sábado, 24 de outubro de 2009

AMADÍSSIMOS IRMÃOS – II

Para ser iniciado Maçom, o candidato aceita a prevalência do espírito sobre a matéria, reconhecendo a atividade criadora do Grande Arquiteto do Universo. E ao ser admitido em nossa Ordem, promete se dedicar ao estudo do Ritual para que, aprendendo a desenvolver a visão interior, consiga remover os Véus de Ísis, um a um, até apreender o que efetivamente ocorre no desenvolvimento de uma cerimônia maçônica.

Em seus estudos e pesquisas o Iniciado Maçom deve envidar todos os esforços para evitar envolver-se em preceitos preestabelecidos e fórmulas e fórmulas de conhecimento demasiado racional-materialista. Para tanto deve precaver-se contra a vaidade e a ostentação material, liberando, porém, o sentimento e a intuição, como fazem os poetas. Acontecerá então com a Alma do Iniciado tal como as folhas, no dizer de Horácio:

Assim como a floresta perde as folhas,
Quando declina o ano, assim a idade
Das palavras acaba; outras sucedem,
Que nascidas apenas, já florescem
Em bela mocidade e tomam força.

Nós os maçons, sabemos que em qualquer parte do Universo desenrola-se todos os dias, o “Drama da Vida e da Morte”, a emanação das mônadas divinas, que emigram umas, enquanto imigram outras, de volta para as delícias do Jardim Celestial.

E, se nos aplicarmos com afinco e desprendimento ao estudo, talvez um dia possamos, como Augusto dos Anjos, dizer:

Sou uma sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva do caos telúrico, procedo
Da Escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias.

E, no cântico de humildade, teremos então aprendido o sentido da dimensão humana, o significado e a importância da nossa missão.

“Como as folhas somos;
que umas o vento as leva
emurchecidas,
Outras brotam vernais e as
cria a selva;
Tal nasce e tal acaba a gente
humana”.
Homero (Ilíada).

MarCanto
Ao Meio-Dia de 6 de agosto de 1992.