O feriado de Corpus Cristi lembra aos católicos de todo o Brasil, o dogma de que o pão e o vinho ofertados durante a missa tornam-se o corpo e o sangue de Jesus.
A celebração é realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes.
Entre as palavras-chave encontradas na Bíblia, o termo pão e vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, aparecem praticamente em todas as fases das Escrituras, desde Abrão (“o antepassado”), até o Novo Testamento, em que Jesus multiplica os pães.
Entre a população ribeirinha de Marechal Deodoro, essa data era, há muitos anos, conhecida como “O Dia da Hora”. Isso porque, exatamente neste dia, os cardumes de peixe migravam em direção à costa, aos milhares.
O povoado Francês recebia então, dos povoados vizinhos, muitos pesadores com suas famílias, que acampavam na praia, à espera do tão ansiado momento.
Também o povo dos Morros, Mucuri, Barra Nova, Massagueira, Pedras e adjacências, para ali se deslocava.
Meu pai fazia deslizar sobre o areal suas canoas enormes, contendo as redes e os apetrechos de pesca, e compadres e amigos, todos pescadores, empurravam, se revezando na colocação dos troncos de coqueiro, à medida que eram liberados pelas canoas, ao avançar.
Espalhadas ao longo da praia, as famílias escolhiam um lugar de seu agrado, para montar acampamento. No alto de uma duna, avistava-se a escura figura de compadre Satyro, mal disfarçada entre cardos e gajurus, a espreitar o mar, usando um pedaço de papelão à guisa de proteção para o reverbero marinho.
Ao avistar o cardume – milhares de peixes nadando à flor d’água, sôfregas por oxigênio, desenhando na superfície líquida uma perturbação que os olhos experientes do pescador logo perceberam - , este, dá o alarme, e logo passa a orientar as canoas que se dirigem céleres naquela direção.
O produto desta pescaria não era vendido. As pessoas acorriam para as canoas chegadas á praia, recebendo quantia de pescado segundo as suas necessidades imediatas. Isso se dava em respeito ao Santo, ao “Dia da Hora”.
Assim era esta bela tradição, hoje esquecida.
