sábado, 24 de outubro de 2009

FALANDO DE LANDMARQUES I

As propriedades rurais se separam umas das outras por linhas, que se denominam – linhas divisórias, ou simplesmente “divisas”, que podem ser naturais e artificiais.

As linhas naturais, na separação de terras, passam por quaisquer acidentes topográficos, capazes de indicar uma direção. Constituem as linhas artificiais as linhas ideais, passando por pontos assinalados no terreno, que se denominam “marcos”. Em inglês, landmarks (landmarques).
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Os vestígios das sociedades iniciáticas ultrapassam a história e se confundem com os mitos dos povos. Nos livros sagrados, nos textos antigos e na tradição oral ou escrita, encontram-se referências à instruções, ritos e práticas que muito se assemelham às usadas hoje em Maçonaria. Estas sociedades, geralmente de cunho ocultista, esotéricas, diferenciavam-se nisto, das sociedades laicas. E os pontos que assinalam essas diferenças foram sempre, através das épocas, resguardados com muito carinho. Eram suas “marcas” ou marcos característicos. Havia, porém, pontos que guardavam semelhança com as ordens religiosas.

Diz-nos o Rev. George Oliver, em Dicionary of Simbolic Masonry:”A respeito das marcas da Maçonaria, alguns se limitam aos sinais, toques e palavras. Outros incluem a cerimônia de iniciação e exaltação; os ornamentos, móveis e jóias da Loja, os seus símbolos característicos. Alguns opinam que a Ordem, não tem outras marcas, além de seus peculiares segredos”.

Já J. Q. A. Fellows, em Proceedings of G. L. of LA, 1889: ”A crença em Deus, nosso Pai; na imortalidade da alma; na fraternidade humana; a necessária prática de todas as virtude cívicas e morais; nossos deveres para com Deus, com a Pátria, com o próximo e conosco mesmo. Estes princípio universalmente conquistados são, a nosso entender, a marca da Ordem”.

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O instrumento de toda informação humana é a mente culta iluminada pela revelação. O passado e o presente estão unidos por um fio que corre através das gerações. Tudo aquilo que foi conhecido uma vez permanece vivo e pode ser invocado por um indivíduo para se tornar em propriedade comum de sua época. Nossa tradição é baseada numa revelação sempre renovada e codificada no decorrer das idades por escolas filosóficas do mundo inteiro, e foi preservada, sobretudo, entre os cabalistas hebreus e os gnósticos da Igreja cristã.

Passagens da Bíblia mencionam as graças divinas no caminho reto em direção à luz, assinalado por “marcos”. Em Jeremias, encontramos:

“Assim diz o Senhor: ponde-vos à margem no caminho e vede: perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas” (VI, 16).

“Põe-te marcos, finca postes que te guiem, presta atenção na vereda, no caminho por onde passaste” (XXXI, 21).

A linguagem esotérica garantia a proteção dos segredos da Ordem ante os desconhecidos, a menos que respondessem às palavras secretas, de passe, ensinadas no adito reservado ao Ritual conveniente, tal como nos ensina São Paulo: “Conheço a um homem em Cristo que, quatorze anos há, foi arrebatado ao paraíso, e que ouviu lá palavras secretas, que não é permitido a um homem referir” (Coríntios II, Cap. XII, 2 e 4).

O sigilo serviu sempre como prova psicológica aos novos discípulos que teriam que superar suas contradições, dúvidas, ansiedades e temores íntimos, para estarem em perfeitas condições de assimilar os conhecimentos.

Antes como agora, era importante o despertar da consciência para uma realidade muito mais sublime à que se vivia, fazendo com que o homem viabilizasse o pleno uso de todas as suas faculdades físico-espirituais. Tarefa que até hoje não se conseguiu cumprir, tão ambiciosa que é.
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FONTES: Edmundo Cardillo, “Aspectos novos de velhos temas”, Saraiva, 1950.
Constituição do GOB, de 1977.
Perboyre Vasconcelos, “A Volta ao Mito”, Landes, 1970.
A Bíblia Sagrada.
Paul Le Cour, “O Evangelho Esotérico de São João”, Pensamento, 1980.

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