HÁ UMA FINALIDADE,
UMA LEI NO UNIVERSO?
Se a inteligência existe no homem, deve encontrar-se nesse Universo, do qual faz parte. Essa inteligência se manifesta por leis, leis sábias e profundas, ordenadoras e conservadoras do Universo. Em todos os tempos e em todos os meios, se honra esse Espírito divino, sob diversas denominações: Deus, Providência, Grande Arquiteto, Ser Supremo, Pai Celeste. Sob todos esses nomes encontramos o Centro, a Lei, a Razão Universal, em que o mundo se conhece, se possui, concentra sua consciência e seu eu.
De um dos livros atribuídos a Hermes, intitulado “Discurso Universal de Hermes a Asclépios”, encontramos o seguinte pensamento:
“...É, pois, ó Asclépios, uma enorme maravilha o homem, um animal digno de respeito e adoração. Pois ele passa na natureza divina como se ele mesmo fosse Deus”.
A tarefa que cada um tem a realizar resume-se em três palavras: saber, crer, querer. Saber que existem em nós, recônditos e inatos, recursos incalculáveis; crer na eficiência de nossa ação sobre os dois mundos, o da Matéria e o do Espírito; querer o Bem, dirigindo o nosso pensamento para o que é belo e grandioso, conformando as nossas ações com as leis eternas do trabalho, da justiça e do amor.
Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. Na escala da vida, todas as Almas estão unidas por múltiplas relações. A solidariedade que as liga funda-se na identidade de sua natureza, na igualdade de seus sofrimentos através dos tempos, na similitude de seus destinos e seus fins.
Cada individualidade forma um anel da grande cadeia dos seres, o mundo inferior constantemente fecundado pelo mundo superior. Daí vêm todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas.
Numa capela da igreja de Orvieto, Signorelli pintou a vinda do Anticristo. Uma figura desce do céu e se parece com o Cristo, fazendo milagres como os Seus. As crianças reúnem-se em volta dele; os doentes são curados; os mortos são ressuscitados. O Cristo transforma água em vinho e conversa com os mortos.
Pois bem.
Quando se aproximava dos 40 anos, o poeta alemão Stefan George (1868-1933) escreveu a obra “O Sétimo Anel”, da qual reproduzimos o trecho de um poema:
“Vosso clamor, incitado pelo espetáculo
diabólico,
Destrói o que resta do líquido cristalino
que a benfazeja fonte trouxe.
Quando o fim chegar é a vossa necessidade
que primeiro se fará sentir.
Então haveis de freneticamente
lamber o fundo da nascente, que vai
secando.
Vagueareis longos e entontecidos como um
Rebanho à esmo, pelos pátios em chamas,
Enquanto soam as medonhas trombetas”.
