Loja Maçônica “Lealdade Penedense”.Fundada no Oriente de Penedo, recebeu sua Carta Constitutiva em 30.07.1838. Abateu colunas. Kurt Prober, registra no “Catálogo das Lojas...”: É provável que nunca chegou a funcionar, pois encontramos o Breve desta Loja no Arquivo do Supremo Conselho. Trata-se de um documento sumamente valioso, pois mesmo sendo de 30.07.1838, traz a assinatura de “José Bonifácio” (116 dias depois de falecido...) e ainda a assinatura de Candido Ladislau Japi-Assu, fundador do Grande Oriente do Sacramento, expulso do Supremo Conselho Montezuma em 10.04.1837. Prova este documento do Grande Oriente do Sacramento, que Japi-Assu estava aproveitando documentos, que tinha “trazido...”.
De 1850 para diante melhoraram consideravelmente as condições políticas e culturais de Alagoas. Mas ainda assim, A Guerra do Paraguai, no período de 1864 a 1870, veio encontrar a Província envolvida em sérios conflitos político-administrativos.
Muito cedo ainda, a propaganda republicana manifestou-se em Alagoas, pelas colunas de O APÓSTOLO, aparecido no mês de junho de 1851.
Vinte e sete anos antes da queda do Império, enquanto as histórias dos Lisos e Cabeludos eram cantadas e recontadas nas feiras de Maceió e Alagoas através dos martelos, o nome de um deputado da jovem Província das Alagoas abalava na corte os alicerces do tráfego escravo no Brasil.
Era a voz do pensador e estadista alagoano Aurélio Cândido Tavares Bastos, que honrava a memória do pai.
Nasce a Loja “Virtude e Bondade”. Imbuídos do mesmo ideário da Arte Real, reuniram-se para um teste em casa de outro português, Francisco José de Magalhães Bastos, também comerciante, cujo estabelecimento comercial era contíguo à sua residência, na Rua da Floresta n. 51, onde, depois de outras reuniões no mesmo local, ficou acertada a fundação de uma Loja Provisória, que recebeu o nome de “VIRTUDE E BONDADE”.
Esse início, a fundação e as vicissitudes da Loja “Virtude e Bondade”, formam uma história quase mitológica, com seus heróis percorrendo vários labirintos à procura da flor sagrada.
Fundada em 1° de março, já em 1° de maio de 1862 foi instalada, recebendo a sua Carta Constitutiva. Na sua Diretoria constavam os seguintes maçons: Venerável, Francisco José de Magalhães Bastos, 30.’., português; 1° Vigilante, Dr. Manoel Joaquim da Silva, 3.’.; 2° Vigilante, Aurélio Ferreira Espíndola, l7.’.; Orador, José Antônio de Magalhães Bastos, 18.’.; Secretário, Tito de Abreu Fialho, 3.’.; Tesoureiro, Dr. Posidônio de Mello Accioly, 18.’.; e Chanceler, Carlos Cyrillo de Castro, 3.’.
Governava a Província, o Dr. Antônio Alves de Souza Carvalho, que ficou no poder de 1861 a julho de 1863. Em seus esforços para debelar tremenda crise financeira, descontou 20% nos ordenados dos funcionários públicos. Comentou-se que o Imperador lançou o seu nome em seu livro negro.
Contava então o município apenas seis escolas públicas e cinco particulares, aquelas freqüentadas por 425 alunos: 287 em três escolas de Maceió, 57 em uma em Jaraguá, 58 em uma em Bebedouro e 23 em uma em Ipioca. O curso secundário, ministrado oficialmente no Liceu Alagoano, supresso por Lei n. 370 de de 4 de julho de 1861, fora freqüentado por 116 estudantes, que cursavam aulas de Português, Latim, Francês, Inglês, Geometria, Geografia e Filosofia. Em todo o município da Capital, o mais importante da Província, com uma população livre de 20.000 almas, apenas cerca de 600 crianças freqüentavam as escolas do ensino primário!
A “Virtude e Bondade”, tem um passado de glória e heroísmo. A necessidade que a sociedade tem da existência de Lojas Maçônicas em seu seio reside na aplicabilidade e no acerto de suas ações.
Nesse sentido a “Virtude e Bondade” foi o porta-voz do espírito de uma época e das necessidades de nossa sociedade.
Que espírito de época foi esse? Sua fundação coincidiu com a emergência de novos valores, que terminaram por quebrar as regras da hegemonia patriarcal.
Penetramos em instituições profanas; influímos na escolha de dirigentes de Estado; aplaudimos atos profanos condizentes com a ética social e combatemos àqueles contrários aos nossos sãos postulados; harmonizamos contendas; conciliamos interesses prejudicados; enfim nos situamos defendendo os problemas vitais em benefício do nosso povo.
Na literatura, na filosofia e na política, como nas artes, as regras se esboroavam, enquanto o velho paradigma estertorava.
Nesse mundo sem regras nem hegemonias a “Virtude e Bondade” mostrava-se para usar uma expressão recente, “estrutural”.
Num mundo e numa economia em decadência, falava da possibilidade de construir um mundo novo, que afinal, foi construído.
Estavam certas, então, suas esperanças? Não é o que parece, a julgar pelas novas desordens e crises que abalam a nação: o desemprego galopante, a inflação crônica, a crise fiscal e a ruptura de um padrão monetário global ameaçam fazer soçobrar um mundo que parecia organizado segundo inabaláveis regras.
Resta saber se as sociedades globalizadas poderão viver no que mais parece um pântano repleto de fatais areias movediças do que uma estrutura sólida sobre a qual se possa caminhar com firmeza.
Os arquivos da “Virtude e Bondade” são ricos repositórios de lembranças imorredouras, de sentido cívico e emocional. São fatos históricos vividos pelos maçons alagoanos que evocam gloriosas legendas de que esta Loja se orgulha reconhecida. São evocações de feitos praticados pelos nossos ancestrais, motivados por razões de ordem sentimental e humanística, que se misturam a interesses políticos, fundindo, num harmonioso abraço, espírito e matéria. Estão aí os degraus da grande escada que nos conduz em longo tirocínio para a consolidação do progresso que almejamos.
Na gestão do Venerável Joaquim Alves Barreto Coelho Filho (1910-1913) a “Virtude e Bondade”, já então Loja Capitular, recebe o título de Benemérita, consoante o Decreto 471, do Eminente Grão-Mestre Lauro Sodré. Brande Benfeitora da Ordem – Decreto n.1661 de 28.06.1952.Cruz da Perfeição Maçônica – Ato n. 075 de 07.05.1984, do Grão-Mestre Jair Assis Ribeiro.
Aug.’. Resp.’. e Detentora da Estrela de Distinção Maçônica VIRTUDE E BONDADE N. 0146 – Ato 2844 de 18.06.1984, do Grão-Mestre Osmane Vieira de Rezende.
A atividade maçônica reveste-se de excepcional importância para todos nós, maçons virtudeanos, independente de nossa atividade social. Sua maior contribuição está na compreensão da realidade em que vivemos. Essa atividade nos impele adiante, em busca de novos níveis de compromisso humanístico e holístico, superando conceitos e desvelando novos paradigmas, e assim nos ajuda a enxergar, com mais clareza, o potencial e o propósito da vida maçônica, tão bem colocados no preâmbulo de nosso livro primeiro.
Uma abertura que só é possível quando abrimos mão de nossos arcabouços mentais, nossas premissas, nossas teorias, nossa forma laica de ver a realidade, e nos dispomos a considerar uma outra forma de entender o mundo e a própria vida.
Nosso atual compromisso é exemplificarmos o presente de forma construtiva, afim de que nossos descendentes no futuro sigam tais diretrizes sempre para a frente e para o alto em busca da verdade, da evolução, da prática objetiva do bem.
Nossa Nação não quer aprender. Seu passado, recente ou remoto, é moralmente insuportável.
É nossa função enfiar cunhas.
O que os governantes precisam ter em mente é que há uma coletividade envolvida no processo evolutivo da Nação. É em nome dela que se tem de questionar o autoritarismo dos métodos, e não apenas registrar alguma eficiência muitas vezes efêmera e localizada.
Vivemos hoje em uma sociedade dividida. Segundo a fala de um presidente: o País não é pobre, o País é injusto. O Brasil dos excluídos não incomoda a quem o contempla da janela do seu automóvel refrigerado.
A reforma do Estado é condição indispensável para o País vencer os desafios de inserir-se de modo competitivo na economia mundial e incorporar a grande massa dos brasileiros no mercado e na sociedade.
Conseqüentemente, cabe a cada virtudeano prestar a sua cooperação para que a nossa Loja se espraie e mergulhe fundo no conceito público.
É o nosso dever.
Este é, no nosso entender, o desafio ante o qual se colocaram os fundadores da nossa querida “Virtude e Bondade”, quando há 144 anos, pisaram o primeiro degrau desta interminável escada. Cabe-nos continuar ascendendo, fazendo por merecer a herança de um passado de feitos e glórias, na justa medida que o Grande Arquiteto do Universo nos reservar.
