Nos últimos momentos do dia, quando a alma sensível se enche de tristeza e acabrunhamento, eu passeava pela praia, acompanhando a fímbria da água.
É a hora em que o Sol se deita sobre o mar. Seus raios de ouro, resvalando sobre as águas, acompanham os meus passos e procuram a minha direção, me aquecendo e confortando neste fim de tarde.
Na amplidão da praia, ouvia-se apenas o canto do mar, invadindo o nosso silêncio e estimulando o pensamento disperso.
Pensava na delicada e difícil tarefa que me fora indicada pelo Venerável Mestre: orientar os Aprendizes de minha Loja. Como buscar os meios de abrir, por entre as suas preocupações profanas, seus pesados deveres e suas imperiosas necessidades, um espaço, ainda que exíguo, para ali colocar a semente da instrução maçônica, os primeiros rudimentos da Real Arte?...
Como sucede a toda e qualquer boa semente, se cuidada com desvelo, germinará e será como está no primeiro canto do Livro:
“Bem - aventurado o homem
Que não anda no conselho dos ímpios,
Não se detém no caminho dos pecadores,
Nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Antes o seu prazer está na lei do Senhor,
E na sua lei medita de dia e de noite.
Ele é como árvore
Plantada junto a corrente de águas,
Que, no devido tempo, dá o seu fruto,
E cuja folhagem não murcha;
E tudo quanto ele faz será bem sucedido”.
Mas, também pode suceder que, apesar da cuidadosa seleção, e de toda a experiência e cuidado do jardineiro, alguma semente ao germinar se revele imprópria, devendo ser excluída porque, como diz ainda o livro:
“Os ímpios não são assim:
São, porém, como a palha que o vento dispersa.
Por isso os perversos não prevalecerão no juízo,
Nem os pecadores na congregação dos justos.
Pois o Senhor conhece o caminho dos justos,
Mas o caminho dos ímpios perecerá”.
