores representantes, e lavrei a presente escritura por mim distribuída, a qual distribuição fica arquivada em meu cartório, e foram testemunhas presentes Domingos Bento da Rocha e Silva, e José Antonio Ribeiro Braga, que assinaram com as partes contratantes e declarando a vendedora não saber ler nem escrever e para ela em seu rogo assinou o doutor Januário Pereira de Carvalho, depois de lida perante todos por mim Manoel José de Araújo Silva, tabelião interino, assinam – Silvestre Manoel da Silva, José Januário Pereira de Carvalho, Manoel Claudino de Arroxelas Jayme Ricardo Brennand Monteiro. Testemunhas – Domingos Bento da Moeda e Silva, José Antonio Ribeiro Braga. E mais não continha na escritura escrita e lavrada no livro N. 27, de folhas 55v a 56 v de onde fiz este segundo translado bem e fielmente. E eu, Annibal Falcão de Lima, tabelião público, o subscrevo e assino em público e raso.
Maceió, 12 de julho de 1923
Em testemunho: ilegível
Selado com três selos de 300 réis cada.
A Loja Maçônica “Virtude e Bondade”, esteve na crista das ondas tempestuosas, travestidas em cataclismos que estiolaram as instituições constituídas, gerando insegurança, destemor e desordens gerais. A Ordem Maçônica sofreu, como organismo vivo da tessitura social, a convulsão dos movimentos revolucionários, anteriores e posteriores à Proclamação da República.
E a três de maio de 1872, quase vinte anos antes da proclamação da República, surgiu em Maceió um novo paladino da causa republicana, este com o nome de A REPÚBLICA.
Nesta fase de sua história, a Loja VIRTUDE E BONDADE esteve sob o comando do ilustre médico Dr. Joaquim José de Araújo, que foi seu Venerável mestre nos períodos de:
24.06.1873 a 1874
19.06.1874 a 1875
24.06.1875 a 1876
26.06.1876 a 1877.
RESSURGE A LOJA AMOR DA PÁTRIA. Ilustrando o que acabamos de dizer, passamos a transcrever uma pesquisa do laborioso Irmão VOLNEY CAVALCANTI LEITE (19.01.1930 – 18.11.2001), que em seus demorados e meticulosos estudos resgatou para a História o passado esquecido da maçonaria alagoana.
“Ao compulsarmos o “CADASTRO GERAL DAS LOJAS MAÇÔNICAS DO BRASIL”, edição de 1975 de Kurt Prober, notável pesquisador da Arte Real em nosso País, percebemos uma gama de fatos e fontes que estão favorecendo o aprofundamento em busca da verdade sobre a Oficina geratriz da Maçonaria alagoana.
Através da citação daquele renomado Irmão compulsamos o jornal – LABARUM – Órgão Maçônico, ano I, n. 6, editado em 16.10.1874, noticiando o necrológio do Capitão João Pedro Xavier, Venerável fundador da PERFEITA AMIZADE ALAGOANA e na edição de 08.02.1875, pág. 3, encontramos a preciosidade a seguir transcrita:
“AMOR DA PÁTRIA – Erguem-se as Colunas da Loja Maçônica AMOR DA PÁTRIA –, com obediência ao Grande Oriente do Lavradio.
A sessão de regularização esteve esplêndida e realizou-se na noite de 30 de janeiro no seio da Loja VIRTUDE E BONDADE, sita no prédio n. 37 à Rua do Imperador (Imperatriz). Às 11 horas da noite, pouco mais ou menos, depois de concluídos os trabalhos, que foram presididos pelo Ir.’. Delegado, serviu-se um suntuoso banquete em o sobrado do Sr. Vice Cônsul de S. M. Fidelíssima, o negociante João de Almeida Monteiro, que tem prestado relevantes serviços à Maçonaria. Compareceu grande número de IIr.’. e muitos convidados pertencentes a diferentes Lojas da Capital.
Dando abaixo a notícia que nos enviaram das diversas fases por que tem passado desde a sua criação a Loja AMOR DA PÁTRIA, erguemos votos muito sinceros à Providência para que auxilie e proteja a bem da Humanidade os Obreiros de tão santa instituição.
E nós, cheios de verdadeiro prazer saudamos do fundo d’alma mais esse denodado campeão que se ergue contra o despotismo, que pretende calcar ao solo o jesuitismo que espera tirar proveito da ignorância de uns e insensatez de outros.
A reorganização da Loja – AMOR DA PÁTRIA – é mais um brado que se ergue em favor da verdadeira religião de Jesus Cristo na quadra calamitosa que atravessamos.
Parabéns, parabéns.
A criação da Loja AMOR DA PÁTRIA foi em 17 dia do 6o. mês mac.’. do ano da V.’. L.’. de 5837 (06.09.1837), regularizou-se em 9o. dia do mês mac.’. do ano da V.’. L.’. de 5838 (29.04.1838), época em que foi filiada ao Grande Oriente do Brasil. De Simb.’. que era transformou-se em Cap.’. em 23o. dia do mês 2o. do ano da V.’. L.’. de 5843 (13.05.1843).
Os movimentos públicos que flagelaram esta Província pelos anos de 1844 a 1848, produziram efeitos que obrigaram-na a abater colunas pelo ano mac.’. de 5850.
Quase durante um quarto de século permaneceu ela adormecida, quando acordaram de reerguer-lhe as Colunas, o que realizou-se sob os auspícios do Grande Oriente do Lavradio em o 5o. mês da V.’. L.’. de 5874 (.07.1874), regularizando-se em Sessão Magna no dia 30o. do 10o. mês mac.’. (19.01.1875), no prédio da Aug.’. Resp.’. Loj.’. Cap.’. VIRTUDE E BONDADE, deste Oriente, sendo presidida dita sess.’. pelo Ir.’. Delegado do mesmo Gr.’. Or.’. com assistência não só da Com.’. Regularizadora como também de numerosos irmãos visitantes.
O ato esteve agradável e solene.
Depois que o Resp.’. Ir.’. Ven.’. Dr. BERNARDO VIEIRA DO CARMO recitou um brilhante discurso, seguiram-se os dos RResp.’. IIr.’. Dr. FRANCISCO DAS CHAGAS MUNIZ, Orad.’. da Loja, JOÃO D’ALMEIDA MONTEIRO, Dr. JOAQUIM JOSÉ DE ARAÚJO e Major MANOEL CLAUDINO DE ARROXELAS JAYME, Delegado do Grão-Mestre, os quais foram calorosamente aplaudidos. Foram por último encerrados os trabalhos com as formalidades de estilo”.
Seguindo ainda os passos do Ir.’. Volney Leite, verifica-se que no LABARUM (Ano II – n. 2 – 1a. pág – 18.02.1875) – coleção existente na hemeroteca do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, encontra-se este registro:
“NOTICIÁRIO – AMOR DA PÁTRIA . Dando notícia da regularização da Loj.’. Maç.’. AMOR DA PÁTRIA fizemos sentir que entre outras peças de arquitetura que foram aplaudidas calorosamente, recitou o nosso Il.’. Ir.’. João de Almeida Monteiro, negociante e Vice-Cônsul de S. M. Fidelíssima e um dos maçons que importantes e reais serviços tem prestado nesta Província”.
À pág. 2, do mesmo número do LABARUM, sob o título de LITERATURA, subtítulo DISCURSO:
“À Gl.’. do Sup.’. Arq.’. do Univ.’.
Sapient.’. Mestr.’.
Meus RResp.’. IIr.’.
Quando extasiado de inefável júbilo, ouço cânticos erguidos em honra e glória do Sup.’. Arq.’. do Univ.’., quando contemplo a singeleza e modéstia de que se reveste o nosso Aug.’. Teml.’., quando vejo reunidos no santuário da paz os beneméritos da nossa Subl.’. Ord.’., quando diviso transluzir em todos os semblantes a expansão da mais radiante alegria, minh’alma se remonta cheia do mais vivo entusiasmo à origem desta humanitária associação que no Império do Cruzeiro tem percorrido meio século de sua carreira, derramando seus benefícios, onde haja uma lágrima a enxugar, uma nudez a vestir, uma fome a saciar, onde haja um desgraçado a confortar e socorrer.
Ante as catadupas da caridade derramada por todo o orbe habitado, pelas mãos dos filhos de Hiram, a língua emudece.
O ato que motivou nossa reunião neste recinto augusto, é majestoso e solene, é nada mais que a regularização de uma Oficina, a Loja AMOR DA PÁTRIA, que reanimando suas forças abatidas, hoje ergue suas gloriosas colunas e com os seus vestidos festivais, vem tomar assento entre suas irmãs mais novas, e como mais velha prestigiar o banquete e oferecer os seus esforços para a luta que o jesuitismo levanta contra a Humanidade.
A Loja AMOR DA PÁTRIA foi nesta Província instalada ao 9o. dia do 2o. mês maç.’. de 5838 pelos esforços do nosso querido Ir.’. JOÃO FRANCISCO RÉGIS, Capitão de Mar e Guerra, regularizada pelo nosso sempre lembrado Ir.’. FLORIANO VIEIRA DEELGADO DA COSTA PERDIGÃO, então Inspetor Geral e hoje um cadáver! Rendemos culto à virtude e à honra: foi um herói que se finou, pousemos com respeito e acatamento sobre a campa augusta uma lágrima de dor e um ramo de acácia.
A luta que nesta Província se ergueu entre 1844 e 1848 dividindo e enlutando a família alagoana obrigou a Augusta Loja AMOR DA PÁTRIA abatesse as suas venerandas colunas, mas a dedicação e o amor que o humilde Maçom, que ora vos dirige a palavra, tem pela Sublime Ordem Maçônica, fez com que reunido a alguns amigos e IIr.’. reerguer as gloriosas colunas da antiga Loja e hoje a conduzem ante a pira santa e a ser regularizada.
Eis a nossa reunião. Se há nobreza e santidade neste mundo, existe por certo nas festas em que a Liberdade e a Fraternidade, de mãos dadas à Caridade, deixam de ser mitos para se constituírem Verdade – verdade que a maçonaria aceita como dogma e realiza-as praticamente.
Se as fontes dos nossos bens e males existem em nosso próprio espírito, se daí originam-se as inclinações benéficas ou maléficas, que põem em ação a força e o engenho, ora produzindo o bem, ora produzindo o mal, somos forçados a concluir que, não será a abundância de metais em nossos cofres, nem o crescido número de Irmãos que constituirão os elementos de grandeza e prosperidade.
O Boletim Oficial do GRANDE ORIENTE DO BRASIL no. 02 de 15.02.2007, na seção SUSPENSÃO DE LOJAS – ALAGOAS, publicou o seguinte: “Loja AMOR DA PÁTRIA no. 2579, ao Or.’. de Maceió – AL. Suspensa definitivamente conforme prancha 003/2007 de 26.01.2007.
GRANDE ORIENTE DO ESTADO DE ALAGOAS
Ato n. 30, de 17 de abril de 2007 da E.’. V.’.
NOMEIA VENERÁVEL PROVISÓRIO
MOAB LEITE PESSOA, Grão-Mestre em Exercício do Grande Oriente do Estado de Alagoas, integrante da Federação Maçônica do Grande Oriente do Brasil, no exercício de suas atribuições legais,
RESOLVE:
Artigo 1o. – Fica nomeado o Irmão JOSAN TENÓRIO DE ANDRADA, CIM 211.753, do quadro da Augusta e Respeitável Loja Simbólica ESTRELA DE DAVI n. 2344, Venerável Mestre Provisório da A.’. R.’. L.’. S.’. AMOR DA PÁTRIA n. 2579, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas.
Artigo 2o. – A referida Loja deverá reiniciar seus trabalhos maçônicos nesta data, devendo, após autorização do Tribunal Eleitoral Maçônico de Alagoas, realizar no próximo mês de maio eleições para compor a Diretoria definitiva biênio 2007/2011.
Artigo 3o. – Este Ato entrará em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
Dado e traçado no Gabinete do Grão-Mestrado Estadual, aos dezessete (17) dias do mês de abril do ano de dois mil e sete (2007) da E.’. V.’.
MOAB LEITE PESSOA
MARCOS ANTONIO OMENA FARIAS CARLOS GOMES DO NASCIMENTO
___________
O contrato foi renovado, firmado verbalmente em 01.03.1862. Terminando em 22.08.1873, e renovado por igual período, através do Irmão Antônio Teixeira Júnior Escova, Tesoureiro da “Virtude e Bondade”.
Em escrito anônimo no DIÁRIO de ALAGOAS de janeiro de 1867, se fazia uma campanha deletéria contra o espírito republicano. Das retaliações veementes e incessantes nasceu o pensamento republicano em se agremiar, na expectativa da vitória. Nessa falange, da qual deveriam sair presidentes da república, ministros, diplomatas, representantes do povo e também, grandes vítimas das ingratidões públicas, se encontrava o Irmão Ricardo Brennand Monteiro, secretário da “Virtude e Bondade”.
O Major Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, que nesta época ocupava a Venerança, e o Irmão Ricardo Brennand Monteiro, como Secretário, adquiriram aos treze de maio de 1869, o terreno situado na Rua Nova (atual Barão de Penedo), local onde seria construído o Templo da Loja “Virtude e Bondade”, cujo translado reproduzimos parcialmente:
“Escritura de compra e venda que fazem como vendedores o Capitão Silvestre Manoel da Silva e sua mulher Dona Maria Lemos de Couto, de um terreno vago situado na Rua Nova desta cidade, ao comprador “Virtude e Bondade”, pelo lanço e quantia de 220$000.
Distribuída ao tabelião interino Araújo Silva F. J. Reis. Saibam quantos este público instrumento de venda e compra virem, que sendo no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e sessenta e nove, aos treze dias do mês de agosto do dito ano, nesta cidade de Maceió em meu cartório compareceram as partes justas e contratadas de uma como vendedores o Capitão Silvestre Manoel da Silva e sua mulher Dona Maria Lemos de Couto e de outro como compradora a Sociedade Virtude e Bondade representada pelo presidente atual Major Manoel Claudino de Arroxelas Jayme e Secretário Ricardo Brennand Monteiro, que isto assinaram, todos moradores nesta cidade e pessoas do meu conhecimento e das testemunhas abaixo assinadas, de que dou fé, e perante mim tabelião interino disseram em presença das mesmas testemunhas o Capitão Silvestre Manoel da Silva e sua mulher Dona Maria Lemos de Couto , que eles são senhores e possuidores de um terreno vago que possuem na Rua Nova dessa cidade, contado dito terreno de junto a casa que foi do finado Domingos Bento Moeda, em direção a Boca de Maceió até fazer quina para travessa que segue ao Livramento, e nessa mesma direção segue até encontrar a casa que foi de Maria de Bulhões, fazem venda como as faço pela presente escritura vendido terem a compradora Virtude e Bondade, representados em dita compra o Major Manoel Claudino de Arroxelas Jayme e Ricardo Brennand Monteiro, pelo lanço e quantia certa de duzentos e vinte mil réis, que receberam dos compradores representados em moeda legal e corrente no Império, na ato da passagem da presente escritura, e lhes transferem todo domínio, posse direta, ação usufruto que eles vendedores têm em dito terreno vago aos compradores representados pela dita Sociedade Virtude e Bondade para tomarem posse judicial ou extra judicial quando e como quisessem, pois que eles compradores na forma e cláusula contratual desde já estão empossados na forma da Lei.
...........................................................................................................................................
E assim disseram as partes contratantes, vendedoras e compradores representantes, e lavrei a presente escritura por mim distribuída, a qual distribuição fica arquivada em meu cartório, e foram testemunhas presentes Domingos Bento da Rocha e Silva, e José Antonio Ribeiro Braga, que assinaram com as partes contratantes e declarando a vendedora não saber ler nem escrever e para ela em seu rogo assinou o doutor Januário Pereira de Carvalho, depois de lida perante todos por mim Manoel José de Araújo Silva, tabelião interino, assinam – Silvestre Manoel da Silva, José Januário Pereira de Carvalho, Manoel Claudino de Arroxelas Jayme Ricardo Brennand Monteiro. Testemunhas – Domingos Bento da Moeda e Silva, José Antonio Ribeiro Braga. E mais não continha na escritura escrita e lavrada no livro N. 27, de folhas 55v a 56 v de onde fiz este segundo translado bem e fielmente. E eu, Annibal Falcão de Lima, tabelião público, o subscrevo e assino em público e raso.
Maceió, 12 de julho de 1923
Em testemunho: ilegível
Selado com três selos de 300 réis cada.
A Loja Maçônica “Virtude e Bondade”, esteve na crista das ondas tempestuosas, travestidas em cataclismos que estiolaram as instituições constituídas, gerando insegurança, destemor e desordens gerais. A Ordem Maçônica sofreu, como organismo vivo da tessitura social, a convulsão dos movimentos revolucionários, anteriores e posteriores à Proclamação da República.
E a três de maio de 1872, quase vinte anos antes da proclamação da República, surgiu em Maceió um novo paladino da causa republicana, este com o nome de A REPÚBLICA.
Nesta fase de sua história, a Loja VIRTUDE E BONDADE esteve sob o comando do ilustre médico Dr. Joaquim José de Araújo, que foi seu Venerável mestre nos períodos de:
24.06.1873 a 1874
19.06.1874 a 1875
24.06.1875 a 1876
26.06.1876 a 1877.
RESSURGE A LOJA AMOR DA PÁTRIA. Ilustrando o que acabamos de dizer, passamos a transcrever uma pesquisa do laborioso Irmão VOLNEY CAVALCANTI LEITE (19.01.1930 – 18.11.2001), que em seus demorados e meticulosos estudos resgatou para a História o passado esquecido da maçonaria alagoana.
“Ao compulsarmos o “CADASTRO GERAL DAS LOJAS MAÇÔNICAS DO BRASIL”, edição de 1975 de Kurt Prober, notável pesquisador da Arte Real em nosso País, percebemos uma gama de fatos e fontes que estão favorecendo o aprofundamento em busca da verdade sobre a Oficina geratriz da Maçonaria alagoana.
Através da citação daquele renomado Irmão compulsamos o jornal – LABARUM – Órgão Maçônico, ano I, n. 6, editado em 16.10.1874, noticiando o necrológio do Capitão João Pedro Xavier, Venerável fundador da PERFEITA AMIZADE ALAGOANA e na edição de 08.02.1875, pág. 3, encontramos a preciosidade a seguir transcrita:
“AMOR DA PÁTRIA – Erguem-se as Colunas da Loja Maçônica AMOR DA PÁTRIA –, com obediência ao Grande Oriente do Lavradio.
A sessão de regularização esteve esplêndida e realizou-se na noite de 30 de janeiro no seio da Loja VIRTUDE E BONDADE, sita no prédio n. 37 à Rua do Imperador (Imperatriz). Às 11 horas da noite, pouco mais ou menos, depois de concluídos os trabalhos, que foram presididos pelo Ir.’. Delegado, serviu-se um suntuoso banquete em o sobrado do Sr. Vice Cônsul de S. M. Fidelíssima, o negociante João de Almeida Monteiro, que tem prestado relevantes serviços à Maçonaria. Compareceu grande número de IIr.’. e muitos convidados pertencentes a diferentes Lojas da Capital.
Dando abaixo a notícia que nos enviaram das diversas fases por que tem passado desde a sua criação a Loja AMOR DA PÁTRIA, erguemos votos muito sinceros à Providência para que auxilie e proteja a bem da Humanidade os Obreiros de tão santa instituição.
E nós, cheios de verdadeiro prazer saudamos do fundo d’alma mais esse denodado campeão que se ergue contra o despotismo, que pretende calcar ao solo o jesuitismo que espera tirar proveito da ignorância de uns e insensatez de outros.
A reorganização da Loja – AMOR DA PÁTRIA – é mais um brado que se ergue em favor da verdadeira religião de Jesus Cristo na quadra calamitosa que atravessamos.
Parabéns, parabéns.
A criação da Loja AMOR DA PÁTRIA foi em 17 dia do 6o. mês mac.’. do ano da V.’. L.’. de 5837 (06.09.1837), regularizou-se em 9o. dia do mês mac.’. do ano da V.’. L.’. de 5838 (29.04.1838), época em que foi filiada ao Grande Oriente do Brasil. De Simb.’. que era transformou-se em Cap.’. em 23o. dia do mês 2o. do ano da V.’. L.’. de 5843 (13.05.1843).
Os movimentos públicos que flagelaram esta Província pelos anos de 1844 a 1848, produziram efeitos que obrigaram-na a abater colunas pelo ano mac.’. de 5850.
Quase durante um quarto de século permaneceu ela adormecida, quando acordaram de reerguer-lhe as Colunas, o que realizou-se sob os auspícios do Grande Oriente do Lavradio em o 5o. mês da V.’. L.’. de 5874 (.07.1874), regularizando-se em Sessão Magna no dia 30o. do 10o. mês mac.’. (19.01.1875), no prédio da Aug.’. Resp.’. Loj.’. Cap.’. VIRTUDE E BONDADE, deste Oriente, sendo presidida dita sess.’. pelo Ir.’. Delegado do mesmo Gr.’. Or.’. com assistência não só da Com.’. Regularizadora como também de numerosos irmãos visitantes.
O ato esteve agradável e solene.
Depois que o Resp.’. Ir.’. Ven.’. Dr. BERNARDO VIEIRA DO CARMO recitou um brilhante discurso, seguiram-se os dos RResp.’. IIr.’. Dr. FRANCISCO DAS CHAGAS MUNIZ, Orad.’. da Loja, JOÃO D’ALMEIDA MONTEIRO, Dr. JOAQUIM JOSÉ DE ARAÚJO e Major MANOEL CLAUDINO DE ARROXELAS JAYME, Delegado do Grão-Mestre, os quais foram calorosamente aplaudidos. Foram por último encerrados os trabalhos com as formalidades de estilo”.
Seguindo ainda os passos do Ir.’. Volney Leite, verifica-se que no LABARUM (Ano II – n. 2 – 1a. pág – 18.02.1875) – coleção existente na hemeroteca do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, encontra-se este registro:
“NOTICIÁRIO – AMOR DA PÁTRIA . Dando notícia da regularização da Loj.’. Maç.’. AMOR DA PÁTRIA fizemos sentir que entre outras peças de arquitetura que foram aplaudidas calorosamente, recitou o nosso Il.’. Ir.’. João de Almeida Monteiro, negociante e Vice-Cônsul de S. M. Fidelíssima e um dos maçons que importantes e reais serviços tem prestado nesta Província”.
À pág. 2, do mesmo número do LABARUM, sob o título de LITERATURA, subtítulo DISCURSO:
“À Gl.’. do Sup.’. Arq.’. do Univ.’.
Sapient.’. Mestr.’.
Meus RResp.’. IIr.’.
Quando extasiado de inefável júbilo, ouço cânticos erguidos em honra e glória do Sup.’. Arq.’. do Univ.’., quando contemplo a singeleza e modéstia de que se reveste o nosso Aug.’. Teml.’., quando vejo reunidos no santuário da paz os beneméritos da nossa Subl.’. Ord.’., quando diviso transluzir em todos os semblantes a expansão da mais radiante alegria, minh’alma se remonta cheia do mais vivo entusiasmo à origem desta humanitária associação que no Império do Cruzeiro tem percorrido meio século de sua carreira, derramando seus benefícios, onde haja uma lágrima a enxugar, uma nudez a vestir, uma fome a saciar, onde haja um desgraçado a confortar e socorrer.
Ante as catadupas da caridade derramada por todo o orbe habitado, pelas mãos dos filhos de Hiram, a língua emudece.
O ato que motivou nossa reunião neste recinto augusto, é majestoso e solene, é nada mais que a regularização de uma Oficina, a Loja AMOR DA PÁTRIA, que reanimando suas forças abatidas, hoje ergue suas gloriosas colunas e com os seus vestidos festivais, vem tomar assento entre suas irmãs mais novas, e como mais velha prestigiar o banquete e oferecer os seus esforços para a luta que o jesuitismo levanta contra a Humanidade.
A Loja AMOR DA PÁTRIA foi nesta Província instalada ao 9o. dia do 2o. mês maç.’. de 5838 pelos esforços do nosso querido Ir.’. JOÃO FRANCISCO RÉGIS, Capitão de Mar e Guerra, regularizada pelo nosso sempre lembrado Ir.’. FLORIANO VIEIRA DEELGADO DA COSTA PERDIGÃO, então Inspetor Geral e hoje um cadáver! Rendemos culto à virtude e à honra: foi um herói que se finou, pousemos com respeito e acatamento sobre a campa augusta uma lágrima de dor e um ramo de acácia.
A luta que nesta Província se ergueu entre 1844 e 1848 dividindo e enlutando a família alagoana obrigou a Augusta Loja AMOR DA PÁTRIA abatesse as suas venerandas colunas, mas a dedicação e o amor que o humilde Maçom, que ora vos dirige a palavra, tem pela Sublime Ordem Maçônica, fez com que reunido a alguns amigos e IIr.’. reerguer as gloriosas colunas da antiga Loja e hoje a conduzem ante a pira santa e a ser regularizada.
Eis a nossa reunião. Se há nobreza e santidade neste mundo, existe por certo nas festas em que a Liberdade e a Fraternidade, de mãos dadas à Caridade, deixam de ser mitos para se constituírem Verdade – verdade que a maçonaria aceita como dogma e realiza-as praticamente.
Se as fontes dos nossos bens e males existem em nosso próprio espírito, se daí originam-se as inclinações benéficas ou maléficas, que põem em ação a força e o engenho, ora produzindo o bem, ora produzindo o mal, somos forçados a concluir que, não será a abundância de metais em nossos cofres, nem o crescido número de Irmãos que constituirão os elementos de grandeza e prosperidade.
O Boletim Oficial do GRANDE ORIENTE DO BRASIL no. 02 de 15.02.2007, na seção SUSPENSÃO DE LOJAS – ALAGOAS, publicou o seguinte: “Loja AMOR DA PÁTRIA no. 2579, ao Or.’. de Maceió – AL. Suspensa definitivamente conforme prancha 003/2007 de 26.01.2007.
GRANDE ORIENTE DO ESTADO DE ALAGOAS
Ato n. 30, de 17 de abril de 2007 da E.’. V.’.
NOMEIA VENERÁVEL PROVISÓRIO
MOAB LEITE PESSOA, Grão-Mestre em Exercício do Grande Oriente do Estado de Alagoas, integrante da Federação Maçônica do Grande Oriente do Brasil, no exercício de suas atribuições legais,
RESOLVE:
Artigo 1o. – Fica nomeado o Irmão JOSAN TENÓRIO DE ANDRADA, CIM 211.753, do quadro da Augusta e Respeitável Loja Simbólica ESTRELA DE DAVI n. 2344, Venerável Mestre Provisório da A.’. R.’. L.’. S.’. AMOR DA PÁTRIA n. 2579, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas.
Artigo 2o. – A referida Loja deverá reiniciar seus trabalhos maçônicos nesta data, devendo, após autorização do Tribunal Eleitoral Maçônico de Alagoas, realizar no próximo mês de maio eleições para compor a Diretoria definitiva biênio 2007/2011.
Artigo 3o. – Este Ato entrará em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
Dado e traçado no Gabinete do Grão-Mestrado Estadual, aos dezessete (17) dias do mês de abril do ano de dois mil e sete (2007) da E.’. V.’.
MOAB LEITE PESSOA
MARCOS ANTONIO OMENA FARIAS CARLOS GOMES DO NASCIMENTO
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Lojas antigas
LOJA PERFEITA AMIZADE ALAGOANA. A Sublime Loja Maçônica “Perfeita Amizade Alagoana” foi fundada no Oriente de Maceió-Alagoas, no dia 1o. de junho de 1868, e regularizada em 28 de setembro do mesmo ano, por breve constitucional de 21 de julho de 1868.
Aos 11 dias do mês de setembro de 1868, dá entrada na Secretaria da Loja Maçônica “Perfeita Amizade Alagoana”, uma prancha da Grande Secretaria do Grande Oriente do Brasil, ao Vale do Lavradio, nomeando o seu Representante nesta Província, o Dr. JOSÉ ANTÔNIO DE MAGALHÃES BASTOS, 30o. Grau, para proceder à Regularização da Augusta Loja “Perfeita Amizade Alagoana”.
No dia 28.09.1868 deu-se a grande solenidade de Regularização da “Perfeita Amizade Alagoana”, e Sagração do Templo. A Comissão para receber o Representante do Grande Oriente do Brasil e membro da Loja “Virtude e Bondade”, foi composta pelos Irmãos Tibúrcio Valeriano da Rocha Lins, Orador; Sr. Afonso Efigênio do Rosário, Secretário; e Sr. Alferes José Alves de Souza, Tesoureiro.
Em 24.10.1868 a Augusta Loja “Perfeita Amizade Alagoana” outorga o título de Membro Honorário ao Respeitável e Poderoso Irmão Dr. José Antônio de Magalhães Bastos, Grau 33o., e ao Sr. Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, Grau 33o. , também membro da Loja “Virtude e Bondade”.
Em 05.12.1868 o Irmão Dr. Miguel Felício Bastos da Silva, 18o., obreiro da Loja “Virtude e Bondade”, se filiou à “Perfeita Amizade Alagoana”, e no dia 22.12.1868, o Ten. Coronel Santa Cruz de Oliveira, 18o., igualmente obreiro da “Virtude e Bondade”, se filia à “Perfeita Amizade Alagoana”.
Transcrevemos agora um apontamento assaz interessante, e como os acima, colhido no Livro de Atas da “Perfeita Amizade Alagoana”:
Em 07.12.1868, o Venerável Mestre da Loja “Perfeita Amizade Alagoana”, Major João Pedro Xavier, comunica que a nossa co-irmã, a “Virtude e Bondade”, estava coberta de crepe pelo passamento do nosso Irmão José Felipe da Silva Rodrigues, e agradeceu à Comissão que o acompanhou ao seu último jazigo. Comunicou mais que a viúva ficou desamparada e com 5 filhos órfãos, pois os dois mais velhos estavam na guerra e conquanto o finado não fizesse parte do nosso augusto quadro, todavia não devíamos esperar que a viúva estendesse a mão para esmolar o óbulo da caridade, e por isso era de opinião que abríssemos uma subscrição entre nós para lhe ser enviada o mais breve possível, o que ela produzisse.
Posta em votação foi aprovada por unanimidade (pág. 40).
PALESTRA DE ANIVERSÁRIO. -Nesta noite histórica a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Perfeita Amizade Alagoana, engalana-se em seu majestoso Templo completando cento e vinte e quatro anos de vida. Se não tivesse sofrido a interrupção de seus trabalhos de 1883 a 1889 e de 1937 a 1938, seriam cento e trinta e dois anos desde a origem de 1868 até este mês de junho de 2000.
Setenta e cinco diretorias representam a sua biografia encontrada na escrituração de seu arquivo. Instituição que não tem arquivo, não pode contar a sua história.
Esta Loja sempre foi agradecida ao grande Oriente do Brasil. Apesar de raras escaramuças constitutivas, dele nunca se afastou. Podemos considerá-la vanguardeira de movimentos cívicos libertadores e humanitários. Os registros de Atas do pretérito ainda resistentes à ação demolidora do tempo – mas repletos de lances empolgantes – testemunham a participação responsável desta Instituição impregnada de ações culturais e éticas iluminando a trajetória de seu destino.
Herdeira, em igualdade de condições às similares da Federação, de uma tradição iniciática, filosófica, progressista e filantrópica, outrora no salão de recepção reuniam-se os integrantes da Liga Alagoana Contra o Analfabetismo, atendendo aos interesses de natureza especulativa de quantos necessitavam de sua valiosa assistência social.
No ano de 1949, na gestão de Osório Amorim Braga, houve em Maceió um inverno rigoroso com chuvas prolongadas. O pequenino e inofensivo riacho Reginaldo (outros o chamam Salgadinho), repentinamente se tornou caprichoso e turbulento: extrapolou as margens do percurso e se espalhou derrubando barreiras da Rua Barão de Atalaia, soterrando pessoas e a semear o pânico em nossa capital.
Naquele transe crítico, A Perfeita Amizade Alagoana posicionou-se na linha de frente: conseguiu víveres nos setores mercantis, agasalhos e remédios, socorrendo os flagelados que perderem imóveis, bens domésticos e ficaram numa situação dolorosa e difícil.
Em 1978, quando na Perfeita Amizade Alagoana fundou-se a Fé, Amor e Bondade no Rito Adoniramita, o Poder Central determinou um seminário maçônico para as entidades de sua jurisdição. Como lembrança pelo desempenho naquele seminário, recebemos do Venerável Cleto Marques Luz – in memoriam – uma caneta de ouro com o nome gravado e um disco RCA que guardamos conosco, porque são verdadeiros relicários de uma amizade saudosa, inesquecível.
Em 1979, após diversas pranchas justificando ao Grande Oriente do Brasil a necessidade de um corpo superior representativo do Poder Central, amparado pelo Regulamento gral da Ordem (hoje se diz Federação), foi fundado na Perfeita Amizade Alagoana o nosso Grande Oriente Estadual, com apoio das Lojas Simbólicas, principalmente da Virtude e Bondade.
Viajamos várias vezes em comitiva expressiva de obreiros, visitando os Maçons residentes em Marechal Deodoro, Penedo, Palmeira dos Índios, Arapiraca e Santana do Ipanema. A finalidade da excursão foi apresentarmos ao vivo, o talentoso candidato José Pereira de Lucena, o qual se elegeu para o Grão-Mestrado local com significativa votação.
A Perfeita Amizade Alagoana nasceu no Rito Adoniramita em 01.06.1868, permanecendo nele até o ano de 1882, pois de 1883 a 1889, não se encontram no arquivo balaústres referentes àquele período. Há, porém, os nomes de dezessete maçons que levantaram a Loja em janeiro de 1890. Não vamos ler o quadro diretoriano fundador e nem a relação dos que soergueram as colunas com força e vigor, pois isto não interessa e tornaria enfadonha esta palestra.
Os dados que encontramos habilitam-nos a dizer que, a Loja teve doze diretorias no Rito Adoniramita até 1882, através das urnas, e naturalmente, mais quatro de 1890 a 1894, totalizando dezesseis. De 1894 com a mudança para o Rito Escocês Antigo e Aceito até este ano 2000, 59 administrações; conseqüentemente, a Loja Perfeita Amizade Alagoana teve 75 diretorias, desde a sua origem até o presente momento.
Cremos que, ninguém possui elementos sabendo a razão do adormecimento. Apenas se presume que, sendo a penúltima década do século XIX, tenha havido efervescência política entre escravocratas e abolicionistas, monarquistas e republicanos de seu quadro. Teria sido por causa desta conjectura, que os Irmãos resolveram encerrar provisoriamente as atividades, com receio de perseguição das autoridades mantenedoras do regime imperial? Infelizmente, não podemos afirmar e nem negar a motivação.
Dos Maçons do pretérito, como estrela de primeira grandeza, há no livro de registros cadastrais número 1, página 11, matrícula 159, o nome de Floriano Vieira Peixoto, iniciado em 1870, com 31 anos de idade.
.O livro número 1 da Loja registra-o com o pseudônimo Alexandre Magno, tradição do Rito Adoniramita. Nasceu em Ipioca – Alagoas.
No livro Maceió – 180 Anos, descobrimos três ilustres Maçons que foram prefeitos desta Capital: “Clarêncio da Silva Jucá”, em 1897. Melhorou o calçamento das ruas, o serviço de iluminação elétrica, equilibrou o orçamento e promoveu a mudança do prédio da Rua 1o. de Março (hoje Avenida Moreira Lima), para a Rua Barão de Maceió. Manoel Sampaio Marques, em 1906. Procurou solucionar o problema do transporte da Capital, arborizou a Rua Barão de Anadia, a Praça da Enfermaria Militar e reformou o Mercado Municipal. Esse Irmão, médico muito conhecido, ocupou a Venerança de 1900 a 1901 e de 1933 a 1935. Joaquim de Barros Leão em 1951 a 1952. Foi deputado estadual por duas legislaturas. Fundou a Cooperativa Banco dos Retalhistas, a Aliança Comercial dos Retalhistas e a Escola de Comércio. Dirigiu o Orfanato São Domingos durante 22 anos. Foi membro do Conselho de Representação da Escola Técnica de Comércio; do Conselho Fiscal do Banco do Estado; Secretário do Jornal de Alagoas e membro do Rotary Club. Na presidência do Centro Espírita William Crookes, criou o Lar das Velhinhas e outras instituições de caridade”. O obreiro exercia a Venerança de 1937 a 1939 naquele período do Estado Novo, quando Getúlio Vargas fechou a Maçonaria em todo o País, de setembro de 1937 a outubro de 1938.
Transcrição de trechos da palestra proferida na noite de 01 de junho de 2000, pelo Irmão Ricardo Rezende Marsicano, CIM - 046532.
RECUPERAÇÃO DO TEMPLO. – Engalanou-se festivamente em Sessão Magna no dia 31 de janeiro de 1968 para comemorar a recuperação do seu Augusto Templo, e demais dependências do prédio onde funciona, a mais que centenária, Augusta e Respeitável Loja Maçônica “Perfeita Amizade Alagoana” n. 181, do Oriente de Maceió, após ter sido vítima de um acidente de grandes proporções, em maio de 1997, que deixou o Templo em ruínas.
Ven. Mestre e Imortal Membro da Academia Maçônica de Letras do Estado de Alagoas, Irmão Klinger da Costa Bezerra, juntamente com sua Diretoria, e contando com os Irmãos ativos do Quadro da Loja, trabalharam sem descanso e enfrentando todo tipo de problema, durante oito longos meses, em busca de seu ideal maior – a recuperação do August Templo.
Aos 11 dias do mês de setembro de 1868, dá entrada na Secretaria da Loja Maçônica “Perfeita Amizade Alagoana”, uma prancha da Grande Secretaria do Grande Oriente do Brasil, ao Vale do Lavradio, nomeando o seu Representante nesta Província, o Dr. JOSÉ ANTÔNIO DE MAGALHÃES BASTOS, 30o. Grau, para proceder à Regularização da Augusta Loja “Perfeita Amizade Alagoana”.
No dia 28.09.1868 deu-se a grande solenidade de Regularização da “Perfeita Amizade Alagoana”, e Sagração do Templo. A Comissão para receber o Representante do Grande Oriente do Brasil e membro da Loja “Virtude e Bondade”, foi composta pelos Irmãos Tibúrcio Valeriano da Rocha Lins, Orador; Sr. Afonso Efigênio do Rosário, Secretário; e Sr. Alferes José Alves de Souza, Tesoureiro.
Em 24.10.1868 a Augusta Loja “Perfeita Amizade Alagoana” outorga o título de Membro Honorário ao Respeitável e Poderoso Irmão Dr. José Antônio de Magalhães Bastos, Grau 33o., e ao Sr. Manoel Claudino de Arroxelas Jayme, Grau 33o. , também membro da Loja “Virtude e Bondade”.
Em 05.12.1868 o Irmão Dr. Miguel Felício Bastos da Silva, 18o., obreiro da Loja “Virtude e Bondade”, se filiou à “Perfeita Amizade Alagoana”, e no dia 22.12.1868, o Ten. Coronel Santa Cruz de Oliveira, 18o., igualmente obreiro da “Virtude e Bondade”, se filia à “Perfeita Amizade Alagoana”.
Transcrevemos agora um apontamento assaz interessante, e como os acima, colhido no Livro de Atas da “Perfeita Amizade Alagoana”:
Em 07.12.1868, o Venerável Mestre da Loja “Perfeita Amizade Alagoana”, Major João Pedro Xavier, comunica que a nossa co-irmã, a “Virtude e Bondade”, estava coberta de crepe pelo passamento do nosso Irmão José Felipe da Silva Rodrigues, e agradeceu à Comissão que o acompanhou ao seu último jazigo. Comunicou mais que a viúva ficou desamparada e com 5 filhos órfãos, pois os dois mais velhos estavam na guerra e conquanto o finado não fizesse parte do nosso augusto quadro, todavia não devíamos esperar que a viúva estendesse a mão para esmolar o óbulo da caridade, e por isso era de opinião que abríssemos uma subscrição entre nós para lhe ser enviada o mais breve possível, o que ela produzisse.
Posta em votação foi aprovada por unanimidade (pág. 40).
PALESTRA DE ANIVERSÁRIO. -Nesta noite histórica a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Perfeita Amizade Alagoana, engalana-se em seu majestoso Templo completando cento e vinte e quatro anos de vida. Se não tivesse sofrido a interrupção de seus trabalhos de 1883 a 1889 e de 1937 a 1938, seriam cento e trinta e dois anos desde a origem de 1868 até este mês de junho de 2000.
Setenta e cinco diretorias representam a sua biografia encontrada na escrituração de seu arquivo. Instituição que não tem arquivo, não pode contar a sua história.
Esta Loja sempre foi agradecida ao grande Oriente do Brasil. Apesar de raras escaramuças constitutivas, dele nunca se afastou. Podemos considerá-la vanguardeira de movimentos cívicos libertadores e humanitários. Os registros de Atas do pretérito ainda resistentes à ação demolidora do tempo – mas repletos de lances empolgantes – testemunham a participação responsável desta Instituição impregnada de ações culturais e éticas iluminando a trajetória de seu destino.
Herdeira, em igualdade de condições às similares da Federação, de uma tradição iniciática, filosófica, progressista e filantrópica, outrora no salão de recepção reuniam-se os integrantes da Liga Alagoana Contra o Analfabetismo, atendendo aos interesses de natureza especulativa de quantos necessitavam de sua valiosa assistência social.
No ano de 1949, na gestão de Osório Amorim Braga, houve em Maceió um inverno rigoroso com chuvas prolongadas. O pequenino e inofensivo riacho Reginaldo (outros o chamam Salgadinho), repentinamente se tornou caprichoso e turbulento: extrapolou as margens do percurso e se espalhou derrubando barreiras da Rua Barão de Atalaia, soterrando pessoas e a semear o pânico em nossa capital.
Naquele transe crítico, A Perfeita Amizade Alagoana posicionou-se na linha de frente: conseguiu víveres nos setores mercantis, agasalhos e remédios, socorrendo os flagelados que perderem imóveis, bens domésticos e ficaram numa situação dolorosa e difícil.
Em 1978, quando na Perfeita Amizade Alagoana fundou-se a Fé, Amor e Bondade no Rito Adoniramita, o Poder Central determinou um seminário maçônico para as entidades de sua jurisdição. Como lembrança pelo desempenho naquele seminário, recebemos do Venerável Cleto Marques Luz – in memoriam – uma caneta de ouro com o nome gravado e um disco RCA que guardamos conosco, porque são verdadeiros relicários de uma amizade saudosa, inesquecível.
Em 1979, após diversas pranchas justificando ao Grande Oriente do Brasil a necessidade de um corpo superior representativo do Poder Central, amparado pelo Regulamento gral da Ordem (hoje se diz Federação), foi fundado na Perfeita Amizade Alagoana o nosso Grande Oriente Estadual, com apoio das Lojas Simbólicas, principalmente da Virtude e Bondade.
Viajamos várias vezes em comitiva expressiva de obreiros, visitando os Maçons residentes em Marechal Deodoro, Penedo, Palmeira dos Índios, Arapiraca e Santana do Ipanema. A finalidade da excursão foi apresentarmos ao vivo, o talentoso candidato José Pereira de Lucena, o qual se elegeu para o Grão-Mestrado local com significativa votação.
A Perfeita Amizade Alagoana nasceu no Rito Adoniramita em 01.06.1868, permanecendo nele até o ano de 1882, pois de 1883 a 1889, não se encontram no arquivo balaústres referentes àquele período. Há, porém, os nomes de dezessete maçons que levantaram a Loja em janeiro de 1890. Não vamos ler o quadro diretoriano fundador e nem a relação dos que soergueram as colunas com força e vigor, pois isto não interessa e tornaria enfadonha esta palestra.
Os dados que encontramos habilitam-nos a dizer que, a Loja teve doze diretorias no Rito Adoniramita até 1882, através das urnas, e naturalmente, mais quatro de 1890 a 1894, totalizando dezesseis. De 1894 com a mudança para o Rito Escocês Antigo e Aceito até este ano 2000, 59 administrações; conseqüentemente, a Loja Perfeita Amizade Alagoana teve 75 diretorias, desde a sua origem até o presente momento.
Cremos que, ninguém possui elementos sabendo a razão do adormecimento. Apenas se presume que, sendo a penúltima década do século XIX, tenha havido efervescência política entre escravocratas e abolicionistas, monarquistas e republicanos de seu quadro. Teria sido por causa desta conjectura, que os Irmãos resolveram encerrar provisoriamente as atividades, com receio de perseguição das autoridades mantenedoras do regime imperial? Infelizmente, não podemos afirmar e nem negar a motivação.
Dos Maçons do pretérito, como estrela de primeira grandeza, há no livro de registros cadastrais número 1, página 11, matrícula 159, o nome de Floriano Vieira Peixoto, iniciado em 1870, com 31 anos de idade.
.O livro número 1 da Loja registra-o com o pseudônimo Alexandre Magno, tradição do Rito Adoniramita. Nasceu em Ipioca – Alagoas.
No livro Maceió – 180 Anos, descobrimos três ilustres Maçons que foram prefeitos desta Capital: “Clarêncio da Silva Jucá”, em 1897. Melhorou o calçamento das ruas, o serviço de iluminação elétrica, equilibrou o orçamento e promoveu a mudança do prédio da Rua 1o. de Março (hoje Avenida Moreira Lima), para a Rua Barão de Maceió. Manoel Sampaio Marques, em 1906. Procurou solucionar o problema do transporte da Capital, arborizou a Rua Barão de Anadia, a Praça da Enfermaria Militar e reformou o Mercado Municipal. Esse Irmão, médico muito conhecido, ocupou a Venerança de 1900 a 1901 e de 1933 a 1935. Joaquim de Barros Leão em 1951 a 1952. Foi deputado estadual por duas legislaturas. Fundou a Cooperativa Banco dos Retalhistas, a Aliança Comercial dos Retalhistas e a Escola de Comércio. Dirigiu o Orfanato São Domingos durante 22 anos. Foi membro do Conselho de Representação da Escola Técnica de Comércio; do Conselho Fiscal do Banco do Estado; Secretário do Jornal de Alagoas e membro do Rotary Club. Na presidência do Centro Espírita William Crookes, criou o Lar das Velhinhas e outras instituições de caridade”. O obreiro exercia a Venerança de 1937 a 1939 naquele período do Estado Novo, quando Getúlio Vargas fechou a Maçonaria em todo o País, de setembro de 1937 a outubro de 1938.
Transcrição de trechos da palestra proferida na noite de 01 de junho de 2000, pelo Irmão Ricardo Rezende Marsicano, CIM - 046532.
RECUPERAÇÃO DO TEMPLO. – Engalanou-se festivamente em Sessão Magna no dia 31 de janeiro de 1968 para comemorar a recuperação do seu Augusto Templo, e demais dependências do prédio onde funciona, a mais que centenária, Augusta e Respeitável Loja Maçônica “Perfeita Amizade Alagoana” n. 181, do Oriente de Maceió, após ter sido vítima de um acidente de grandes proporções, em maio de 1997, que deixou o Templo em ruínas.
Ven. Mestre e Imortal Membro da Academia Maçônica de Letras do Estado de Alagoas, Irmão Klinger da Costa Bezerra, juntamente com sua Diretoria, e contando com os Irmãos ativos do Quadro da Loja, trabalharam sem descanso e enfrentando todo tipo de problema, durante oito longos meses, em busca de seu ideal maior – a recuperação do August Templo.
Retrato antigo
O BAIRRO DE FERNÃO VELHO. – Localizado numa estreita faixa de terra, entre o planalto do taboleiro e a lagoa Mundaú, em meados do século XVIII ergueu-se um Engenho Bangüê, que levou o nome de seu fundador e filho de emigrantes portugueses, “Fernão Dias Velho”, que recebeu do Imperador Pedro II, o Título de Sesmeiro, para promover o desenvolvimento da região.
Durante várias décadas, as moendas do Engenho de Fernão Velho produziram mel e açúcar, que eram transportados em lombo de animais, até o porto de Maceió.
A FÁBRICA CARMEN. Inicialmente chamada de União Mercantil, foi fundada em 31 de janeiro de 1857, por uma Associação de Ilustres e Senhores da época, sob a presidência do Conselheiro Antônio Coelho de Sá e Albuquerque.
A idéia da Fábrica, contudo, foi do rico empresário José Antônio de Mendonça (Barão de Jaraguá) que, de sua parte, empregou na obra a quantia de 200.000$000 (duzentos contos de réis). Mas a Província de Alagoas procurou ajudar o empreendimento com 30.000$000 (trinta contos de réis), e mais tarde 26.000$000 (vinte e seis contos de réis), pagáveis em vinte anos.
Em 1870, a fábrica teve seu capital elevado para 300.000$000 (trezentos contos de réis), e foi adquirida pelo rico empresário, Comendador Jacinto José Nunes Leite, que a ampliou e mandou construir a estrada, ligando Fernão Velho a Bebedouro, trabalho entregue ao mestre geral da Fábrica, José de Souza Araújo.
Depois de algum tempo, a Fábrica passou a pertencer à família Othon Bezerra de Mello.
O BAIRRO DE JARAGUÁ. - Em relatório de 1857, o presidente Sá e Albuquerque informa que mandou abrir uma estrada ligando Jaraguá a Mangabeiras para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas oriundos do norte. É a atual avenida Comendador Leão, a primeira a ser traçada no sentido perpendicular à orla marítima. Em 1866 existiam, as seguintes ruas no bairro: rua do Amorim (Cel. Pedro Lima), rua do Oitizeiro (avenida Maceió) e rua do Bom Retiro (Melo e Povoas).
As construções residenciais, casas comerciais e trapiches aceleraram a evolução do bairro, que foi se ampliando e se tornou um ativo empório comercial.
O primeiro trapiche surgiu entre a segunda e a terceira década do século passado, a mando do rico português José Antonio Aguiar. Faziam-se necessários os trapiches, pois os escravos eram obrigados a carregar sacos de açúcar e fardos de algodão na cabeça até os botes e barcaças ancorados o mais próximo possível da praia e, pelo contato contínuo com a água, muitos deles ficavam doentes e morriam – o que representava prejuízo.
Os trapiches eram de taipa ou de tijolos, recobertos com telhas fabricadas em Satuba. Nas pontes feitas de maçaranduba ou sucupira, eram colocados guindastes, para facilitar a tarefa de embarque e desembarque, pois nelas atracavam as embarcações sem necessidade de transbordo.
No ano de 1862, Manoel Guilhermino de Alcântara, sugeriu aos demais Maçons de Maceió, companheiros de duras caminhadas, a conveniência de ser fundada outra Loja maçônica, em substituição da “Amor da Pátria”, que havia abatido colunas, e a idéia foi prontamente acolhida por todos, que a seguir tomaram as medidas necessárias no sentido de concretização da idéia e a reimplantação do ideal maçônico na próspera metrópole que despontava.Infelizmente o velho mestre não chegou a ver coroado o fruto dos seus esforços, sucumbindo ao peso dos anos.
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. Em 22 de julho de 1866, na sede da Sociedade Dramática Particular Maceioense, no prédio do Teatro Maceioense (na antiga rua do Rosário, atual João Pessoa), atendendo convite de José Joaquim de Oliveira, vinte e oito comerciantes se reuniram para tratar da fundação de uma associação que abrigasse os interesses da classe. Ao final, foi aclamada, unanimemente, sua primeira diretoria: José Joaquim de Oliveira (presidente provisório), José Virgínio Teixeira de Araújo (secretário) e Francisco de Vasconcelos Mendonça (tesoureiro).
Vinte desses negociantes eram exportadores de algodão, produto que atravessava fase de grane expansão devido à procura pelo mercado inglês, em plena revolução industrial. Apenas oito exportavam açúcar, produto que estava relegado a segundo plano.
Quando da fundação da Associação Comercial, Maceió possuía 27.437 habitantes, e as ruas da cidade eram iluminadas por cento e vinte lampiões a querosene, que eram acesos “desde o escurecer até ao raiar da aurora e nas noites de luar toda vez que a lua estiver sobre o horizonte”. Três empresas nacionais de navegação mantinham escala de seus navios no porto de Jaraguá: Cia. Brasileira de Paquetes a Vapor, Cia. Bahiana de Navegação e Cia. Pernambucana de Navegação.
O Dr. Ib Gatto ratificando a história diz que, para a construção do Palácio do Comércio foram importados três pedreiros. Madalhas, Pinheiro e Almeida. O primeiro anunciava seus serviços pelo jornal, como se fosse um engenheiro. O segundo, até gerou família na capital Alagoana. O terceiro tornou-se bastante popular pela construção de prédios residenciais. Foi este que morreu afogado na praia do Sobral (Notícias da Semana – Informativo da Associação Comercial de Maceió, 11 de agosto de 2006)..
Em 1868, foi inaugurado o ramal férreo entre Jaraguá e o centro de Maceió. Na Praça Rayol eram realizadas animadas festas de Natal e Ano Novo, com os folguedos da época. O bonde parava na Estrada Nova (Comendador Leão), que era toda residencial, e desembarcava os passageiros, que pagavam 300 réis pela passagem.
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE MACEIÓ. A pedra fundamental do Hospital da Cidade de Maceió, foi lançada às 16 horas do dia 7 de setembro de 1851. A idéia da fundação partiu do padre João Barbosa Cordeiro, manifestada em carta de 4 de julho de 1851, que para a sua concretização, concorreu com o rendimento da desobriga de sua paróquia.
Na sobredita pedra se enterrou uma lâmina de chumbo contendo a seguinte inscrição: “Hospital dos Enfermos Desvalidos, fundado nesta freguesia e cidade de Maceió, capital das Alagoas, no dia 7 de setembro de 1851, 29o. aniversário da Independência do Império do Brasil sob aos auspícios do Ilmo. Sr. Dr. Manoel Sobral Pinto, vice-presidente da Província, sendo vigário o padre José Barbosa Cordeiro, do qual hospital é padroeiro o Senhor Bom Jesus dos Aflitos e para constar se mandou lavrar o presente termo neste livro em que assinarão as pessoas que se oferecerem; e eu, Francisco das Chagas Muniz, secretário da Câmara a escrevi”.
O cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia, instituído pelo artigo 22 do Compromisso da Irmandade da Santa casa de Misericórdia da Cidade de Maceió, aprovado em 23 de abril de 1857, não era remunerado. Com a criação do cargo de administrador, de livre nomeação e demissão do governo da Província, a partir de 1871, o ocupante passou a ocupar funções remuneradas desse cargo com a de provedor. No período de 1856 a 1857, nela estavam atuando os médicos José Antônio Bahia da Cunha, Possidônio de Mello Accioly, José Antônio Lopes, Francisco Homem de Carvalho e João Francisco Dias Cabral. Provedores, nessa mesma fase: o coronel Manoel da Costa Moraes, tenente-coronel Francisco de Paula Mesquita Cerqueira, capitão José de Mello Vasconcelos Castro, capitão Miguel Joaquim Ramos de Moraes, Dr. José Antônio de Magalhães Bastos, capitão Adolfo de Barros Corrêa, major Manoel Martins de Miranda e mais o Dr. Manoel Lourenço da Silveira e Alípio A. da Silva Freire, que atuaram no impedimento dos titulares.
Em agosto de 1860, o Hospital da Caridade de Maceió, compunha-se de duas salas espaçosas, que serviam de enfermarias para as pessoas de diferentes sexos.
Durante várias décadas, as moendas do Engenho de Fernão Velho produziram mel e açúcar, que eram transportados em lombo de animais, até o porto de Maceió.
A FÁBRICA CARMEN. Inicialmente chamada de União Mercantil, foi fundada em 31 de janeiro de 1857, por uma Associação de Ilustres e Senhores da época, sob a presidência do Conselheiro Antônio Coelho de Sá e Albuquerque.
A idéia da Fábrica, contudo, foi do rico empresário José Antônio de Mendonça (Barão de Jaraguá) que, de sua parte, empregou na obra a quantia de 200.000$000 (duzentos contos de réis). Mas a Província de Alagoas procurou ajudar o empreendimento com 30.000$000 (trinta contos de réis), e mais tarde 26.000$000 (vinte e seis contos de réis), pagáveis em vinte anos.
Em 1870, a fábrica teve seu capital elevado para 300.000$000 (trezentos contos de réis), e foi adquirida pelo rico empresário, Comendador Jacinto José Nunes Leite, que a ampliou e mandou construir a estrada, ligando Fernão Velho a Bebedouro, trabalho entregue ao mestre geral da Fábrica, José de Souza Araújo.
Depois de algum tempo, a Fábrica passou a pertencer à família Othon Bezerra de Mello.
O BAIRRO DE JARAGUÁ. - Em relatório de 1857, o presidente Sá e Albuquerque informa que mandou abrir uma estrada ligando Jaraguá a Mangabeiras para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas oriundos do norte. É a atual avenida Comendador Leão, a primeira a ser traçada no sentido perpendicular à orla marítima. Em 1866 existiam, as seguintes ruas no bairro: rua do Amorim (Cel. Pedro Lima), rua do Oitizeiro (avenida Maceió) e rua do Bom Retiro (Melo e Povoas).
As construções residenciais, casas comerciais e trapiches aceleraram a evolução do bairro, que foi se ampliando e se tornou um ativo empório comercial.
O primeiro trapiche surgiu entre a segunda e a terceira década do século passado, a mando do rico português José Antonio Aguiar. Faziam-se necessários os trapiches, pois os escravos eram obrigados a carregar sacos de açúcar e fardos de algodão na cabeça até os botes e barcaças ancorados o mais próximo possível da praia e, pelo contato contínuo com a água, muitos deles ficavam doentes e morriam – o que representava prejuízo.
Os trapiches eram de taipa ou de tijolos, recobertos com telhas fabricadas em Satuba. Nas pontes feitas de maçaranduba ou sucupira, eram colocados guindastes, para facilitar a tarefa de embarque e desembarque, pois nelas atracavam as embarcações sem necessidade de transbordo.
No ano de 1862, Manoel Guilhermino de Alcântara, sugeriu aos demais Maçons de Maceió, companheiros de duras caminhadas, a conveniência de ser fundada outra Loja maçônica, em substituição da “Amor da Pátria”, que havia abatido colunas, e a idéia foi prontamente acolhida por todos, que a seguir tomaram as medidas necessárias no sentido de concretização da idéia e a reimplantação do ideal maçônico na próspera metrópole que despontava.Infelizmente o velho mestre não chegou a ver coroado o fruto dos seus esforços, sucumbindo ao peso dos anos.
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. Em 22 de julho de 1866, na sede da Sociedade Dramática Particular Maceioense, no prédio do Teatro Maceioense (na antiga rua do Rosário, atual João Pessoa), atendendo convite de José Joaquim de Oliveira, vinte e oito comerciantes se reuniram para tratar da fundação de uma associação que abrigasse os interesses da classe. Ao final, foi aclamada, unanimemente, sua primeira diretoria: José Joaquim de Oliveira (presidente provisório), José Virgínio Teixeira de Araújo (secretário) e Francisco de Vasconcelos Mendonça (tesoureiro).
Vinte desses negociantes eram exportadores de algodão, produto que atravessava fase de grane expansão devido à procura pelo mercado inglês, em plena revolução industrial. Apenas oito exportavam açúcar, produto que estava relegado a segundo plano.
Quando da fundação da Associação Comercial, Maceió possuía 27.437 habitantes, e as ruas da cidade eram iluminadas por cento e vinte lampiões a querosene, que eram acesos “desde o escurecer até ao raiar da aurora e nas noites de luar toda vez que a lua estiver sobre o horizonte”. Três empresas nacionais de navegação mantinham escala de seus navios no porto de Jaraguá: Cia. Brasileira de Paquetes a Vapor, Cia. Bahiana de Navegação e Cia. Pernambucana de Navegação.
O Dr. Ib Gatto ratificando a história diz que, para a construção do Palácio do Comércio foram importados três pedreiros. Madalhas, Pinheiro e Almeida. O primeiro anunciava seus serviços pelo jornal, como se fosse um engenheiro. O segundo, até gerou família na capital Alagoana. O terceiro tornou-se bastante popular pela construção de prédios residenciais. Foi este que morreu afogado na praia do Sobral (Notícias da Semana – Informativo da Associação Comercial de Maceió, 11 de agosto de 2006)..
Em 1868, foi inaugurado o ramal férreo entre Jaraguá e o centro de Maceió. Na Praça Rayol eram realizadas animadas festas de Natal e Ano Novo, com os folguedos da época. O bonde parava na Estrada Nova (Comendador Leão), que era toda residencial, e desembarcava os passageiros, que pagavam 300 réis pela passagem.
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE MACEIÓ. A pedra fundamental do Hospital da Cidade de Maceió, foi lançada às 16 horas do dia 7 de setembro de 1851. A idéia da fundação partiu do padre João Barbosa Cordeiro, manifestada em carta de 4 de julho de 1851, que para a sua concretização, concorreu com o rendimento da desobriga de sua paróquia.
Na sobredita pedra se enterrou uma lâmina de chumbo contendo a seguinte inscrição: “Hospital dos Enfermos Desvalidos, fundado nesta freguesia e cidade de Maceió, capital das Alagoas, no dia 7 de setembro de 1851, 29o. aniversário da Independência do Império do Brasil sob aos auspícios do Ilmo. Sr. Dr. Manoel Sobral Pinto, vice-presidente da Província, sendo vigário o padre José Barbosa Cordeiro, do qual hospital é padroeiro o Senhor Bom Jesus dos Aflitos e para constar se mandou lavrar o presente termo neste livro em que assinarão as pessoas que se oferecerem; e eu, Francisco das Chagas Muniz, secretário da Câmara a escrevi”.
O cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia, instituído pelo artigo 22 do Compromisso da Irmandade da Santa casa de Misericórdia da Cidade de Maceió, aprovado em 23 de abril de 1857, não era remunerado. Com a criação do cargo de administrador, de livre nomeação e demissão do governo da Província, a partir de 1871, o ocupante passou a ocupar funções remuneradas desse cargo com a de provedor. No período de 1856 a 1857, nela estavam atuando os médicos José Antônio Bahia da Cunha, Possidônio de Mello Accioly, José Antônio Lopes, Francisco Homem de Carvalho e João Francisco Dias Cabral. Provedores, nessa mesma fase: o coronel Manoel da Costa Moraes, tenente-coronel Francisco de Paula Mesquita Cerqueira, capitão José de Mello Vasconcelos Castro, capitão Miguel Joaquim Ramos de Moraes, Dr. José Antônio de Magalhães Bastos, capitão Adolfo de Barros Corrêa, major Manoel Martins de Miranda e mais o Dr. Manoel Lourenço da Silveira e Alípio A. da Silva Freire, que atuaram no impedimento dos titulares.
Em agosto de 1860, o Hospital da Caridade de Maceió, compunha-se de duas salas espaçosas, que serviam de enfermarias para as pessoas de diferentes sexos.
Afinidades maçônicas
Loja Maçônica “Lealdade Penedense”.Fundada no Oriente de Penedo, recebeu sua Carta Constitutiva em 30.07.1838. Abateu colunas. Kurt Prober, registra no “Catálogo das Lojas...”: É provável que nunca chegou a funcionar, pois encontramos o Breve desta Loja no Arquivo do Supremo Conselho. Trata-se de um documento sumamente valioso, pois mesmo sendo de 30.07.1838, traz a assinatura de “José Bonifácio” (116 dias depois de falecido...) e ainda a assinatura de Candido Ladislau Japi-Assu, fundador do Grande Oriente do Sacramento, expulso do Supremo Conselho Montezuma em 10.04.1837. Prova este documento do Grande Oriente do Sacramento, que Japi-Assu estava aproveitando documentos, que tinha “trazido...”.
De 1850 para diante melhoraram consideravelmente as condições políticas e culturais de Alagoas. Mas ainda assim, A Guerra do Paraguai, no período de 1864 a 1870, veio encontrar a Província envolvida em sérios conflitos político-administrativos.
Muito cedo ainda, a propaganda republicana manifestou-se em Alagoas, pelas colunas de O APÓSTOLO, aparecido no mês de junho de 1851.
Vinte e sete anos antes da queda do Império, enquanto as histórias dos Lisos e Cabeludos eram cantadas e recontadas nas feiras de Maceió e Alagoas através dos martelos, o nome de um deputado da jovem Província das Alagoas abalava na corte os alicerces do tráfego escravo no Brasil.
Era a voz do pensador e estadista alagoano Aurélio Cândido Tavares Bastos, que honrava a memória do pai.
Nasce a Loja “Virtude e Bondade”. Imbuídos do mesmo ideário da Arte Real, reuniram-se para um teste em casa de outro português, Francisco José de Magalhães Bastos, também comerciante, cujo estabelecimento comercial era contíguo à sua residência, na Rua da Floresta n. 51, onde, depois de outras reuniões no mesmo local, ficou acertada a fundação de uma Loja Provisória, que recebeu o nome de “VIRTUDE E BONDADE”.
Esse início, a fundação e as vicissitudes da Loja “Virtude e Bondade”, formam uma história quase mitológica, com seus heróis percorrendo vários labirintos à procura da flor sagrada.
Fundada em 1° de março, já em 1° de maio de 1862 foi instalada, recebendo a sua Carta Constitutiva. Na sua Diretoria constavam os seguintes maçons: Venerável, Francisco José de Magalhães Bastos, 30.’., português; 1° Vigilante, Dr. Manoel Joaquim da Silva, 3.’.; 2° Vigilante, Aurélio Ferreira Espíndola, l7.’.; Orador, José Antônio de Magalhães Bastos, 18.’.; Secretário, Tito de Abreu Fialho, 3.’.; Tesoureiro, Dr. Posidônio de Mello Accioly, 18.’.; e Chanceler, Carlos Cyrillo de Castro, 3.’.
Governava a Província, o Dr. Antônio Alves de Souza Carvalho, que ficou no poder de 1861 a julho de 1863. Em seus esforços para debelar tremenda crise financeira, descontou 20% nos ordenados dos funcionários públicos. Comentou-se que o Imperador lançou o seu nome em seu livro negro.
Contava então o município apenas seis escolas públicas e cinco particulares, aquelas freqüentadas por 425 alunos: 287 em três escolas de Maceió, 57 em uma em Jaraguá, 58 em uma em Bebedouro e 23 em uma em Ipioca. O curso secundário, ministrado oficialmente no Liceu Alagoano, supresso por Lei n. 370 de de 4 de julho de 1861, fora freqüentado por 116 estudantes, que cursavam aulas de Português, Latim, Francês, Inglês, Geometria, Geografia e Filosofia. Em todo o município da Capital, o mais importante da Província, com uma população livre de 20.000 almas, apenas cerca de 600 crianças freqüentavam as escolas do ensino primário!
A “Virtude e Bondade”, tem um passado de glória e heroísmo. A necessidade que a sociedade tem da existência de Lojas Maçônicas em seu seio reside na aplicabilidade e no acerto de suas ações.
Nesse sentido a “Virtude e Bondade” foi o porta-voz do espírito de uma época e das necessidades de nossa sociedade.
Que espírito de época foi esse? Sua fundação coincidiu com a emergência de novos valores, que terminaram por quebrar as regras da hegemonia patriarcal.
Penetramos em instituições profanas; influímos na escolha de dirigentes de Estado; aplaudimos atos profanos condizentes com a ética social e combatemos àqueles contrários aos nossos sãos postulados; harmonizamos contendas; conciliamos interesses prejudicados; enfim nos situamos defendendo os problemas vitais em benefício do nosso povo.
Na literatura, na filosofia e na política, como nas artes, as regras se esboroavam, enquanto o velho paradigma estertorava.
Nesse mundo sem regras nem hegemonias a “Virtude e Bondade” mostrava-se para usar uma expressão recente, “estrutural”.
Num mundo e numa economia em decadência, falava da possibilidade de construir um mundo novo, que afinal, foi construído.
Estavam certas, então, suas esperanças? Não é o que parece, a julgar pelas novas desordens e crises que abalam a nação: o desemprego galopante, a inflação crônica, a crise fiscal e a ruptura de um padrão monetário global ameaçam fazer soçobrar um mundo que parecia organizado segundo inabaláveis regras.
Resta saber se as sociedades globalizadas poderão viver no que mais parece um pântano repleto de fatais areias movediças do que uma estrutura sólida sobre a qual se possa caminhar com firmeza.
Os arquivos da “Virtude e Bondade” são ricos repositórios de lembranças imorredouras, de sentido cívico e emocional. São fatos históricos vividos pelos maçons alagoanos que evocam gloriosas legendas de que esta Loja se orgulha reconhecida. São evocações de feitos praticados pelos nossos ancestrais, motivados por razões de ordem sentimental e humanística, que se misturam a interesses políticos, fundindo, num harmonioso abraço, espírito e matéria. Estão aí os degraus da grande escada que nos conduz em longo tirocínio para a consolidação do progresso que almejamos.
Na gestão do Venerável Joaquim Alves Barreto Coelho Filho (1910-1913) a “Virtude e Bondade”, já então Loja Capitular, recebe o título de Benemérita, consoante o Decreto 471, do Eminente Grão-Mestre Lauro Sodré. Brande Benfeitora da Ordem – Decreto n.1661 de 28.06.1952.Cruz da Perfeição Maçônica – Ato n. 075 de 07.05.1984, do Grão-Mestre Jair Assis Ribeiro.
Aug.’. Resp.’. e Detentora da Estrela de Distinção Maçônica VIRTUDE E BONDADE N. 0146 – Ato 2844 de 18.06.1984, do Grão-Mestre Osmane Vieira de Rezende.
A atividade maçônica reveste-se de excepcional importância para todos nós, maçons virtudeanos, independente de nossa atividade social. Sua maior contribuição está na compreensão da realidade em que vivemos. Essa atividade nos impele adiante, em busca de novos níveis de compromisso humanístico e holístico, superando conceitos e desvelando novos paradigmas, e assim nos ajuda a enxergar, com mais clareza, o potencial e o propósito da vida maçônica, tão bem colocados no preâmbulo de nosso livro primeiro.
Uma abertura que só é possível quando abrimos mão de nossos arcabouços mentais, nossas premissas, nossas teorias, nossa forma laica de ver a realidade, e nos dispomos a considerar uma outra forma de entender o mundo e a própria vida.
Nosso atual compromisso é exemplificarmos o presente de forma construtiva, afim de que nossos descendentes no futuro sigam tais diretrizes sempre para a frente e para o alto em busca da verdade, da evolução, da prática objetiva do bem.
Nossa Nação não quer aprender. Seu passado, recente ou remoto, é moralmente insuportável.
É nossa função enfiar cunhas.
O que os governantes precisam ter em mente é que há uma coletividade envolvida no processo evolutivo da Nação. É em nome dela que se tem de questionar o autoritarismo dos métodos, e não apenas registrar alguma eficiência muitas vezes efêmera e localizada.
Vivemos hoje em uma sociedade dividida. Segundo a fala de um presidente: o País não é pobre, o País é injusto. O Brasil dos excluídos não incomoda a quem o contempla da janela do seu automóvel refrigerado.
A reforma do Estado é condição indispensável para o País vencer os desafios de inserir-se de modo competitivo na economia mundial e incorporar a grande massa dos brasileiros no mercado e na sociedade.
Conseqüentemente, cabe a cada virtudeano prestar a sua cooperação para que a nossa Loja se espraie e mergulhe fundo no conceito público.
É o nosso dever.
Este é, no nosso entender, o desafio ante o qual se colocaram os fundadores da nossa querida “Virtude e Bondade”, quando há 144 anos, pisaram o primeiro degrau desta interminável escada. Cabe-nos continuar ascendendo, fazendo por merecer a herança de um passado de feitos e glórias, na justa medida que o Grande Arquiteto do Universo nos reservar.
De 1850 para diante melhoraram consideravelmente as condições políticas e culturais de Alagoas. Mas ainda assim, A Guerra do Paraguai, no período de 1864 a 1870, veio encontrar a Província envolvida em sérios conflitos político-administrativos.
Muito cedo ainda, a propaganda republicana manifestou-se em Alagoas, pelas colunas de O APÓSTOLO, aparecido no mês de junho de 1851.
Vinte e sete anos antes da queda do Império, enquanto as histórias dos Lisos e Cabeludos eram cantadas e recontadas nas feiras de Maceió e Alagoas através dos martelos, o nome de um deputado da jovem Província das Alagoas abalava na corte os alicerces do tráfego escravo no Brasil.
Era a voz do pensador e estadista alagoano Aurélio Cândido Tavares Bastos, que honrava a memória do pai.
Nasce a Loja “Virtude e Bondade”. Imbuídos do mesmo ideário da Arte Real, reuniram-se para um teste em casa de outro português, Francisco José de Magalhães Bastos, também comerciante, cujo estabelecimento comercial era contíguo à sua residência, na Rua da Floresta n. 51, onde, depois de outras reuniões no mesmo local, ficou acertada a fundação de uma Loja Provisória, que recebeu o nome de “VIRTUDE E BONDADE”.
Esse início, a fundação e as vicissitudes da Loja “Virtude e Bondade”, formam uma história quase mitológica, com seus heróis percorrendo vários labirintos à procura da flor sagrada.
Fundada em 1° de março, já em 1° de maio de 1862 foi instalada, recebendo a sua Carta Constitutiva. Na sua Diretoria constavam os seguintes maçons: Venerável, Francisco José de Magalhães Bastos, 30.’., português; 1° Vigilante, Dr. Manoel Joaquim da Silva, 3.’.; 2° Vigilante, Aurélio Ferreira Espíndola, l7.’.; Orador, José Antônio de Magalhães Bastos, 18.’.; Secretário, Tito de Abreu Fialho, 3.’.; Tesoureiro, Dr. Posidônio de Mello Accioly, 18.’.; e Chanceler, Carlos Cyrillo de Castro, 3.’.
Governava a Província, o Dr. Antônio Alves de Souza Carvalho, que ficou no poder de 1861 a julho de 1863. Em seus esforços para debelar tremenda crise financeira, descontou 20% nos ordenados dos funcionários públicos. Comentou-se que o Imperador lançou o seu nome em seu livro negro.
Contava então o município apenas seis escolas públicas e cinco particulares, aquelas freqüentadas por 425 alunos: 287 em três escolas de Maceió, 57 em uma em Jaraguá, 58 em uma em Bebedouro e 23 em uma em Ipioca. O curso secundário, ministrado oficialmente no Liceu Alagoano, supresso por Lei n. 370 de de 4 de julho de 1861, fora freqüentado por 116 estudantes, que cursavam aulas de Português, Latim, Francês, Inglês, Geometria, Geografia e Filosofia. Em todo o município da Capital, o mais importante da Província, com uma população livre de 20.000 almas, apenas cerca de 600 crianças freqüentavam as escolas do ensino primário!
A “Virtude e Bondade”, tem um passado de glória e heroísmo. A necessidade que a sociedade tem da existência de Lojas Maçônicas em seu seio reside na aplicabilidade e no acerto de suas ações.
Nesse sentido a “Virtude e Bondade” foi o porta-voz do espírito de uma época e das necessidades de nossa sociedade.
Que espírito de época foi esse? Sua fundação coincidiu com a emergência de novos valores, que terminaram por quebrar as regras da hegemonia patriarcal.
Penetramos em instituições profanas; influímos na escolha de dirigentes de Estado; aplaudimos atos profanos condizentes com a ética social e combatemos àqueles contrários aos nossos sãos postulados; harmonizamos contendas; conciliamos interesses prejudicados; enfim nos situamos defendendo os problemas vitais em benefício do nosso povo.
Na literatura, na filosofia e na política, como nas artes, as regras se esboroavam, enquanto o velho paradigma estertorava.
Nesse mundo sem regras nem hegemonias a “Virtude e Bondade” mostrava-se para usar uma expressão recente, “estrutural”.
Num mundo e numa economia em decadência, falava da possibilidade de construir um mundo novo, que afinal, foi construído.
Estavam certas, então, suas esperanças? Não é o que parece, a julgar pelas novas desordens e crises que abalam a nação: o desemprego galopante, a inflação crônica, a crise fiscal e a ruptura de um padrão monetário global ameaçam fazer soçobrar um mundo que parecia organizado segundo inabaláveis regras.
Resta saber se as sociedades globalizadas poderão viver no que mais parece um pântano repleto de fatais areias movediças do que uma estrutura sólida sobre a qual se possa caminhar com firmeza.
Os arquivos da “Virtude e Bondade” são ricos repositórios de lembranças imorredouras, de sentido cívico e emocional. São fatos históricos vividos pelos maçons alagoanos que evocam gloriosas legendas de que esta Loja se orgulha reconhecida. São evocações de feitos praticados pelos nossos ancestrais, motivados por razões de ordem sentimental e humanística, que se misturam a interesses políticos, fundindo, num harmonioso abraço, espírito e matéria. Estão aí os degraus da grande escada que nos conduz em longo tirocínio para a consolidação do progresso que almejamos.
Na gestão do Venerável Joaquim Alves Barreto Coelho Filho (1910-1913) a “Virtude e Bondade”, já então Loja Capitular, recebe o título de Benemérita, consoante o Decreto 471, do Eminente Grão-Mestre Lauro Sodré. Brande Benfeitora da Ordem – Decreto n.1661 de 28.06.1952.Cruz da Perfeição Maçônica – Ato n. 075 de 07.05.1984, do Grão-Mestre Jair Assis Ribeiro.
Aug.’. Resp.’. e Detentora da Estrela de Distinção Maçônica VIRTUDE E BONDADE N. 0146 – Ato 2844 de 18.06.1984, do Grão-Mestre Osmane Vieira de Rezende.
A atividade maçônica reveste-se de excepcional importância para todos nós, maçons virtudeanos, independente de nossa atividade social. Sua maior contribuição está na compreensão da realidade em que vivemos. Essa atividade nos impele adiante, em busca de novos níveis de compromisso humanístico e holístico, superando conceitos e desvelando novos paradigmas, e assim nos ajuda a enxergar, com mais clareza, o potencial e o propósito da vida maçônica, tão bem colocados no preâmbulo de nosso livro primeiro.
Uma abertura que só é possível quando abrimos mão de nossos arcabouços mentais, nossas premissas, nossas teorias, nossa forma laica de ver a realidade, e nos dispomos a considerar uma outra forma de entender o mundo e a própria vida.
Nosso atual compromisso é exemplificarmos o presente de forma construtiva, afim de que nossos descendentes no futuro sigam tais diretrizes sempre para a frente e para o alto em busca da verdade, da evolução, da prática objetiva do bem.
Nossa Nação não quer aprender. Seu passado, recente ou remoto, é moralmente insuportável.
É nossa função enfiar cunhas.
O que os governantes precisam ter em mente é que há uma coletividade envolvida no processo evolutivo da Nação. É em nome dela que se tem de questionar o autoritarismo dos métodos, e não apenas registrar alguma eficiência muitas vezes efêmera e localizada.
Vivemos hoje em uma sociedade dividida. Segundo a fala de um presidente: o País não é pobre, o País é injusto. O Brasil dos excluídos não incomoda a quem o contempla da janela do seu automóvel refrigerado.
A reforma do Estado é condição indispensável para o País vencer os desafios de inserir-se de modo competitivo na economia mundial e incorporar a grande massa dos brasileiros no mercado e na sociedade.
Conseqüentemente, cabe a cada virtudeano prestar a sua cooperação para que a nossa Loja se espraie e mergulhe fundo no conceito público.
É o nosso dever.
Este é, no nosso entender, o desafio ante o qual se colocaram os fundadores da nossa querida “Virtude e Bondade”, quando há 144 anos, pisaram o primeiro degrau desta interminável escada. Cabe-nos continuar ascendendo, fazendo por merecer a herança de um passado de feitos e glórias, na justa medida que o Grande Arquiteto do Universo nos reservar.
Ergue-se o pano
A Sociedade Federal de Maceió. Fundada em 1831 com a denominação de Sociedade Patriótica e Defensora da Independência, objetivando combater os portugueses e brasileiros absolutistas, tinha o seu jornal, circulando com o nome de Federalista Alagoense (outrora Íris Alagoense – 17 de agosto de 1831), e no seu cabeçalho a divisa: “O governo do Império do Brasil será uma monarquia federativa”. Com a eleição da primeira Assembléia Legislativa (1835), surgem duas facções, a dos magistrados e a governamental, que se engalfinham em ataques pessoais e políticos, na imprensa – O Provinciano e o Echo Alagoano (1837). Criada em 1831, vai ser a orientadora da fase tumultuada da vida nacional decorrente da abdicação de D. Pedro I. O seu foi o primeiro jornal que se fundou na província, ponto inicial da evolução política e da formação da intelectualidade alagoana da época. Com a Regência, encerra-se a luta lusófoba e começam a se definir os dois agrupamentos partidários que iriam prevalecer no II Império, e as entidades defensoras da independência encerram a sua participação política. A tipografia onde era editado é vendida. Segundo Moacir Medeiros de Santana, o nome correto seria Sociedade Patriótica de Maceió, e existiria, na cidade de Alagoas, a Sociedade Patriótica Defensora da Liberdade e Independência Nacional. Existiu em Atalaia, em janeiro de 1832, a Sociedade Patriótica Defensora da Liberdade e Independência do Brasil. E em Palmeira dos Índios, existiu a Sociedade Patriótica, instalada em agosto de 1832.
No início do século XIX, o povoado que seria a cidade de Maceió passava por um surto de desenvolvimento. O ancoradouro de Jaraguá incrementava o comércio que, por sua vez, fazia aumentar o povoado e propiciava a expansão econômica e demográfica. Era através dele que se faziam as exportações de açúcar, algodão, fumo, cereais, madeiras para a construção civil e naval, farinha de mandioca, couro etc., - produtos que vinham do interior em carro-de-boi e em lombo de mulas.
Nasce a Loja “Amor da Pátria”. Foi em meio a toda esta agitação que se deu a criação da Loja AMOR DA PÁTRIA, em 6 de setembro de 1837.
Permanecem ignoradas as razões que teriam levado o reduzido número de Maçons que residiam no complexo lagunar e em Maceió a tomar esta temerária iniciativa.
Foi nesse clima de politicalha individualista que o comerciante português Manoel Guilhermino de Alcântara, um dos fundadores da Loja Maçônica “6 de Março de 1817”, teve a idéia de fundar em Maceió uma Loja Maçônica, quiçá procurando a pacificação geral dos espíritos.
Os poucos Maçons que aqui existiam, nos seus deslocamentos para a cidade do Recife, costumavam assistir às sessões maçônicas das Lojas “6 de Março de 1817”, ou “Conciliação, para tanto, viajando perto de 240 milhas marítimas. Assim, não foi difícil a Manoel Guilhermino de Alcântara, fundar neste Oriente de Maceió a Loja “Amor da Pátria”, em 6 de setembro de 1837, jurisdicionada ao Grande Oriente do Passeio. Regularizou-se logo após, em 29.04.1838, época em que se filiou ao Grande Oriente do Brasil. Simbólica que era, se transformou em Capitular, em 13.05.1843, fato que denota a sua pujança, por aquele período. Muito devendo aos esforços dos dois abnegados obreiros, Irmão João Francisco Régis, Capitão de Mar e Guerra; e Floriano Vieira Deelgado da Costa Perdigão, 33o.
De 1843 a 1848 a Província estorce-se numa pavorosa luta fratricida, em que as forças políticas dos lisos e cabeludos mergulharam a sociedade alagoana em um banho de sangue, na defesa dos seus mesquinhos interesses. E a loja “Amor da Pátria”, não encontrando ressonância para os seus elevados ideais neste conturbado cenário, depois de muito forcejar, abate colunas, no ano de 1850, para somente reerguê-las, 25 anos mais tarde.
No início do século XIX, o povoado que seria a cidade de Maceió passava por um surto de desenvolvimento. O ancoradouro de Jaraguá incrementava o comércio que, por sua vez, fazia aumentar o povoado e propiciava a expansão econômica e demográfica. Era através dele que se faziam as exportações de açúcar, algodão, fumo, cereais, madeiras para a construção civil e naval, farinha de mandioca, couro etc., - produtos que vinham do interior em carro-de-boi e em lombo de mulas.
Nasce a Loja “Amor da Pátria”. Foi em meio a toda esta agitação que se deu a criação da Loja AMOR DA PÁTRIA, em 6 de setembro de 1837.
Permanecem ignoradas as razões que teriam levado o reduzido número de Maçons que residiam no complexo lagunar e em Maceió a tomar esta temerária iniciativa.
Foi nesse clima de politicalha individualista que o comerciante português Manoel Guilhermino de Alcântara, um dos fundadores da Loja Maçônica “6 de Março de 1817”, teve a idéia de fundar em Maceió uma Loja Maçônica, quiçá procurando a pacificação geral dos espíritos.
Os poucos Maçons que aqui existiam, nos seus deslocamentos para a cidade do Recife, costumavam assistir às sessões maçônicas das Lojas “6 de Março de 1817”, ou “Conciliação, para tanto, viajando perto de 240 milhas marítimas. Assim, não foi difícil a Manoel Guilhermino de Alcântara, fundar neste Oriente de Maceió a Loja “Amor da Pátria”, em 6 de setembro de 1837, jurisdicionada ao Grande Oriente do Passeio. Regularizou-se logo após, em 29.04.1838, época em que se filiou ao Grande Oriente do Brasil. Simbólica que era, se transformou em Capitular, em 13.05.1843, fato que denota a sua pujança, por aquele período. Muito devendo aos esforços dos dois abnegados obreiros, Irmão João Francisco Régis, Capitão de Mar e Guerra; e Floriano Vieira Deelgado da Costa Perdigão, 33o.
De 1843 a 1848 a Província estorce-se numa pavorosa luta fratricida, em que as forças políticas dos lisos e cabeludos mergulharam a sociedade alagoana em um banho de sangue, na defesa dos seus mesquinhos interesses. E a loja “Amor da Pátria”, não encontrando ressonância para os seus elevados ideais neste conturbado cenário, depois de muito forcejar, abate colunas, no ano de 1850, para somente reerguê-las, 25 anos mais tarde.
O Cenário
A vocação de uma Loja Maçônica surge já por ocasião de seu nascimento, como resultado do estado de espírito que anima os seus fundadores. Os acontecimentos da política, as transformações sociais, o meio de cultura, são o caldo que irá nortear as ações da recém-nascida.
A Virtude e Bondade nasceu, embalada pelo sonho republicano e libertário que animou os movimentos políticos nordestinos, em um passado ainda doloroso. Antecedendo mesmo a Guerra da Independência dos EUA e a Revolução Francesa, o nordeste brasileiro, despertado pelas campanhas contra o invasor holandês, já em 1710 revelava fortes tendências republicanas, quando Bernardo Vieira de melo, após a vitória contra os comerciantes portugueses – desdenhosamente apelidados de mascates -, seguido de outros idealistas, proclamou a primeira república em solo brasileiro, que não conseguiu consolidar.
Quando em 1824 eclodiu no Recife a Confederação do Equador, teve ela séria repercussão na Capitania das Alagoas. Na epopéia de sangue e fogo que envolveu a Capitania, mais uma vez triunfaram as forças da situação.
O magistrado D. Nuno Eugênio de Lossio e Seiblitz, governador da Província à época, empenhou-se em extinguir, por todos os meios, os anseios republicanos no solo das Alagoas. Em Panelas de Miranda, no vizinho Pernambuco, eclodiu o levante restaurador de caráter ideológico que ficou conhecido como a Guerra dos Cabanos. Os portugueses, a exemplo do que aconteceu em todo o Brasil, aliam-se aos brasileiros das facções mais conservadoras e pregam a restauração de Dom Pedro I. O Partido Coluna envia tropas às fronteiras das Alagoas. Os governos das duas Províncias unem suas forças na tentativa de debelar o movimento.
A partir de 1834, a guerra praticamente passa para o lado alagoano, e a hegemonia política e militar muda dos senhores de engenho restauradores para a as mãos das chefias populares. Intensificam-se os ataques aos engenhos e às fazendas escravistas, com a libertação dos escravos. E a nova face da cabanada assolou Alagoas, ensangüentando-a e empobrecendo-a.
Ocorreram neste período vários episódios de importância. Alagoas era a capital da Província, e a próspera Comarca de Maceió (1833) somente seria honrada com tal distinção, em 1839. Naquela época, as instituições tiveram que vir para cá, crescendo a população e expandindo o comércio. Entre 1819 e 1823, Maceió tornou-se em centro político das Alagoas. Mas por pressão dos proprietários senhores de engenho das cidades circunvizinhas a antiga Alagoas (hoje Marechal Deodoro), a sede da capitania permanecia no município de origem.
O ataque e a ocupação cabana de Maceió, com o apoio dos Lisos (históricos), em oposição aos Cabeludos (conservadores), quando ficou preso por algumas horas o Vice-Cônsul inglês Diogo Burnett, destruído o consulado e rasgada a bandeira. As tropelias dos irmãos Moraes, que por motivos de vingança e também políticos, se amotinaram, aterrorizando as fazendas e lugarejos, levando à morte cerca de 100 familiares e simpatizantes do oligarca Sinimbú.
A Virtude e Bondade nasceu, embalada pelo sonho republicano e libertário que animou os movimentos políticos nordestinos, em um passado ainda doloroso. Antecedendo mesmo a Guerra da Independência dos EUA e a Revolução Francesa, o nordeste brasileiro, despertado pelas campanhas contra o invasor holandês, já em 1710 revelava fortes tendências republicanas, quando Bernardo Vieira de melo, após a vitória contra os comerciantes portugueses – desdenhosamente apelidados de mascates -, seguido de outros idealistas, proclamou a primeira república em solo brasileiro, que não conseguiu consolidar.
Quando em 1824 eclodiu no Recife a Confederação do Equador, teve ela séria repercussão na Capitania das Alagoas. Na epopéia de sangue e fogo que envolveu a Capitania, mais uma vez triunfaram as forças da situação.
O magistrado D. Nuno Eugênio de Lossio e Seiblitz, governador da Província à época, empenhou-se em extinguir, por todos os meios, os anseios republicanos no solo das Alagoas. Em Panelas de Miranda, no vizinho Pernambuco, eclodiu o levante restaurador de caráter ideológico que ficou conhecido como a Guerra dos Cabanos. Os portugueses, a exemplo do que aconteceu em todo o Brasil, aliam-se aos brasileiros das facções mais conservadoras e pregam a restauração de Dom Pedro I. O Partido Coluna envia tropas às fronteiras das Alagoas. Os governos das duas Províncias unem suas forças na tentativa de debelar o movimento.
A partir de 1834, a guerra praticamente passa para o lado alagoano, e a hegemonia política e militar muda dos senhores de engenho restauradores para a as mãos das chefias populares. Intensificam-se os ataques aos engenhos e às fazendas escravistas, com a libertação dos escravos. E a nova face da cabanada assolou Alagoas, ensangüentando-a e empobrecendo-a.
Ocorreram neste período vários episódios de importância. Alagoas era a capital da Província, e a próspera Comarca de Maceió (1833) somente seria honrada com tal distinção, em 1839. Naquela época, as instituições tiveram que vir para cá, crescendo a população e expandindo o comércio. Entre 1819 e 1823, Maceió tornou-se em centro político das Alagoas. Mas por pressão dos proprietários senhores de engenho das cidades circunvizinhas a antiga Alagoas (hoje Marechal Deodoro), a sede da capitania permanecia no município de origem.
O ataque e a ocupação cabana de Maceió, com o apoio dos Lisos (históricos), em oposição aos Cabeludos (conservadores), quando ficou preso por algumas horas o Vice-Cônsul inglês Diogo Burnett, destruído o consulado e rasgada a bandeira. As tropelias dos irmãos Moraes, que por motivos de vingança e também políticos, se amotinaram, aterrorizando as fazendas e lugarejos, levando à morte cerca de 100 familiares e simpatizantes do oligarca Sinimbú.
O SILHAR
Um dos mais eminentes pensadores espanhóis do século XX foi José Maria Escrivá de Balaguére, em que pese sua ojeriza pela Maçonaria. Sua maneira de pensar, para todo o mundo, sempre foi um sinaleiro de caminhos retos. Em um de seus pensamentos, sugere:
“590. Não queiras ser como aquele cata-vento dourado do grande edifício; por muito que brilhe e por mais alto que esteja, não conta para a solidez da obra.
- Oxalá sejas como um velho silhar oculto nos alicerces, debaixo da terra, onde ninguém te veja; por ti não desabará a casa”.(Caminho).
Silhar é uma pedra lavrada e em quadrado que serve para assentar em paredes ou em edifícios de silharia.
Chama-se “Obra de silharia”, a que é forrada por fora da obra de canto, e cheia por dentro de pedra e cal. É também, o apoio ou base do cortiço de abelhas.
O simbolismo maçônico da pedra foi elaborado sobre as idéias arquiteturais dos maçons operativos, por isso que, em Maçonaria, “Pedra bruta é o símbolo do homem corruptível, enquanto “Pedra cúbica” é o símbolo do bem e da verdade.
Obreiro da Grande Obra, o adepto tem por meta transmutar a “pedra bruta” em uma dessas “pedras vivas” com as quais o Iniciado levanta Templos, e a respeito da qual, menciona o Cap. II da Epístola I de Pedro.
Ocorreu-nos evocar aqui, a lembrança dos velhos silhares, das “pedras vivas” que sustentam os alicerces da “Virtude e Bondade” no. 146, desde aquele longínquo 1o. de março de 1862.
“590. Não queiras ser como aquele cata-vento dourado do grande edifício; por muito que brilhe e por mais alto que esteja, não conta para a solidez da obra.
- Oxalá sejas como um velho silhar oculto nos alicerces, debaixo da terra, onde ninguém te veja; por ti não desabará a casa”.(Caminho).
Silhar é uma pedra lavrada e em quadrado que serve para assentar em paredes ou em edifícios de silharia.
Chama-se “Obra de silharia”, a que é forrada por fora da obra de canto, e cheia por dentro de pedra e cal. É também, o apoio ou base do cortiço de abelhas.
O simbolismo maçônico da pedra foi elaborado sobre as idéias arquiteturais dos maçons operativos, por isso que, em Maçonaria, “Pedra bruta é o símbolo do homem corruptível, enquanto “Pedra cúbica” é o símbolo do bem e da verdade.
Obreiro da Grande Obra, o adepto tem por meta transmutar a “pedra bruta” em uma dessas “pedras vivas” com as quais o Iniciado levanta Templos, e a respeito da qual, menciona o Cap. II da Epístola I de Pedro.
Ocorreu-nos evocar aqui, a lembrança dos velhos silhares, das “pedras vivas” que sustentam os alicerces da “Virtude e Bondade” no. 146, desde aquele longínquo 1o. de março de 1862.
Citação 2
Todos os que almejaram fama e honra hão de ilustrar a vida e quem quer sempre pode. Para esse haverá sempre recompensa pelos feitos inolvidáveis, celebrizando-se pelo trabalho e pelo talento.
No penúltimo canto – nono – de “Os Lusíadas”, Luis de Camões descreve, nas derradeiras estâncias (89 a 95) os feitos dos homens ilustres:
Que as imortalidades que fingia
A antiguidade, que os ilustres ama.
Lá no estalante Olimpo, a quem subia
Sobre as asas ínclitas da Fama,
Por obras valerosas que fazia,
Pelo trabalho imenso que se chama
Caminho da virtude, alto e fragoso,
Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso;
Não eram senão prêmios que reparte,
Por efeitos imortais e soberanos,
O mundo co’os varões que esforço e arte
Divinos se fizeram, sendo humanos.
Que Júoiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Enéias e Quirino e os dois Tebanos,
Ceres, Palas e Juno com Diana,
Todos foram de fraca carne humana.
(IX,90,91)
Por isso ó vós, que as famas estimais,
Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
Despertai, já do sono do ócio ignavo,
Que o ânimo, do livre, faz escravo.
(IX, 92)
E ponde na cabeça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e no escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente,
Melhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.
(IX, 93).
No penúltimo canto – nono – de “Os Lusíadas”, Luis de Camões descreve, nas derradeiras estâncias (89 a 95) os feitos dos homens ilustres:
Que as imortalidades que fingia
A antiguidade, que os ilustres ama.
Lá no estalante Olimpo, a quem subia
Sobre as asas ínclitas da Fama,
Por obras valerosas que fazia,
Pelo trabalho imenso que se chama
Caminho da virtude, alto e fragoso,
Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso;
Não eram senão prêmios que reparte,
Por efeitos imortais e soberanos,
O mundo co’os varões que esforço e arte
Divinos se fizeram, sendo humanos.
Que Júoiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Enéias e Quirino e os dois Tebanos,
Ceres, Palas e Juno com Diana,
Todos foram de fraca carne humana.
(IX,90,91)
Por isso ó vós, que as famas estimais,
Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
Despertai, já do sono do ócio ignavo,
Que o ânimo, do livre, faz escravo.
(IX, 92)
E ponde na cabeça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e no escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente,
Melhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.
(IX, 93).
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
INÍCIO
SILHARES DA LOJA
MAÇÔNICA
“VIRTUDE E BONDADE”
Uma crônica da Loja Maçônica
“Virtude e Bondade” n° 0146
Oriente de Maceió – Alagoas
CONTENDO O
CADASTRO DE OBREIROS
ORGANIZADO POR:
MANOEL RODRIGUES CAMARA NETO
CIM 80147
VOLUME I
2008
MAÇÔNICA
“VIRTUDE E BONDADE”
Uma crônica da Loja Maçônica
“Virtude e Bondade” n° 0146
Oriente de Maceió – Alagoas
CONTENDO O
CADASTRO DE OBREIROS
ORGANIZADO POR:
MANOEL RODRIGUES CAMARA NETO
CIM 80147
VOLUME I
2008
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