quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Retrato antigo

O BAIRRO DE FERNÃO VELHO. – Localizado numa estreita faixa de terra, entre o planalto do taboleiro e a lagoa Mundaú, em meados do século XVIII ergueu-se um Engenho Bangüê, que levou o nome de seu fundador e filho de emigrantes portugueses, “Fernão Dias Velho”, que recebeu do Imperador Pedro II, o Título de Sesmeiro, para promover o desenvolvimento da região.
Durante várias décadas, as moendas do Engenho de Fernão Velho produziram mel e açúcar, que eram transportados em lombo de animais, até o porto de Maceió.

A FÁBRICA CARMEN. Inicialmente chamada de União Mercantil, foi fundada em 31 de janeiro de 1857, por uma Associação de Ilustres e Senhores da época, sob a presidência do Conselheiro Antônio Coelho de Sá e Albuquerque.
A idéia da Fábrica, contudo, foi do rico empresário José Antônio de Mendonça (Barão de Jaraguá) que, de sua parte, empregou na obra a quantia de 200.000$000 (duzentos contos de réis). Mas a Província de Alagoas procurou ajudar o empreendimento com 30.000$000 (trinta contos de réis), e mais tarde 26.000$000 (vinte e seis contos de réis), pagáveis em vinte anos.
Em 1870, a fábrica teve seu capital elevado para 300.000$000 (trezentos contos de réis), e foi adquirida pelo rico empresário, Comendador Jacinto José Nunes Leite, que a ampliou e mandou construir a estrada, ligando Fernão Velho a Bebedouro, trabalho entregue ao mestre geral da Fábrica, José de Souza Araújo.
Depois de algum tempo, a Fábrica passou a pertencer à família Othon Bezerra de Mello.

O BAIRRO DE JARAGUÁ. - Em relatório de 1857, o presidente Sá e Albuquerque informa que mandou abrir uma estrada ligando Jaraguá a Mangabeiras para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas oriundos do norte. É a atual avenida Comendador Leão, a primeira a ser traçada no sentido perpendicular à orla marítima. Em 1866 existiam, as seguintes ruas no bairro: rua do Amorim (Cel. Pedro Lima), rua do Oitizeiro (avenida Maceió) e rua do Bom Retiro (Melo e Povoas).
As construções residenciais, casas comerciais e trapiches aceleraram a evolução do bairro, que foi se ampliando e se tornou um ativo empório comercial.
O primeiro trapiche surgiu entre a segunda e a terceira década do século passado, a mando do rico português José Antonio Aguiar. Faziam-se necessários os trapiches, pois os escravos eram obrigados a carregar sacos de açúcar e fardos de algodão na cabeça até os botes e barcaças ancorados o mais próximo possível da praia e, pelo contato contínuo com a água, muitos deles ficavam doentes e morriam – o que representava prejuízo.
Os trapiches eram de taipa ou de tijolos, recobertos com telhas fabricadas em Satuba. Nas pontes feitas de maçaranduba ou sucupira, eram colocados guindastes, para facilitar a tarefa de embarque e desembarque, pois nelas atracavam as embarcações sem necessidade de transbordo.
No ano de 1862, Manoel Guilhermino de Alcântara, sugeriu aos demais Maçons de Maceió, companheiros de duras caminhadas, a conveniência de ser fundada outra Loja maçônica, em substituição da “Amor da Pátria”, que havia abatido colunas, e a idéia foi prontamente acolhida por todos, que a seguir tomaram as medidas necessárias no sentido de concretização da idéia e a reimplantação do ideal maçônico na próspera metrópole que despontava.Infelizmente o velho mestre não chegou a ver coroado o fruto dos seus esforços, sucumbindo ao peso dos anos.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL. Em 22 de julho de 1866, na sede da Sociedade Dramática Particular Maceioense, no prédio do Teatro Maceioense (na antiga rua do Rosário, atual João Pessoa), atendendo convite de José Joaquim de Oliveira, vinte e oito comerciantes se reuniram para tratar da fundação de uma associação que abrigasse os interesses da classe. Ao final, foi aclamada, unanimemente, sua primeira diretoria: José Joaquim de Oliveira (presidente provisório), José Virgínio Teixeira de Araújo (secretário) e Francisco de Vasconcelos Mendonça (tesoureiro).
Vinte desses negociantes eram exportadores de algodão, produto que atravessava fase de grane expansão devido à procura pelo mercado inglês, em plena revolução industrial. Apenas oito exportavam açúcar, produto que estava relegado a segundo plano.
Quando da fundação da Associação Comercial, Maceió possuía 27.437 habitantes, e as ruas da cidade eram iluminadas por cento e vinte lampiões a querosene, que eram acesos “desde o escurecer até ao raiar da aurora e nas noites de luar toda vez que a lua estiver sobre o horizonte”. Três empresas nacionais de navegação mantinham escala de seus navios no porto de Jaraguá: Cia. Brasileira de Paquetes a Vapor, Cia. Bahiana de Navegação e Cia. Pernambucana de Navegação.
O Dr. Ib Gatto ratificando a história diz que, para a construção do Palácio do Comércio foram importados três pedreiros. Madalhas, Pinheiro e Almeida. O primeiro anunciava seus serviços pelo jornal, como se fosse um engenheiro. O segundo, até gerou família na capital Alagoana. O terceiro tornou-se bastante popular pela construção de prédios residenciais. Foi este que morreu afogado na praia do Sobral (Notícias da Semana – Informativo da Associação Comercial de Maceió, 11 de agosto de 2006)..
Em 1868, foi inaugurado o ramal férreo entre Jaraguá e o centro de Maceió. Na Praça Rayol eram realizadas animadas festas de Natal e Ano Novo, com os folguedos da época. O bonde parava na Estrada Nova (Comendador Leão), que era toda residencial, e desembarcava os passageiros, que pagavam 300 réis pela passagem.

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE MACEIÓ. A pedra fundamental do Hospital da Cidade de Maceió, foi lançada às 16 horas do dia 7 de setembro de 1851. A idéia da fundação partiu do padre João Barbosa Cordeiro, manifestada em carta de 4 de julho de 1851, que para a sua concretização, concorreu com o rendimento da desobriga de sua paróquia.
Na sobredita pedra se enterrou uma lâmina de chumbo contendo a seguinte inscrição: “Hospital dos Enfermos Desvalidos, fundado nesta freguesia e cidade de Maceió, capital das Alagoas, no dia 7 de setembro de 1851, 29o. aniversário da Independência do Império do Brasil sob aos auspícios do Ilmo. Sr. Dr. Manoel Sobral Pinto, vice-presidente da Província, sendo vigário o padre José Barbosa Cordeiro, do qual hospital é padroeiro o Senhor Bom Jesus dos Aflitos e para constar se mandou lavrar o presente termo neste livro em que assinarão as pessoas que se oferecerem; e eu, Francisco das Chagas Muniz, secretário da Câmara a escrevi”.
O cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia, instituído pelo artigo 22 do Compromisso da Irmandade da Santa casa de Misericórdia da Cidade de Maceió, aprovado em 23 de abril de 1857, não era remunerado. Com a criação do cargo de administrador, de livre nomeação e demissão do governo da Província, a partir de 1871, o ocupante passou a ocupar funções remuneradas desse cargo com a de provedor. No período de 1856 a 1857, nela estavam atuando os médicos José Antônio Bahia da Cunha, Possidônio de Mello Accioly, José Antônio Lopes, Francisco Homem de Carvalho e João Francisco Dias Cabral. Provedores, nessa mesma fase: o coronel Manoel da Costa Moraes, tenente-coronel Francisco de Paula Mesquita Cerqueira, capitão José de Mello Vasconcelos Castro, capitão Miguel Joaquim Ramos de Moraes, Dr. José Antônio de Magalhães Bastos, capitão Adolfo de Barros Corrêa, major Manoel Martins de Miranda e mais o Dr. Manoel Lourenço da Silveira e Alípio A. da Silva Freire, que atuaram no impedimento dos titulares.
Em agosto de 1860, o Hospital da Caridade de Maceió, compunha-se de duas salas espaçosas, que serviam de enfermarias para as pessoas de diferentes sexos.