quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O Cenário

A vocação de uma Loja Maçônica surge já por ocasião de seu nascimento, como resultado do estado de espírito que anima os seus fundadores. Os acontecimentos da política, as transformações sociais, o meio de cultura, são o caldo que irá nortear as ações da recém-nascida.

A Virtude e Bondade nasceu, embalada pelo sonho republicano e libertário que animou os movimentos políticos nordestinos, em um passado ainda doloroso. Antecedendo mesmo a Guerra da Independência dos EUA e a Revolução Francesa, o nordeste brasileiro, despertado pelas campanhas contra o invasor holandês, já em 1710 revelava fortes tendências republicanas, quando Bernardo Vieira de melo, após a vitória contra os comerciantes portugueses – desdenhosamente apelidados de mascates -, seguido de outros idealistas, proclamou a primeira república em solo brasileiro, que não conseguiu consolidar.

Quando em 1824 eclodiu no Recife a Confederação do Equador, teve ela séria repercussão na Capitania das Alagoas. Na epopéia de sangue e fogo que envolveu a Capitania, mais uma vez triunfaram as forças da situação.
O magistrado D. Nuno Eugênio de Lossio e Seiblitz, governador da Província à época, empenhou-se em extinguir, por todos os meios, os anseios republicanos no solo das Alagoas. Em Panelas de Miranda, no vizinho Pernambuco, eclodiu o levante restaurador de caráter ideológico que ficou conhecido como a Guerra dos Cabanos. Os portugueses, a exemplo do que aconteceu em todo o Brasil, aliam-se aos brasileiros das facções mais conservadoras e pregam a restauração de Dom Pedro I. O Partido Coluna envia tropas às fronteiras das Alagoas. Os governos das duas Províncias unem suas forças na tentativa de debelar o movimento.

A partir de 1834, a guerra praticamente passa para o lado alagoano, e a hegemonia política e militar muda dos senhores de engenho restauradores para a as mãos das chefias populares. Intensificam-se os ataques aos engenhos e às fazendas escravistas, com a libertação dos escravos. E a nova face da cabanada assolou Alagoas, ensangüentando-a e empobrecendo-a.

Ocorreram neste período vários episódios de importância. Alagoas era a capital da Província, e a próspera Comarca de Maceió (1833) somente seria honrada com tal distinção, em 1839. Naquela época, as instituições tiveram que vir para cá, crescendo a população e expandindo o comércio. Entre 1819 e 1823, Maceió tornou-se em centro político das Alagoas. Mas por pressão dos proprietários senhores de engenho das cidades circunvizinhas a antiga Alagoas (hoje Marechal Deodoro), a sede da capitania permanecia no município de origem.

O ataque e a ocupação cabana de Maceió, com o apoio dos Lisos (históricos), em oposição aos Cabeludos (conservadores), quando ficou preso por algumas horas o Vice-Cônsul inglês Diogo Burnett, destruído o consulado e rasgada a bandeira. As tropelias dos irmãos Moraes, que por motivos de vingança e também políticos, se amotinaram, aterrorizando as fazendas e lugarejos, levando à morte cerca de 100 familiares e simpatizantes do oligarca Sinimbú.